sexta-feira, 17 de abril de 2009

U2 - Beautiful Day

terça-feira, 14 de abril de 2009

Vai um cafizim aí?

Xícara de café

"Muitos estrangeiros acham nosso café muito forte."
"Na minha terra, enfiamos uma ferradura no bule. Quando se levanta, o café está pronto."

- Sheikh Riyadh e Frank Hopkins, em "Hidalgo"

Bebo café desde que eu me entendo por gente. Acho que criei o hábito lá na casa dos meus avós, onde sempre havia uma garrafa à disposição. Tenho algumas turvas lembranças de vezes em que eu e meu avô ficamos na mesa da cozinha bebericando.

Quando fui morar em outro estado, aquele momento familiar trivial acabaria se mostrando uma convenção social. Passei a conhecer pessoas novas e a ouvir constantemente o mineiríssimo convite "Ô, sô, vam tomá um cafizim?".

O hábito de tomar café é para nós uma instituição nacional, tal qual o chá das cinco o é para os ingleses. E se tem uma coisa que a gente logo aprende é que, dependendo do anfitrião, não é de bom grado recusar...

Lembro das duas últimas vezes que fui junto com meu pai visitar uns parentes lá no interior da Paraíba - daqueles que a gente não conhece, mas vai assim mesmo. Dependendo da casa, ai de quem recusasse pelo menos um cafezinho! E tomá-lo em uma residência e deixar de fazer o mesmo em outra chegava a ser ofensivo.

Na minha época de Minas, meu consumo passou de um matinal constante e um vespertino eventual a vários ao longo do dia, justamente por causa desse hábito. Há quem diga que exagerei tanto no cumprimento das convenções sociais que acharam por bem se desfazer da garrafa térmica lá de casa, só para que eu reduzisse o consumo.

E de fato funcionou. Voltei a níveis... Normais, por assim dizer.

O problema é que logo no ano seguinte eu passei a estudar no turno da manhã. E imagine um sujeito que criou o hábito de dormir bem tarde e acordar mais tarde ainda, precisando dar um jeito de, pelo menos, manter-se acordado durante as aulas. Qual a solução?

Pois é... Um cafizim.

A situação era tão crônica, que até daquele que ficava na sala dos professores eu dava um jeito de conseguir. O que gerou uma situação interessante, agora que paro pra pensar que anos depois eu estaria novamente tomando café com eles, mas, dessa vez, como colega de trabalho.

Aliás, falando em trabalho, aí sim é difícil imaginar-me sem consumir essa bebida. Se eu já não tivesse um histórico, ele inexoravelmente começaria nesse momento.

Depois de um tempo acabei aprendendo a gostar de outras variedades, como o gelado, o sem açúcar - embora há quem diga que o com açúcar é a variação -, além do indefectível capuccino, é claro.

Mas você deve estar se perguntando porque eu fiz esse rápido quadro da participação dessa bebida na minha vida. Na verdade, nada demais. Só porque descobri que hoje é o Dia Mundial do Café.

Inclusive, daria pra falar muito mais ainda, mas chega de prosa por enquanto, porque eu vou ali tomar um cafizim...

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Filmes do mês de março (01 a 28/03/2009)

Eu sei que prometi fazer posts semanais, mas março realmente não contribuiu. Acabei assistindo pouquíssimos filmes na primeiras três semanas.

Mas como na última semana o projeto rendeu, ela ficará numa postagem à parte, como previsto originalmente.



Dois na gangorra (Two for the Seesaw, 1962) - 3/5
Dirigido por Robert Wise. Com Robert Mitchum, Shirley MacLaine, Edmon Ryan.
Quando sua esposa pede o divórcio, o advogado Jerry Ryan (Robert Mitchum) abandona a carreira no Nebraska e parte para Nova Iorque, onde viverá no desespero da solidão até conhecer Gittel Mosca (Shirley MacLaine), uma dançarina que vive de pequenos trabalhos e leva uma vida bastante singular.

Assisti esse no ônibus, numa das idas ao Rio de Janeiro. É uma comédia à moda antiga, diferente dessas que nos acostumamos a ver hoje em dia. Chamar de comédia romântica é perigoso, já que tal rótulo lembra obras que pouco se identificam com essa. A beleza dela está justamente no fato de ser uma comédia leve, com um argumento simples e bem desenvolvido, com personagens interessantes e pelas boas sacadas - como a divisão de cenário nas conversas pelo telefone. Ah, e pelo final também.


Quem quer ser um milionário? (Slumdog Millionaire, 2008) - 5/5
Dirigido por Danny Boyle, Loveleen Tandan. Com Dev Patel, Anil Kapoor, Saurabh Shukla.
Jamal Malik (Dev Patel), um órfão de 18 anos das favelas de Mumbai, está a apenas um passo de ganhar o surpreendente prêmio de 20 milhões de rúpias em um programa de televisão. Preso sob suspeita de ter trapaceado, ele conta à polícia sua incrível história de vida como um menino de rua e sobre a garota que tanto ama. Mas o que um jovem sem nenhum interesse em dinheiro estaria fazendo nesse programa? E como é possível que ele soubesse todas as respostas?

Muito divertido, mas ao mesmo tempo dramático e empolgante, esse foi uma surpresa pra mim. A qualidade de sua edição é impressionante. Se contar bem uma história, desenvolver a trama e os personagens já é um trabalho bem complicado, imagine então uma narrativa que vai e volta no tempo sem confundir o espectador e, ao contrário, deixá-lo maravilhado. É um mérito e tanto. Um excelente filme que pode ajudar a romper preconceitos que alguns nutrem por estéticas não-hollywoodianas.


O homem que não estava lá (The Man Who Wasn't There, 2001) - 4/5
Dirigido pelos irmãos Coen. Com With Billy Bob Thornton, Frances McDormand, James Gandolfini, Scarlett Johansson, Tony Shalhoub.
Ed Crane (Billy Bob Thornton) é um taciturno barbeiro casado com Doris (Frances McDormand), uma mulher que provavelmente o está traindo com o chefe (James Gandolfini). Quando uma oportunidade de investimento em um negócio promissor surge, Ed tem a idéia de chantageá-lo para conseguir os $10 mil necessários.

Como tantos outros dos irmãos Coen, esse filme é único. Sua atmosfera tem um quê de noir, mas não se rende aos clichês do gênero, focando bastante no desenvolvimento do personagem Ed Crane. Aliás, a escolha de Billy Bob Thorton para o papel foi um tiro certeiro. Competente, o ator consegue transmitir todo o sentimento do título: um sujeito que está passando pela vida sem se fazer notar, alguém que vem mais existindo do que vivendo. Quando a chance de fazer algo diferente surge diante dele, toda a harmonia do lugar é quebrada e muita coisa começa a dar errado. O fato d'ele ser inerte é tão parte da equação que quando resolve agir, aquela frágil (e falsa) perfeição começa a se quebrar e as falhas de caráter de todos começam a surgir. Uma obra que nos mostra que, na vida, vez ou outra a gente acaba desestabilizando algumas equações - ou sendo parte delas.


Vistos novamente


Uma noite alucinante 3 (Army of Darkness, 1992) - 4/5
Dirigido por Sam Raimi. Com Bruce Campbell, Embeth Davidtz, Marcus Gilbert.
Ash (Bruce Campbell) é acidentalmente enviado para o século XIII, quando foi profetizado que alguém viria para encontrar o Necronomicon, o Livro dos Mortos. Essa pessoa lideraria a batalha dos humanos contra os Deadites, seres da Escuridão que também estão atrás do livro.

Nem acreditei quando, chegando de viagem, liguei a TV e vi que esse filme começar. Acho que já eram passados uns doze anos desde que vi pela primeira e única vez. O pior (ou melhor) de tudo é que eu lembrava de várias cenas e falas e não resistia a rir antecipadamente, por já saber o que iria acontecer. É um clássico absoluto do humor trash. Quem só conhece Sam Raimi pelos filmes do Homem-Aranha precisa dar um jeito de conhecer a trilogia (talvez, futura quadrilogia) "Evil Dead".


Os puxa-sacos (Greedy, 1994) - 3/5
Dirigido por Jonathan Lynn. Com Michael J. Fox, Kirk Douglas, Nancy Travis.
Um grupo de parentes gananciosos sonha em conseguir a herança do rico e velho tio (Kirk Douglas), brigando entre si para caírem nas boas graças dele. Enquanto isto, o homem sabe que está cercado de abutres que, se puderem, o colocam em um asilo para botar logo a mão na grana. Assim, sua saída é um plano para descobrir quem o ama de verdade.

Não é sempre que a gente tem a oportunidade de pegar um trabalho do Kirk Douglas passando na TV. Ele anda um tanto afastado das câmeras ultimamente e, apesar de já ter quinze anos, essa película está entre os seus últimos cinco trabalhos para o cinema. O papel do velho por vezes ranzinza, por vezes abobalhado, mas que é, na verdade, um tremendo de um esperto, é interpretado com maestria. A gente até esquece do Michael J. Fox, que, apesar de ser um ator competente, some da tela quando perto do eterno Spartacus. A revelação final é uma das mais hilariantes que já vi.


Dominação (Lost Souls, 2002) - 1/5
Dirigido por Janusz Kaminski. Com Winona Ryder, Ben Chaplin, Sarah Wynter, Philip Baker Hall, John Hurt.
Maya Larkin (Winona Ryder), uma jovem e religiosa mulher, é o alvo perfeito para o demônio tome conta de seu corpo e passe a vagar livremente pela face da terra. Mas, por ser protegida pelo Padre Lareaux (John Hurt), que convence um grupo de padres de que o Anticristo voltará à Terra na pele de Maya, o demônio desiste da possessão e parte para um novo alvo: o jovem escritor Peter Kendell (Ben Chaplin), a quem Maya deve alertar sobre o perigo que está correndo.

Sério que esse filme era pra ser terror? Não funciona nem como thriller. Tampouco como drama. O clima soturno é até legal, mas a história não ajuda. Acho que a premissa até daria um filme razoável em mãos mais competentes, mas tudo é muito mal conduzido. Da outra vez que assisti estava com muito sono e julguei ter sido essa a razão de não ter gostado. Vendo novamente - e bem acordado - não teve pra onde correr: é fraquíssimo. Nem vou comentar as interpretações. Todas pífias e eclipsadas pelo grande mérito dessa película: o John Hurt.


A Cartada Final (The Score, 2001) - 4/5
Dirigido por Frank Oz. Com Robert De Niro, Edward Norton, Marlon Brando.
Nick Wells (Robert De Niro) é um criminoso profissional que decidiu abandonar a vida de crimes, após quase ser capturado em seu último assalto. Mas Max (Marlon Brando), seu amigo e financiador, lhe faz uma oferta impossível de recusar: o roubo de um histórico cetro guardado num dos cofres mais seguros do país, que vai lhe render o suficiente para o resto da vida. Para realizar o trabalho ele precisará quebrar sua própria regra e trabalhar com um cúmplice, Jackie Teller (Edward Norton), um jovem, talentoso e agressivo ladrão.

Todo mérito ao gênio que conseguiu juntar Norton, DeNiro e Brando em um filme. Só a idéia já era suficiente pra criar um desequilíbrio na Força. Colocar esses três grandes atores, de três gerações, juntos em cena é um marco. Pra completar a brincadeira, a história é de golpe/assalto - um dos tipos que mais gosto. Comentar sobre DeNiro e Brando é chover no molhado, mas preciso destacar que é impressionante a interpretação do Norton, principalmente quando está disfarçado como um faxineiro com deficiência motora (o que acaba me lembrando Verbal Kint, personagem de Kevin Spacey em "Os Suspeitos", mas não quero tecer comparações).

domingo, 5 de abril de 2009

Álbuns da minha vida: Nirvana - MTV Unplugged in New York


Hoje completaram-se quinze anos de morte do Kurt Cobain.

Não lembro das notícias da época em que isso aconteceu. Não conhecia o Nirvana e, pra dizer a verdade, quase nada de rock. Meu primeiro contato com a banda foi uns quatro ou cinco anos depois da morte dele.

Nessa época eu já morava em outra cidade, estava começando a gostar de rock e muitos conhecidos meus ouviam a banda e idolatravam o cara. Contavam como ele era um grande poeta, sobre como influenciou toda uma geração e de sua importância para a juventude. Coisas de fãs.

Acabei ouvindo bastante Nirvana nessa época, mas a banda não conseguiu me cativar da mesma forma que as demais que conheci mais ou menos ao mesmo tempo, como Guns N' Roses, Led Zeppelin, Iron Maiden e, claro, Black Sabbath.

Não que o som dela fosse ruim. Simplesmente não teve o mesmo efeito que as demais, de forma que acabei deixando de ouvi-la aos poucos, até que um dia era apenas uma lembrança de tempos passados.

Isso até o dia em que, tendo mais uma vez mudado de cidade, caiu na minha mão o MTV Unplugged in New York. Sei lá por que razão eu não o tinha ouvido antes, mas foi um choque. Foi um desses discos que batem nos ouvidos e causam um efeito único.

Se não fosse por esse disco, acho que nunca voltaria a ouvir a banda. De fato, ouço muito pouco os demais - quase nada se comparado a esse. Gosto sim das músicas com pegadas mais pesadas, mas esse álbum acústico é inigualável.

É muito diferente do som pesado que a banda fazia tradicionalmente. Dá para prestar mais atenção nas letras e no sentimento que Kurt colocava na interpretação das músicas.

Só algum tempo depois fiquei sabendo de toda a mística que envolvia a preparação do show. De como o vocalista acertou muita coisa para dar um clima de velório - o seu próprio. Apenas mais um detalhe que torna esse um álbum monumental, sem dúvida.




Quem me conhece sabe o quanto gosto de música. Por isso já vinha pensando em começar a postar aqui sobre alguns álbuns que considero importantes para mim. Queria começar com outro, mas aproveitando a data, taí o primeiro post da série Álbuns da minha vida.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Rammstein - Benzin



Gib mir Benzin!

Um mês de março quase desperdiçado.