sexta-feira, 26 de junho de 2009

Filmes da semana (12 a 18/04/2009)

Atrasado, mas não esquecido! Botando em dia as postagens sobre os filmes vistos.



The Twelve Gold Medallions (Shi er jin pai, 1970) - 4/5
Dirigido por Cheng Kang. Com Yueh Hua, Chin Ping, Chiao Chiao, Wang Hsieh, Wong Hap, Cheng Miu.
O traidor ministro Chin Kuei tenta deter as vitoriosas batalhas do general Yueh Fei contra os invasores, então envia ordens imperiais - em forma de medalhões dourados - convocando o general de volta à capital. Entre os guerreiros patriotas que tentam interceptar os medalhões está Miao Lung (Yueh Hua), cujo professor, Chin Yen-tang, faz parte do complô do ministro. Pra complicar, ele é apaixonado pela filha do professor, Chin So (Chin Ping), que também se rebela contra a traição do pai e busca interceptar por conta própria os medalhões. Para cumprir as ordens do ministro, Chin Yen-tang precisará atacar seu discípulo, sua filha e Meng Ta-pei, considerado, ao lado dele, o maior guerreiro do país.

Filme chinês na TV (mesmo paga) é difícil, por isso não deixei passar essa oportunidade. Mas quem já assistiu alguns exemplares desse cinema já sabe o que esperar: lutas exageradas, maquiagem fraca, cenários singelos, efeitos bem rústicos e outras coisas do gênero. Mas o que ele perde nos quesitos de produção recupera em cinematografia. Pode parecer chavão de quem não sabe mais o que comentar, mas a fotografia é sim excelente - pelo menos pra quem aprecia as características da feita naquele país, como Tarantino, que captou como poucos a essência, nas cenas de Pai Mei em "Kill Bill - Vol. II". Não há como não achar o máximo aqueles zooms rápidos, gigantescos, que várias vezes perdem o foco ou vão demais, precisando voltar, ou com os enquadramentos feitos nos cenários internos e nas cenas de embates. Pra quem gosta, taí um prato cheio. E a trama é boa, com conflitos pessoais comuns no cinema oriental (honra, respeito, obediência), mas tem seus problemas de precisão histórica - o que não é exatamente um grande demérito, posto que até as megaproduções hollywoodianas tomam suas próprias liberdades nesse sentido.



Quanto vale ou é por quilo? (2005) - 3/5
Dirigido por Sérgio Bianchi. Com Herson Capri, Leona Cavalli, Caco Ciocler, Leonardo Medeiros.
Uma analogia entre o antigo comércio de escravos e a atual exploração da miséria pelo marketing social, que forma uma solidariedade de fachada. No século XVII um capitão-do-mato captura um escrava fugitiva, que está grávida. Após entregá-la ao seu dono e receber sua recompensa, a escrava aborta o filho que espera. Nos dias atuais uma ONG implanta o projeto Informática na Periferia em uma comunidade carente. Arminda, que trabalha no projeto, descobre que os computadores comprados foram superfaturados e, por causa disto, precisa agora ser eliminada. Candinho, um jovem desempregado cuja esposa está grávida, torna-se matador de aluguel para conseguir dinheiro para sobreviver.

O cinema nacional tem sobre si o estigma da crítica social. Sim, essa é outra obra que vai por esse caminho, mas a forma como é feita é um tanto diferente. O filme é um tapa na cara da galera que vive de surfar a crista das ONGs financiadas seja por verbas públicas, seja por recursos privado de empresas e organizações nacionais e estrangeiras. A sacada deste título está em resgatar do Arquivo Nacional casos reais da época do Império, envolvendo negociações de escravos, e criar paralelos ao que acontece nos dias de hoje. A abordagem é abrangente: marketing social vigarista, desvio de recursos, abuso da miséria alheia pra desenvolvimento próprio, mão-de-obra infantil, relações trabalhistas exploratórias, sistema carcerário e mais, muito mais. A falha fica na hora de editar isso tudo, o que resultou em vários momentos um tanto confusos, pulos muito longos na história, com indas e vindas pouco claras. Outro ponto fraco é a falta de clareza nas relações que os vários personagens mantém entre si, que por vezes confunde o espectador. O ponto alto fica no absurdo das situações que pouca gente sabe que realmente acontecem.


Liquid Sky (1982) - 0/5
Dirigido por Slava Tsukerman. Com Anne Carlisle, Paula E. Sheppard, Susan Doukas, Otto von Wernherr, Bob Brady, Elaine C. Grove, Stanley Knapp, Jack Adalist.
Alienígenas invisíveis em um disco voador minúsculo vêm à Terra em busca de heroína. Eles pousam no topo de um apartamento em Nova Iorque, onde moram uma traficante e sua amante andrógina, ninfomaníaca e bissexual, que é modelo. Os alienígenas logo descobrem os feromôneos criados no cérebro durante o orgasmo e os preferem à heroína, e então os amantes da modelo ninfomaníaca começam a desaparecer. Este cenário incrivelmente bizarro é observado por uma mulher solitária que mora do outro lado da rua, um cientista alemão que está seguindo tanto alienígenas quanto o igualmente andrógino modelo masculino viciado em drogas (ambos interpretados por Anne Carlisle).

Sim, essa sinopse me atiçou a dar uma conferida no trabalho. Eu costumo me interessar por essas loucuras cinematográficas porque eventualmente surgem coisas boas, mas, no geral, são apenas obras muito ruins, terríveis ou coisas como essa daqui. Sim, "Liquid Sky" alcançou um patamar que achei inalcançavel: filme para se ver em FF (fast-forward). Com dez minutos de exibição eu já me contorcia, numa agonia que experimentei raríssimas vezes diante de um filme. Como não sou masoquista e nem quero ficar me achando herói, apelei pro FF. O que tinha diante de mim era uma overdose daquele visual multicolorido de fim dos anos setenta e início dos anos oitenta levado ao extremo, com muito néon e cenas insuportavelmente coloridas e com apenas isso na tela: cor. Sim, porque a visão do alienígena é feito uma viagem - talvez por isso ele esteja procurando heroína. O som consegue ser pior do que uma orquestra de moogs tocando músicas diferentes, todas fora de compasso. Já os personagens, estes são característicos clubbers que torram toda a grana que têm e que não têm com shows, festas, bebidas e drogas e transam com qualquer um que aparecer, porque, por alguma razão, homens e mulheres são indistinguíveis nessa história. E falando nela, bem... Aí mora o maior problema: se ela fosse boa, conseguiria juntar toda essa bizarrice de forma até aceitável, mas se nem ela compensa, ficou claro que perder meu tempo com esse título não daria em nada.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Filmes da semana (05 a 11/04/2009)

Atrasado, mas não esquecido! Botando em dia as postagens sobre os filmes vistos.



Global Metal (2008) - 5/5
Dirigido por Sam Dunn e Scot McFayden. Com Rafael Bittencourt, Adrian Smith, Dave Murray, Bruce Dickinson, Max Cavalera, Tom Araya, Kerry King, Lars Ulrich.
Continuação de “Metal: A Headbanger’s Journey”, de 2007. Nesse novo documentário, os diretores viajaram por países asiáticos, pelo Oriente Médio e pela América do Sul mostrando como o Heavy Metal atinge os jovens que crescem em culturas tão diferentes.

Sam Dunn tem o grande mérito de ajudar a consolidar de maneira excelente um registro da cultura Heavy Metal com cois grandes documentários sobre o tema. O primeiro, mais voltado para as origens e este segundo, sobre a tribo e influências do gênero na juventude ao redor redor do mundo. Pra quem está de fora, os headbangers parecem apenas uma horda bêbada de cabeludos vestido de preto que promovem caos em festas barulhentas. Pra quem está dentro, o negócio é diferente: muita coisa tem o seu significado e mostra que todos ali são parte de um movimento que já era grande e, agora, com o avanço da internet, ficou maior e mais rápido. Sem dúvidas, obrigatório para os fãs do gênero.


Versus - O Portal da Ressureição (Versus, 2000) - 3/5
Dirigido por Ryûhei Kitamura. Com Tak Sakaguchi, Hideo Sakaki, Chieko Misaka, Kenji Matsuda.
Há 666 portais que conectam este mundo ao outro lado, escondidos dentro dos seres humanos. Em algum lugar no Japão existe o portal de número 444. Quem o atravessar voltará da morte. Para isso, uma jovem precisa ser sacrificada, mas um poderoso prisioneiro fugitivo pretende protegê-la.

Esse foi um programão de domingo! Um filme do Kitamura com yakuzas, zumbis e lutas com pitadas de gore é garantia de, pelo menos, algumas risadas. A história é até legal, mas a diversão fica por conta das coreografias de luta, do sangue exagerado e das tosqueiras da produção de baixo orçamento. Ou seja, esse é um título que qualquer fã de cinema trash precisa assistir. O final dá o que falar.


Os esquecidos (The Forgotten, 2004) - 2/5
Dirigido por Joseph Ruben. Com Julianne Moore, Dominic West, Gary Sinise, Alfre Woodard, Linus Roache, Anthony Edwards.
Telly Paretta (Julianne Moore) é uma mulher em desespero por causa da morte do filho de 8 anos. Telly se surpreende ao ouvir de seu psiquiatra (Gary Sinise) que ela teria inventado em sua cabeça oito anos de lembranças de um filho que nunca teve. Ao conhecer um pai (Dominic West) que passa por experiência semelhante, ela embarca numa dura missão para provar a existência do filho e a sua sanidade mental.

Arrastado e sem graça, nem a Julianne Moore salva. O começo é interessante, promissor. A investigação dela para provar a existência do filho, a tentativa de convencimento do marido, do psiquiatra e, finalmente, do pai da garotinha, tudo isso vai indo muito bem, até que, finalmente, vem a explicação do que está acontecendo. E com tanta coisa possível pra usar de justificativa, foram apelar logo pro que não deveriam! Óbvio que a trama desaba de vez, fica piegas, bobinha e oferece uma explicação nada satisfatória na conclusão.


Religulous (2008) - 4/5
Dirigido por Larry Charles. Com Bill Maher.
Ator cômico e apresentador de TV, Bill Maher decidiu viajar pelo mundo entrevistando diferentes pessoas, de distintas religiões, para falar sobre Deus e religião. Conhecido por sua habilidade e astúcia analítica, além de sua graça irreverente e comprometimento em nunca perder uma piada, Maher consegue arrancar de seus entrevistados as respostas mais incomuns.

Acho que poucas vezes me diverti tanto assistindo a um documentário. E esse consegue ser mais engraçado do que muitas comédias que vi por aí ultimamente. A grande sacada aqui está na edição. A montagem abusa das ironias e antíteses, sempre relacionando algo que foi dito ou defendido a uma imagem que procura derrubar a colocação feita. Mesmo quando não surge uma imagem, o próprio Bill Maher faz perguntas e apresenta argumentos que incomodam e deixam os interlocutores desconsertados. Talvez não seja a forma mais corriqueira de fazer um trabalho desse gênero, mas o resultado final é muito bom.


Um agente na corda bamba (Tightrope, 1984) - 1/5
Dirigido por Richard Tuggle. Com Clint Eastwood, Geneviève Bujold, Dan Hedaya, Marco St. John.
O detetive Wes Black (Clint Eastwood) é um pai divorciado que cuida de suas duas filhas e investiga série de crimes sexuais. O assunto assume um caráter pessoal depois que sua nova namorada também é atacada pelo criminoso. Para executar sua missão, Wes desce ao mundo da prostituição e de práticas sexuais na linha do sadomasoquismo. Nessa peregrinação, o policial coloca em debate os seus valores morais ao se perceber bem próximo do criminoso.

Eu gosto tanto do trabalho do Eastwood que faz parte dos planos cinematográficos assistir todos os seus filmes. Por isso sei que vez ou outra devo me deparar com algo de baixa qualidade, algo que o sujeito deve ter feito só pra pagar as contas e garantir o leitinho das crianças. Prefiro pensar que foram essas as razões que o levaram a aceitar fazer esse filme, porque o resultado é terrível. Uma trama policial setentista - o que, por si só, já valeria vários pontos - com Eastwood - mais alguns - perseguindo um serial killer - mais outros - maníaco sexual - e ainda mais. Só que o trabalho feito aqui chega a ser triste. Além de ser muito longo, o filme abusa de clichês e faz quase nada interessante com eles. Há até uma tentativa de criar um clima de suspense toda vez que os pés do assassino aparecem, o que logo vira uma piada. Mas a grande decepção está com a péssima atuação do protagonista - com direito a um chilique que em nada condiz com o personagem. Um filme que deve ser evitado.


Appaloosa - Uma Cidade sem Lei (Appaloosa, 2008) - 3/5
Dirigido por Ed Harris. Com Ed Harris, Viggo Mortensen, Jeremy Irons, Renée Zellweger, Lance Henriksen.
No Velho Oeste norte-americano, Virgil Cole (Ed Harris)e Everett Hitch (Viggo Mortensen), dois amigos e pistoleiros, são contratados para tomar conta de uma pequena cidade chamada Appaloosa. O vilarejo está sofrendo nas mãos de Randall Bragg (Jeremy Irons), um brutal rancheiro sem respeito pela lei, que toma suprimentos, armas, cavalos e mulheres a seu bel prazer e que mandou matar o último xerife e seu auxiliar. A dupla, no entanto, acaba tendo sua luta complicada com a chegada de uma jovem viúva (Renée Zellweger) ao local.

Um faroeste que agrada em vários aspectos, mas acaba incomodando em outros. Começa de forma bem interessante, com a trama clássica dos mocinhos que devem salvar a cidade dos bandidos, mas, de repente, há uma quebra de ritmo, com a inserção da figura feminina e interesse romântico dos amigos. Então ele começa a desandar um pouco, chegando a uma segunda quebra, quase no final, que é quando comecei a pensar que o filme já deveria ter encerrado. E isso é sempre um problema: saber concluir. No mais, os personagens são bem construídos e várias características típicas do gênero estão presentes, o que, tenho certeza, os fãs não vão deixar passar despercebidas.


A fortuna de Ned (Waking Ned, 1998) - 4/5
Dirigido por Kirk Jones. Com Ian Bannen, David Kelly, Fionnula Flanagan, Susan Lynch, James Nesbitt, Paul Vaughan.
Em um pequeno vilarejo na Irlanda, um sortudo ganha na loteria causando alvoroço e o interesse em especial de dois senhores muito espertos, Jackie (Ian Bannen) e Michael (David Kelly). As confusões realmente começam quando eles descobrem que Ned, o ganhador, morreu de felicidade segurando o bilhete premiado em sua mão, e decidem reinvidicar o prêmio.

Como de praxe nas comédias britânicas, essa tem um humor bem diferente. É bem leve, nada hilariante, mas muito proveitosa. Há coisa de dez anos vivia passando na Fox, mas nunca parei pra assistir. Demorei uma década, mas, quando finalmente encarei, gostei bastante do resultado: um filme sobre amizade, cumplicidade, velhice, felicidade... E golpe!

terça-feira, 16 de junho de 2009

Filmes da semana (29/03 a 04/04/2009)

Atrasado, mas não esquecido! Botando em dia as postagens sobre os filmes vistos.



A Era da Escuridão (Mutant Chronicles, 2008) - 2/5
Dirigido por Simon Hunter. Com Ron Perlman, Thomas Jane, John Malkovich, Devon Aoki, Sean Pertwee.
Em 2707, as quatro empresas que controlam a Terra vivem em guerra, quando um antigo exército de NecroMutantes, há muito sepultado, volta das profundezas e somente a realização de uma profecia poderá vencê-los. Apostando nisso, Constantine (John Malkovich), líder de uma das empresas, patronica a formação de uma equipe de guerreiros de todos os cantos do mundo, liderados pelo Major Mitch Hunter (Thomas Jane) e guiados pelo religioso Samuel (Ron Perlman).

Esse é um daqueles que a gente vai assistir já esperando ser uma bomba, mas vai assim mesmo, pela diversão. Afinal de contas, qualquer filme que tenha em sua sinopse "a fight against an army of underworld NecroMutants" merece ser visto. As interpretações são tristes, a história muitas vezes sem pé nem cabeça e os efeitos risíveis. O estranho mundo steampunk que eles criam é tão tosco que é engraçado - principalmente a nave movida a vapor.


Apenas uma vez (Once, 2006) - 4/5
Dirigido por John Carney. Com Glen Hansard, Markéta Irglová.
Um músico de rua inseguro vive com o pai, com quem trabalha reparando aspiradores. Uma garota da República Tcheca trabalha em diversos empregos durante o dia e toca piano quando tem chance, além de cuidar de sua filha e de sua mãe à noite. Seus caminhos cruzam nas ruas de Dublin e ambos se juntam para gravar um trabalho demo para que ele possa tentar um contrato com algum gravadora em Londres.

Me recomendaram há bastante tempo, mas ficou esquecido. Quando finalmente peguei pra ver, achei que estaria diante de uma comédia romântica bem água com açúcar, mas me enganei. O filme é um ode à própria música, sobre como ela está presente nas nossas vidas e influencia nossos sentimentos e ações. É um filme bonito, pela beleza da música e dos fatos conduzidos por ela, e um tanto melancólico, pelo desenrolar da relação dos dois protagonistas.


Fausto 5.0 (2001) - 3/5
Dirigido por Álex Ollé e Isidro Ortiz. Com Miguel Ángel Solá, Eduard Fernández, Najwa Nimri, Raquel González.
Dr. Fausto (Miguel Ángel Solá) é um cirurgião especialista em casos terminais. A caminho de uma convenção de médicos, ele encontra Santos (Eduard Fernández), que afirma que o doutor lhe removeu o estômago há oito anos. O homem, cuja própria vida já contraria a lógica, promete realizar todos os desejos de Fausto, guiando-o por uma viagem alucinante pela sua própria consciência.

Uma livre adaptação espanhola da lenda germânica, que a transpõe para os dias de hoje. O clima é tenso, incômodo, pessimista. Parte disso vem do trabalho desenvolvido pelo médico, que está sempre em contato com a morte, o que o perturba tanto a ponto de se ver envolvido pela espiral alucinante criada por Santos. É um filme forte, mas não por ser explícito ou demasiado violento, mas pelo sofrimento do personagem.


Três é demais (Rushmore, 1998) - 3/5
Dirigido por Wes Anderson. Com Jason Schwartzman, Bill Murray, Olivia Williams, Seymour Cassel, Brian Cox, Luke Wilson.
Max Fischer (Jason Schwartzman) é um rapaz de quinze anos que conseguiu uma bolsa de estudos para a rica escola preparatória Rushmore. Enquanto se dedica a várias atividades extra-curriculares para não ser expulso pelas notas baixas, ele acaba se tornando amigo de Herman Blume (Bill Murray), um magnata que atravessa uma depressão, e se apaixonando por Rosemary Cross (Olivia Williams), uma professora que tornou-se viúva há pouco tempo. Mas aí os problemas surgem: Rosemary acha o adolescente muito novo para ela e Herman se apaixona por ela, gerando uma certa rivalidade entre Max e Blume.

O filme é até legal, mas um tanto arrastado. Conta com a boa atuação do sempre competente Bill Murray, o que já é um incentivo pra assistir. Penso que esse foi o ensaio do diretor Wes Anderson pra fazer "Os Excêntricos Tenenbaums", porque acho que percebi uma tentativa de imprimir um ritmo semelhante, mas sem sucesso.


Queime depois de ler (Burn after reading, 2008) - 5/5
Dirigido por Ethan e Joel Coen. Com George Clooney, Frances McDormand, Brad Pitt, John Malkovich, Tilda Swinton, J.K. Simmons.
Osbourne Cox (John Malkovich) era um analista da CIA que, revoltado com sua demissão, resolve se dedicar à bebida e ao seu livro de memórias. Katie (Tilda Swinton), sua esposa, fica espantada ao saber da demissão, mas deixa o assunto de lado, por estar mais interessada em Harry Pfarrer (George Clooney), um investigador federal e seu amante. Paralelamente Linda Litzke (Frances McDormand), funcionária de uma rede de academias, faz planos para uma grande cirurgia plástica que deseja realizar. Ela tem em Chad Feldheimer (Brad Pitt), um professor da academia, seu melhor amigo. Quando um CD perdido cai nas mãos de Linda e Chad, ambos perceberem que se trata de material confidencial:o livro de Cox.

O humor absurdo dos irmãos Coen mais uma vez dá certo. Jutaram um elenco de primeira e fizeram uma comédia divertidíssima, com grandes momentos e atuações. Não dá pra não rir das caras do George Clooney, da dancinha do Brad Pitt e das situações em que todos os personagens acabam se metendo em algum momento da trama. Apesar disso, é bom esclarecer que não é uma comédia hilariante, mas bem construída, como vários outros trabalhos da dupla. Ah! E o Malkovich mais uma vez está excelente.

Vistos novamente


Dr. Fantástico (Dr. Strangelove, 1964) - 5/5
Dirigido por Stanley Kubrick. Com Peter Sellers, George C. Scott, James Earl Jones, Sterling Hayden, Slim Pickens, Peter Bull.
Um louco general anticomunista americano (Sterling Hayden) autoriza um ataque nuclear à União Soviética por bombardeiros que só respondem ao seu comando. Em vista disso, o presidente (Peter Sellers) e o alto escalão militar se reúnem na Sala de Guerra para achar uma maneira de cancelar a ordem e evitar a ativação do dispositivo automático chamado Máquina do Juízo Final, o que detonaria uma hecatombe nuclear.

Excelente obra de humor negro sobre militares, guerra, paranóia e poder. A interpretação de Sellers - em três papéis - é memorável. A ironia por trás das falas e situações colocadas são brilhantes. É um título fundamental, sem dúvida.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Camisa vermelha: David Carradine


David Carradine - famoso por Kung Fu e Kill Bill - vestiu a camisa vermelha hoje.

Além dos papéis mais famosos, ele também fez o piloto Frankenstein em "Corrida da Morte - Ano 2000" (que ganhou um remake recentemente), mas pouca gente lembra disso. Só que os fãs do cinema tosco lembram muito bem da surra que ele deu em Stallone:

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Pornô esquimó

Atravessei a faixa de pedestres, olhei para a fileira de carros e, finalmente, consegui encontrar um táxi, escondido atrás de um caminhão. Olhei para o sinal - quase abrindo - e de volta para o veículo, mas não consegui ver se já tinha passageiro.

Fiz sinal com a mão assim mesmo e percebi uma figura lá dentro gesticulando para me chamar e abrindo a porta - ao mesmo tempo que o sinal fazia o mesmo. O caminhão se foi, a outra fileira se foi e o veículo ainda estava lá, retendo a sua fila, com a porta escancarada pra mim. Com alguns passos rápidos, cheguei até ele e entrei, já fechando imediatamente, porque as buzinas já exerciam seu ofício.

- Vamos embora daqui antes que linchem a gente! - Disse, rindo, o motorista, enquanto arrancava. - Pra onde?

Passei as instruções e, para minha estranheza, o papo começou.

Preciso, antes de mais nada, esclarecer que os taxistas desta cidade têm estado muito calados de vários meses para cá. Não falam sobre futebol, política, música, TV... Enfim, sobre nada que se espera vir de um deles. Salvo raros e pontuais momentos, estão para pouco papo - alguns até sisudos e ensimesmados. Então, estranho foi ele puxar papo, não o contrário.

- Foi o vidro escuro, né? Por isso você não conseguiu ver o interior.
- Sim. Dependendo do ângulo do sol, é difícil mesmo.
- Pois é, rapaz. Eu tava pensando em tirar, mas, sei lá. Tem gente que reclama, tem gente que prefere. Sabe como é: tem gente que pega táxi pra trair mulher e não quer ser visto. Dia desses um casal entrou e já foi mandando subir os vidros. - Fez uma imitação debochada de voz feminina. - "Sobe o vidro aí, moço!" - Dei uma risada e achei que terminaria aí, mas ele logo emendou, num fôlego só. - Tem gente que não sabe mesmo o que quer. Uma hora é pra ligar o ar, outra hora é pra desligar.
- Dependendo do dia é assim mesmo. - Tentei argumentar.
- Mas é a mesma pessoa! Um minuto depois! Por isso eu não mexo mais no ar! Não mexo! A mulher pediu de novo e respondi "Não vou mexer em porra nenhuma, não..." - E veio a voz fina e debochada novamente. - "É o que que você disse aí, moço?" Claro que eu não falei isso alto, né? "Nada não, senhora. Tô falando sozinho aqui, pensando." - Até abri a boca para falar qualquer coisa, mas ele seguiu. - Dia desses foi um casal. O cara disse "entra à esquerda" e a mulher "entra à direita". E ficou essa de esquerda, direita, direita, esquerda. Nada deles se decidirem. Aí falei logo: "Porra, decide logo aí que a rua tá chegando!" Povo indeciso...

Não respondi. A essa altura eu já não queria mais desenvolver a conversa. "Ih, esse é um daqueles chatos que odeia a tudo e a todos porque escolheu uma profissão que não gosta.", pensei.

Alguns segundos depois, no próximo sinal fechado, ele parou o carro e juntou as mãos entre os joelhos, num claro sinal de estar sentido frio. Deve ter sido suficiente para lhe ocorrer um outro assunto para puxar comigo:

- Porra, não sei de onde esse pessoal tira a idéia de que fazer sexo no frio é bom! - Fazia aquelas expressões de quem não consegue achar uma explicação satisfatória e abriu as mãos à sua frente com as palmas viradas, antes de retomar o volante.
- Esquenta, né? - Tentei, mais uma vez, argumentar. Ô hábito!
- Sim, mas, porra, que frio do caramba! Tá tudo encolhido. E depois vai tomar um banho, a água tá gelada. Ah, na boa... É ruim demais. No calor é melhor. No frio não tem como.
- Cara, e os esquimós? Até hoje eles dão seu jeito lá.

De todas as respostas possíveis no mundo, tinha que me ocorrer justo essa?! Juro que não sei de onde tirei essa, mas agora era tarde. O cara me olhou espantado, como se tivesse feito uma grande revelação científica. E como todo conhecimento científico sempre gera ainda mais perguntas, ele começou a devanear em voz alta - ficou claro que não eram para mim as questões, mas para ele mesmo.

- Taí! Como é que os esquimós fazem? Porra! Os caras moram no gelo. Tem gelo pra todo lado. A casa deles é de gelo. Como eles fazem? Não é possível... Deve ter um furo na roupa, sei lá. Em cima do gelo é que não é. Pelo menos eu acho. Não dá, não tem como.
- Ah, cara, nessas horas cada um dá seu jeito. - Intervi. - Seja esquimó, africano ou indígena. Por isso tem gente em tudo quanto é canto do mundo.
- Tem razão. Mas ia ser interessante saber isso. Saber como fazem...

E foi aí que ele teve a idéia.

- Ah, já sei! Imagina só: filme pornô esquimó! - Não contive o riso. - Chega uma equipe lá no meio do nada com as máquinas prontas pra filmar e dizem pros carinhas: "Viemos gravar um filme pornô pra saber como vocês fazem." Imagina só a cara dos figuras!

Como diz um amigo meu: "nessas horas, não faça filminho". Isto é, não imagine a cena. Mas já era tarde. Pornô esquimó foi demais para mim. Felizmente, havíamos chegado ao destino naquele mesmo instante. Paguei a corrida e o deixei com suas divagações a respeito do tema, enquanto ele saía com seu táxi. Enquanto a mim, fui rindo pela calçada, pela recepção do prédio, pelo elevador, pelo corredor e só consegui parar quando cheguei à porta do escritório.

Só parei porque outro filminho passou pela minha cabeça: como explicar para os que estavam lá dentro que o motivo do meu riso era um pornô esquimó?

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Heaven & Hell - Falling off the edge of the world



Pois é.

Vai entender...

Mas, sério que Maio já acabou?