domingo, 17 de maio de 2009

Álbuns da minha vida: Black Sabbath - Heaven and Hell


Imaginava que o primeiro post sobre o Black Sabbath que faria na série sobre os Álbuns da minha vida seria sobre o "Reunion" ou o "Volume 4", respectivamente o que me apresentou à banda e o primeiro que comprei.

Mas, caramba, porque não começar pelo "Heaven And Hell", o segundo comprado?

Lançado em 1980, este foi o primeiro trabalho da nova formação, que colocou Ronnie James Dio na posição ocupada por Ozzy Osbourne ao longo de uma década.

Dio trouxe uma nova personalidade à banda, uma nova linha de composição e uma nova musicalidade. A diferença é tanta que chega a ser estranho - e por vezes incômodo - ouvi-lo cantar músicas da fase Ozzy no "Live Evil" ou em bootlegs.

Gosto de deixar claro que discutir qual dos dois é melhor me parece uma bobagem. São vocalistas diferentes, com técnicas, personalidades, estilos e trejeitos diferentes.

Como posso dizer que "Heaven And Hell" ou "Dehumanizer" são melhores do que "Master of Reality" ou "Sabbath Bloody Sabbath" e vice-versa, por exemplo? É bobagem. Todos são excelentes álbuns.

Mas não foi bem isso que o Ivan, dono da loja de CDs, me disse num cinzento sábado de outubro de 1999.

Eu já estava lá há umas duas horas olhando os vários discos da banda sem decidir qual eu compraria, porque naquela época, comprar um CD era quase uma ciência. Não havia as facilidades atuais de ouvir as músicas online, baixar mp3, discutir em fóruns e listas ou ler resenhas em sites.

E mais: com apenas 50 reais por mês para gastar com discos (caros), saídas e revistas, precisava me virar como fosse possível para esticar a grana e não comprar nenhuma porcaria da qual fosse me arrepender depois.

Percebendo a minha demora - e ansioso para fechar a loja e ir para casa - o vendedor resolveu dar um empurrãozinho: "Ouve esse. Não é com o Ozzy." Botou o disco no aparelho de som e subiu o volume. De repente, aquela introdução matadora de "Neon Knights" explodiu no ambiente. Quando a voz do Dio surgiu, ele disse: "Assisti esses caras tocando em 92. Ele canta muito. A molecada só quer saber de Ozzy, Ozzy, Ozzy, mas ele é muito melhor."

Me passou a caixa e pude dar uma folheada no encarte. Até a capa era muito boa - até hoje uma das melhores de toda a minha coleção e top 3 do Black Sabbath fácil! E assim ele foi passando as faixas e fazendo outros comentários que não lembro. Ao final, comprei esse mesmo e fiquei na ânsia de chegar em casa colocá-lo pra tocar.

E foi exatamente o que fiz. Botei o disco em loop e fiquei viajando na música e, principalmente, nas letras. Uma das minhas melhores aquisições, sem dúvida.

Até hoje esse é um dos trabalhos da banda que mais gosto e ouço. Ao contrário de alguns outros, não há aqui uma música que eu ache que poderia ser melhor, que poderiater sido cortada ou mudada em alguma parte. Ele é irretocável, perfeito como está.

Não por acaso, quando os membros quiseram retornar ao estúdio para gravar novo material, escolheram "Heaven & Hell" como nome para a nova banda, já que, após a entrada do grupo no Rock and Roll Hall of Fame com a formação original, não seria legal gravar algo do Black Sabbath sem o Ozzy.

Em tempo: um lance curioso que tenho com esse álbum é que toda vez que escuto "Lady Evil" me lembro de cenas de "A Bruxa de Blair", porque assisti o filme na mesma semana em que comprei o disco e, lendo a letra, dá pra entender a razão da associação.

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