segunda-feira, 13 de abril de 2009

Filmes do mês de março (01 a 28/03/2009)

Eu sei que prometi fazer posts semanais, mas março realmente não contribuiu. Acabei assistindo pouquíssimos filmes na primeiras três semanas.

Mas como na última semana o projeto rendeu, ela ficará numa postagem à parte, como previsto originalmente.



Dois na gangorra (Two for the Seesaw, 1962) - 3/5
Dirigido por Robert Wise. Com Robert Mitchum, Shirley MacLaine, Edmon Ryan.
Quando sua esposa pede o divórcio, o advogado Jerry Ryan (Robert Mitchum) abandona a carreira no Nebraska e parte para Nova Iorque, onde viverá no desespero da solidão até conhecer Gittel Mosca (Shirley MacLaine), uma dançarina que vive de pequenos trabalhos e leva uma vida bastante singular.

Assisti esse no ônibus, numa das idas ao Rio de Janeiro. É uma comédia à moda antiga, diferente dessas que nos acostumamos a ver hoje em dia. Chamar de comédia romântica é perigoso, já que tal rótulo lembra obras que pouco se identificam com essa. A beleza dela está justamente no fato de ser uma comédia leve, com um argumento simples e bem desenvolvido, com personagens interessantes e pelas boas sacadas - como a divisão de cenário nas conversas pelo telefone. Ah, e pelo final também.


Quem quer ser um milionário? (Slumdog Millionaire, 2008) - 5/5
Dirigido por Danny Boyle, Loveleen Tandan. Com Dev Patel, Anil Kapoor, Saurabh Shukla.
Jamal Malik (Dev Patel), um órfão de 18 anos das favelas de Mumbai, está a apenas um passo de ganhar o surpreendente prêmio de 20 milhões de rúpias em um programa de televisão. Preso sob suspeita de ter trapaceado, ele conta à polícia sua incrível história de vida como um menino de rua e sobre a garota que tanto ama. Mas o que um jovem sem nenhum interesse em dinheiro estaria fazendo nesse programa? E como é possível que ele soubesse todas as respostas?

Muito divertido, mas ao mesmo tempo dramático e empolgante, esse foi uma surpresa pra mim. A qualidade de sua edição é impressionante. Se contar bem uma história, desenvolver a trama e os personagens já é um trabalho bem complicado, imagine então uma narrativa que vai e volta no tempo sem confundir o espectador e, ao contrário, deixá-lo maravilhado. É um mérito e tanto. Um excelente filme que pode ajudar a romper preconceitos que alguns nutrem por estéticas não-hollywoodianas.


O homem que não estava lá (The Man Who Wasn't There, 2001) - 4/5
Dirigido pelos irmãos Coen. Com With Billy Bob Thornton, Frances McDormand, James Gandolfini, Scarlett Johansson, Tony Shalhoub.
Ed Crane (Billy Bob Thornton) é um taciturno barbeiro casado com Doris (Frances McDormand), uma mulher que provavelmente o está traindo com o chefe (James Gandolfini). Quando uma oportunidade de investimento em um negócio promissor surge, Ed tem a idéia de chantageá-lo para conseguir os $10 mil necessários.

Como tantos outros dos irmãos Coen, esse filme é único. Sua atmosfera tem um quê de noir, mas não se rende aos clichês do gênero, focando bastante no desenvolvimento do personagem Ed Crane. Aliás, a escolha de Billy Bob Thorton para o papel foi um tiro certeiro. Competente, o ator consegue transmitir todo o sentimento do título: um sujeito que está passando pela vida sem se fazer notar, alguém que vem mais existindo do que vivendo. Quando a chance de fazer algo diferente surge diante dele, toda a harmonia do lugar é quebrada e muita coisa começa a dar errado. O fato d'ele ser inerte é tão parte da equação que quando resolve agir, aquela frágil (e falsa) perfeição começa a se quebrar e as falhas de caráter de todos começam a surgir. Uma obra que nos mostra que, na vida, vez ou outra a gente acaba desestabilizando algumas equações - ou sendo parte delas.


Vistos novamente


Uma noite alucinante 3 (Army of Darkness, 1992) - 4/5
Dirigido por Sam Raimi. Com Bruce Campbell, Embeth Davidtz, Marcus Gilbert.
Ash (Bruce Campbell) é acidentalmente enviado para o século XIII, quando foi profetizado que alguém viria para encontrar o Necronomicon, o Livro dos Mortos. Essa pessoa lideraria a batalha dos humanos contra os Deadites, seres da Escuridão que também estão atrás do livro.

Nem acreditei quando, chegando de viagem, liguei a TV e vi que esse filme começar. Acho que já eram passados uns doze anos desde que vi pela primeira e única vez. O pior (ou melhor) de tudo é que eu lembrava de várias cenas e falas e não resistia a rir antecipadamente, por já saber o que iria acontecer. É um clássico absoluto do humor trash. Quem só conhece Sam Raimi pelos filmes do Homem-Aranha precisa dar um jeito de conhecer a trilogia (talvez, futura quadrilogia) "Evil Dead".


Os puxa-sacos (Greedy, 1994) - 3/5
Dirigido por Jonathan Lynn. Com Michael J. Fox, Kirk Douglas, Nancy Travis.
Um grupo de parentes gananciosos sonha em conseguir a herança do rico e velho tio (Kirk Douglas), brigando entre si para caírem nas boas graças dele. Enquanto isto, o homem sabe que está cercado de abutres que, se puderem, o colocam em um asilo para botar logo a mão na grana. Assim, sua saída é um plano para descobrir quem o ama de verdade.

Não é sempre que a gente tem a oportunidade de pegar um trabalho do Kirk Douglas passando na TV. Ele anda um tanto afastado das câmeras ultimamente e, apesar de já ter quinze anos, essa película está entre os seus últimos cinco trabalhos para o cinema. O papel do velho por vezes ranzinza, por vezes abobalhado, mas que é, na verdade, um tremendo de um esperto, é interpretado com maestria. A gente até esquece do Michael J. Fox, que, apesar de ser um ator competente, some da tela quando perto do eterno Spartacus. A revelação final é uma das mais hilariantes que já vi.


Dominação (Lost Souls, 2002) - 1/5
Dirigido por Janusz Kaminski. Com Winona Ryder, Ben Chaplin, Sarah Wynter, Philip Baker Hall, John Hurt.
Maya Larkin (Winona Ryder), uma jovem e religiosa mulher, é o alvo perfeito para o demônio tome conta de seu corpo e passe a vagar livremente pela face da terra. Mas, por ser protegida pelo Padre Lareaux (John Hurt), que convence um grupo de padres de que o Anticristo voltará à Terra na pele de Maya, o demônio desiste da possessão e parte para um novo alvo: o jovem escritor Peter Kendell (Ben Chaplin), a quem Maya deve alertar sobre o perigo que está correndo.

Sério que esse filme era pra ser terror? Não funciona nem como thriller. Tampouco como drama. O clima soturno é até legal, mas a história não ajuda. Acho que a premissa até daria um filme razoável em mãos mais competentes, mas tudo é muito mal conduzido. Da outra vez que assisti estava com muito sono e julguei ter sido essa a razão de não ter gostado. Vendo novamente - e bem acordado - não teve pra onde correr: é fraquíssimo. Nem vou comentar as interpretações. Todas pífias e eclipsadas pelo grande mérito dessa película: o John Hurt.


A Cartada Final (The Score, 2001) - 4/5
Dirigido por Frank Oz. Com Robert De Niro, Edward Norton, Marlon Brando.
Nick Wells (Robert De Niro) é um criminoso profissional que decidiu abandonar a vida de crimes, após quase ser capturado em seu último assalto. Mas Max (Marlon Brando), seu amigo e financiador, lhe faz uma oferta impossível de recusar: o roubo de um histórico cetro guardado num dos cofres mais seguros do país, que vai lhe render o suficiente para o resto da vida. Para realizar o trabalho ele precisará quebrar sua própria regra e trabalhar com um cúmplice, Jackie Teller (Edward Norton), um jovem, talentoso e agressivo ladrão.

Todo mérito ao gênio que conseguiu juntar Norton, DeNiro e Brando em um filme. Só a idéia já era suficiente pra criar um desequilíbrio na Força. Colocar esses três grandes atores, de três gerações, juntos em cena é um marco. Pra completar a brincadeira, a história é de golpe/assalto - um dos tipos que mais gosto. Comentar sobre DeNiro e Brando é chover no molhado, mas preciso destacar que é impressionante a interpretação do Norton, principalmente quando está disfarçado como um faxineiro com deficiência motora (o que acaba me lembrando Verbal Kint, personagem de Kevin Spacey em "Os Suspeitos", mas não quero tecer comparações).

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