quinta-feira, 5 de março de 2009

Filmes de fevereiro (01 a 28/02/2009)

Diferente do que venho fazendo - postar os filmes assistidos semanalmente - vou comentar os poucos que pude conferir em fevereiro num post só, sem divisão por semana. Na próxima, volto às postagens normais - se é que isso existe aqui...



Salvador - O martírio de um povo (Salvador, 1986) - 4/5
Dirigido por Oliver Stone. Com James Woods, James Belushi, Michael Murphy, John Savage.
O desacreditado repórter fotográfico Richard Boyle (James Woods) está com sérios problemas profissionais e pessoais quando resolve viajar para El Salvador como correspondente estrangeiro em companhia de um amigo (James Belushi). Ambos encontrarão um país em plena guerra civil, onde os direitos humanos não são respeitados e crianças, mulheres e clérigos são assassinados sem a menor cerimônia e com total impunidade.

A história é retratada de forma crua e por várias vezes eu me perguntei porque sabia tão pouco sobre o que aconteceu ali - inclusive não lembro de uma aula sobre isso, enquanto tivemos tantas sobre outros conflitos da Guerra Fria. O James Woods está excelente no papel de Boyle. O cinismo do seu personagem frente à vida, gradativamente vai se transformando em comoção pelos problemas vividos por aquele país e pelas atitudes tomadas pelos políticos do seu. Passados mais de vinte anos de seu lançamento é estranho que esse filme não seja tão conhecido por aqui quanto os demais do diretor e uma pena que venha a fazer companhia a outros bons títulos que se escondem nos cantos empoeirados das locadoras.


Cada um vive como quer (Five Easy Pieces, 1970) - 4/5
Dirigido por Bob Rafelson. Com Jack Nicholson, Karen Black, Billy Green Bush.
Robert Eroica Dupea (Jack Nicholson) é um talentoso pianista clássico que rejeita seu modo de viver e passa a trocar constantemente de emprego e de relacionamentos. Enquanto trabalha em um campo de petróleo e é infiel com Rayette Dipesto (Karen Black), sua namorada - uma mulher sexy mas pouco inteligente - Robert fica sabendo que seu pai está morrendo e decide voltar para casa, em companhia de Rayette. Quando chega ao seu destino conhece Catherine Van Ost (Susan Anspach), uma sofisticada mulher que o deixa dividido.

É bastante relevante para quem gosta de cinema poder assistir os trabalhos mais antigos de grandes atores. Se for do Jack Nicholson, é ainda mais curioso. Extremamente competente, como de costume, ele me fez gostar de um filme que, sendo com outro no papel, dificilmente me agradaria, dado o ritmo mais lento e arrastado da história. A personalidade conflitante do personagem, suas inseguranças e a dificuldade de se encontrar na vida são características que sua interpretação conseguem destacar com maestria. Isso é muito importante em uma obra que se pauta no desenvolvimento do personagem.


O homem que desafiou o Diabo (2007) - 2/5
Dirigido por Moacyr Góes. Com Marcos Palmeira, Flávia Alessandra, Lívia Falcão, Fernanda Paes Leme.
Zé Araújo (Marcos Palmeira) é um caixiero-viajante que, ao chegar em Jardim dos Caiacós, acaba seduzindo Dualiba (Lívia Falcão), a filha de um comerciante turco, e é obrigado a casar com ela. Isso transforma Araújo em um escravo do sogro, nos negócios, e da mulher, na cama. Quando ele percebe que está se tornando motivo de piada na cidade, resolve acabar com essa vida e começar uma nova. Desta vez, como Ojuara, herói solitário, movido a cachaça, sempre à procura de mulheres e metido em confusões até com o Diabo.

O cinema nacional volta e meia recorre ao regionalismo Nordestino pra fazer filmes de comédia. Os resultados podem ser excelentes, como em "O Auto da Compadecida", bons, como "Lisbela e o prisioneiro", ou fracos, como este aqui. A história é boba, as tiradas, fracas. É tudo muito forçado, principalmente o sotaque mal representado por alguns atores. A grande surpresa aqui fica na participação do Otto (sim, o cantor), que me arrancou algumas gargalhadas - talvez mais pela surpresa do que pela situação em si.


Anaconda 3 (Anaconda III, 2008) - 1/5
Dirigido por Don E. FauntLeRoy. Com Crystal Allen, David Hasselhoff, John Rhys-Davies.
Em um laboratório de pesquisas secretas no interior da Europa, duas cobras gigantescas são submetidas a testes para a criação de uma vacina. Quando o gerente de finanças complica o experimento, as cobras escapam. Elas estão famintas e vão direto para onde está a civilização. E tem mais: logo uma das cobras vai ter sua ninhada. Começa então a corrida contra o terrível avanço dos animais antes que elas cheguem à cidade.

Sim, é uma porcaria e perdi meu tempo. Mas tava sobrando...


Vistos novamente



O Clã das Adagas Voadoras (Shi mian mai fu, 2004) - 5/5
Dirigido por Zhang Yimou. Com Takeshi Kaneshiro, Andy Lau, Ziyi Zhang.
No ano de 859 a China passa por terríveis conflitos. A outrora próspera dinastia Tang está decadente. Corrupto, o governo é incapaz de lutar contra os grupos rebeldes, sendo O Clã das Adagas Voadoras o mais poderoso e prestigiado deles. Leo (Andy Lau) e Jin (Takeshi Kaneshiro), dois soldados do exército oficial, recebem a missão de capturar o misterioso líder do clã e, para tanto, elaboram um plano: Jin se disfarça como um combatente solitário, ganha a confiança da bela revolucionária cega Mei (Zhang Ziyi) e, assim, infiltra-se no grupo. Mas a dupla não contava com a paixão que Mei despertaria nos dois.

Engana-se aquele que acha que é puramente um filme de artes marciais. Este é uma película sobre o amor tornado impossível pelos sentimentos de dever e honra aos quais os personagens estão atrelados e seus desdobramentos. As lutas são coreografadas quase como se destinadas a um espetáculo de dança - com direito às tradicionais hipérboles do cinema oriental, tão mal compreendida por muitos - e encaixam-se perfeitamente na trama. Da história à produção, o resultado é um filme belíssimo.


Comando para matar (Commando, 1985) - 3/5
Dirigido por Mark L. Lester. Com Arnold Schwarzenegger, Rae Dawn Chong, Dan Hedaya.
John Matrix (Arnold Schwarzenegger) é um coronel aposentado há dez anos que vive para Jenny (Alyssa Milano), sua filha. Repentinamente ela é seqüestrada por Arius (Dan Hedaya), um ex-ditador latino-americano que espera recuperar o poder, e que para isto chantageia Matrix, ordenando-o que mate o presidente Velasquez, o atual mandatário. Mas John foge do avião e tem só 11 horas para resgatar Jenny antes que descubram que escapou e não pretende cometer nenhum assassinato. Na sua tentativa só encontra obstáculos pelo caminho e a única pessoa que fica do seu lado é Cindy (Rae Dawn Chong), uma aeromoça.

Um ótimo filme para assistir sem precisar pensar muito. É bastante divertido assistir o Matrix dando cabo de tudo e de todos das formas mais exageradas, criativas e, por vezes, divertidas. A galeria de personagens também é um show à parte - principalmente o arqui-inimigo, um Freddie Mercury psicopata e bombado. Sem dúvida, ação pra quem gosta de rir - mesmo que não seja um título classificado como comédia.

3 comentários :

Israel disse...

Vc só viu "O clã das adagas voadoras" agora ?

CRIME !!!

"O Sr tem o direito de permanecer calado...".

Esse tá na lista pra coleção, não é só filme, é arte.

Khristofferson Silveira disse...

Leia de novo. Ele está no "vistos novamente".

Assisti esse filme assim que saiu. E comprei o DVD logo em seguida.

Israel disse...

Ô droga...

Maldita leitura "globo.com"...