domingo, 29 de março de 2009

George Lucas in Love



Como é que eu nunca tinha visto isso antes?! Obrigatório para qualquer fã de Star Wars!

quarta-feira, 25 de março de 2009

Meme da quinta linha

Recebi do Rodrigo Manhães o meme da quinta linha. A idéia é postar a frase que estiver nessa posição em uma página qualquer de um livro que esteja lendo atualmente.

Ele me mandou no sábado, mas como eu não estava lendo nada no momento - havia concluído "O velho e o mar", do Hemingway, no dia anterior - e queria fazer o negócio direito, só sigo com a brincadeira agora:

- Esse uivo não vem dos cães - replicou inquieto o velho guia. - São lobos dos juncos; podem estar em nosso encalço; e seria bom que os cavalheiros preparassem suas armas de fogo.

A frase foi retirada da história "O estranho misterioso" e está na página 19 do livro "Contos de Vampiros", da Pocket Ouro.

Comprei esse exemplar na rodoviária do Rio de Janeiro, quando voltava de Curitiba. Sempre fui fascinado pelo tema e acabei não resistindo a conferir a seleção feita por Flávio Moreira da Costa.

Darei mais detalhes sobre o título num post específico a ser feito quando acabá-lo.

Agora, passo o meme pra Raquel, César, João e Gustavo.

TV experimental tupiniquim

Ontem fui almoçar no restaurante em frente à empresa. Como de rotina, cumprimentei os funcionários, fiz meu prato, e sentei. Enquanto tirava os talheres do saquinho plástico, olhei para TV, de reflexo, e parei por um instante.

A tela exibia uma mulher de longos cabelos pretos sentada, lendo um livro de capa azul. A cena é mostrada pela mesma câmera por um longo tempo antes de ser cortada para uma outra que, por sua vez, também demoraria a ser substituída por um novo ângulo. O silêncio é constante na transmissão.

A essa altura já havia esquecido do meu prato. Fiquei mesmerizado, tentando entender o que via. Seria uma nova forma de teledramaturgia? Um comercial modernoso? Talvez uma campanha em prol da leitura!

Em meio a esses devaneios a cena é substituída.

Desta vez, um homem está deitado e dormindo. O enquadramento mostra apenas seu braço sobre os olhos, em defesa contra a claridade do quarto. Aos poucos a tomada vai se abrindo e revela um pesado cobertor, paredes revestidas com motivos de gosto duvidoso, uma série de espelhos e, por fim, outra cama, onde dorme uma mulher.

A câmera gira - o silêncio ainda é absoluto - e revela mais camas, com outras pessoas dormindo.

"Será uma república estudantil? Uma casa de praia? Um albergue?", me pergunto.

Novamete, em meio a minhas ponderações, a imagem escurece, mas dessa vez é o intervalo. Assim, volto ao meu prato, já tendo esquecido daquilo que vira até o fim da refeição.

E esquecido permaneceria, se não fosse almoçar lá novamente hoje, no mesmo horário, na mesma mesa, defronte à mesma TV.

Mais uma vez sou traído pelo reflexo e olho para o aparelho. Para minha surpresa, a temática do dia anterior parece se repetir, embora não as mesmas situações.

Hoje não há uma mulher de longos cabelos pretos sentada e lendo, mas um homem loiro em pé, preparando o que julguei ser um suco de laranja. Não posso dizer se era o mesmo que estava dormindo ontem.

Fico imaginando se aquilo seria um contraste proposital. Algum tipo de antítese de gênero e posição deliberadamente inserida. Não tenho como confirmar, por isso sigo assistindo.

O registro da obtenção do suco é feito ao longo de um tempo que julgo ser de minutos, capturado por várias câmeras que vão se alternando sem um padrão perceptível. O ponto de vista vai se movendo, abre e fecha, muda da frente para o lado, do lado para cima e, novamente, para a frente, até que, por fim, a tarefa é concluída, o homem sorri e a imagem escurece.

Estou paralisado.

O que raios quer dizer aquilo?! Que tipo de subtexto estaria cifrado naquelas imagens? Haverá alguma mensagem de vital importância escondida, colocada ali para que algum sagaz telespectador a desvende?

Pior! Seria eu o responsável por aquilo? Tendo repetido as mesmas condições do dia anterior haveria repetido também algum tipo de conjunção mística entre eu, o restaurante, a mesa e a TV, de forma a interferir em sua programação?

Não acredito nessas coisas, por isso tal teoria é logo descartada, ao mesmo tempo em que uma nova se forma: é algum tipo de experiência para promover a criação de uma nova linguagem televisiva!

Isso me traz à mente o clássico (e um tanto folclórico) filme mudo experimental soviético "Um homem com uma câmera", de 1929, do diretor Dziga Vertov, em que o cineasta registra cenas cotidianas de cidades daquele país. Sem roteiro, sem intertítulos, sem atuação e sem cenários definidos.

Começo a me empolgar com a idéia de que, finalmente, a enfadonha e repetitiva mídia televisiva foi buscar algo diferente justamente no obscuro e curioso cinema experimental soviético. Penso que talvez seja o prenúncio de uma nova era de experimentação na TV brasileira quando meu pai se aproxima e senta, já falando: "Esse Big Brother é muito chato mesmo. A mesma coisa todo ano."

Concordo de imediato, levando a comida à boca em seguida - mas sem deixar de registrar a nota mental de que preciso assistir "O Encouraçado Potenkim" novamente e, por via das dúvidas, da próxima vez que for ao restaurante vou almoçar um pouco mais cedo, em outra mesa e de costas para a televisão.

domingo, 22 de março de 2009

Jorge Luís Borges: "O Livro de Areia"

Foto de Jorge Luís Borges
Voltando das férias, me desfazia dos jornais velhos acumulados na minha ausência quando abri um deles na seção de literatura e me deparei com uma nota sobre "O Livro de Areia", de Jorge Luís Borges. Foi então que bateu aquele estalo: eu nunca havia lido nada dele!

Acho que a primeira vez que ouvi falar de Borges foi quando comprei "As Crônicas Marcianas", de Ray Bradbury. A garota do caixa da livraria comentou que o prefácio da edição era dele e que, embora não conhecesse o autor, leria só por ter a chancela do argentino.

Isso fez bater a curiosidade de ler algo do sujeito, mas ele acabou mesmo foi caindo no limbo da memória - se juntando a tantos outros autores que ainda espero o momento certo para ler - e de lá acabou finalmente resgatado por essa nota no jornal.

Comprei "O Livro de Areia" e comecei a ler, mas precisei parar, retomando-o apenas na auspiciosa sexta-feira 13 desse mês, quando pude, enfim, aproveitar a obra com calma, de ponta a ponta.

Isso fez toda a diferença, pois a cada página o autor puxa o gatilho de uma metralhadora de reflexões que acertam o leitor causando um efeito impactante. Classificá-las meramente como "frases de efeito" seria reduzir palavras impressionantes a um rótulo puído.

Borges consegue construir seus contos de forma fascinante, tanto pela qualidade da redação quanto da imaginação. Ambas nos transportam a cenários dos mais tradicionais aos mais peculiares, enquanto narram acontecimentos fantásticos com uma maestria ímpar.

Espero que a diversidade e a qualidade presente nesse pequeno livro seja constante na sua obra - e já me garantiram que é -, pois pretendo voltar a explorá-la em breve.


Atualização (24/03/2009): Por vezes me surpreendo como a memória da gente - pelo menos a minha - é um poço sem fundo, por vezes difícil de resgatar certas informações.

Conversando com a Raquel sobre o poema "O Corvo", do Poe, me lembrei de uma crônica do Luís Fernando Veríssimo lida lá pelos idos da oitava série e que citava a referida ave.

Aliás, lembrava de todo o contexto: o autor jogava xadrez contra um adversário que falava coisas altamente viajantes e referenciava livros durante a partida. Só não conseguia lembrar quem era a contraparte.

Buscando a crônica para reler, tomei um susto: era o Borges!

sábado, 14 de março de 2009

domingo, 8 de março de 2009

quinta-feira, 5 de março de 2009

Filmes de fevereiro (01 a 28/02/2009)

Diferente do que venho fazendo - postar os filmes assistidos semanalmente - vou comentar os poucos que pude conferir em fevereiro num post só, sem divisão por semana. Na próxima, volto às postagens normais - se é que isso existe aqui...



Salvador - O martírio de um povo (Salvador, 1986) - 4/5
Dirigido por Oliver Stone. Com James Woods, James Belushi, Michael Murphy, John Savage.
O desacreditado repórter fotográfico Richard Boyle (James Woods) está com sérios problemas profissionais e pessoais quando resolve viajar para El Salvador como correspondente estrangeiro em companhia de um amigo (James Belushi). Ambos encontrarão um país em plena guerra civil, onde os direitos humanos não são respeitados e crianças, mulheres e clérigos são assassinados sem a menor cerimônia e com total impunidade.

A história é retratada de forma crua e por várias vezes eu me perguntei porque sabia tão pouco sobre o que aconteceu ali - inclusive não lembro de uma aula sobre isso, enquanto tivemos tantas sobre outros conflitos da Guerra Fria. O James Woods está excelente no papel de Boyle. O cinismo do seu personagem frente à vida, gradativamente vai se transformando em comoção pelos problemas vividos por aquele país e pelas atitudes tomadas pelos políticos do seu. Passados mais de vinte anos de seu lançamento é estranho que esse filme não seja tão conhecido por aqui quanto os demais do diretor e uma pena que venha a fazer companhia a outros bons títulos que se escondem nos cantos empoeirados das locadoras.


Cada um vive como quer (Five Easy Pieces, 1970) - 4/5
Dirigido por Bob Rafelson. Com Jack Nicholson, Karen Black, Billy Green Bush.
Robert Eroica Dupea (Jack Nicholson) é um talentoso pianista clássico que rejeita seu modo de viver e passa a trocar constantemente de emprego e de relacionamentos. Enquanto trabalha em um campo de petróleo e é infiel com Rayette Dipesto (Karen Black), sua namorada - uma mulher sexy mas pouco inteligente - Robert fica sabendo que seu pai está morrendo e decide voltar para casa, em companhia de Rayette. Quando chega ao seu destino conhece Catherine Van Ost (Susan Anspach), uma sofisticada mulher que o deixa dividido.

É bastante relevante para quem gosta de cinema poder assistir os trabalhos mais antigos de grandes atores. Se for do Jack Nicholson, é ainda mais curioso. Extremamente competente, como de costume, ele me fez gostar de um filme que, sendo com outro no papel, dificilmente me agradaria, dado o ritmo mais lento e arrastado da história. A personalidade conflitante do personagem, suas inseguranças e a dificuldade de se encontrar na vida são características que sua interpretação conseguem destacar com maestria. Isso é muito importante em uma obra que se pauta no desenvolvimento do personagem.


O homem que desafiou o Diabo (2007) - 2/5
Dirigido por Moacyr Góes. Com Marcos Palmeira, Flávia Alessandra, Lívia Falcão, Fernanda Paes Leme.
Zé Araújo (Marcos Palmeira) é um caixiero-viajante que, ao chegar em Jardim dos Caiacós, acaba seduzindo Dualiba (Lívia Falcão), a filha de um comerciante turco, e é obrigado a casar com ela. Isso transforma Araújo em um escravo do sogro, nos negócios, e da mulher, na cama. Quando ele percebe que está se tornando motivo de piada na cidade, resolve acabar com essa vida e começar uma nova. Desta vez, como Ojuara, herói solitário, movido a cachaça, sempre à procura de mulheres e metido em confusões até com o Diabo.

O cinema nacional volta e meia recorre ao regionalismo Nordestino pra fazer filmes de comédia. Os resultados podem ser excelentes, como em "O Auto da Compadecida", bons, como "Lisbela e o prisioneiro", ou fracos, como este aqui. A história é boba, as tiradas, fracas. É tudo muito forçado, principalmente o sotaque mal representado por alguns atores. A grande surpresa aqui fica na participação do Otto (sim, o cantor), que me arrancou algumas gargalhadas - talvez mais pela surpresa do que pela situação em si.


Anaconda 3 (Anaconda III, 2008) - 1/5
Dirigido por Don E. FauntLeRoy. Com Crystal Allen, David Hasselhoff, John Rhys-Davies.
Em um laboratório de pesquisas secretas no interior da Europa, duas cobras gigantescas são submetidas a testes para a criação de uma vacina. Quando o gerente de finanças complica o experimento, as cobras escapam. Elas estão famintas e vão direto para onde está a civilização. E tem mais: logo uma das cobras vai ter sua ninhada. Começa então a corrida contra o terrível avanço dos animais antes que elas cheguem à cidade.

Sim, é uma porcaria e perdi meu tempo. Mas tava sobrando...


Vistos novamente



O Clã das Adagas Voadoras (Shi mian mai fu, 2004) - 5/5
Dirigido por Zhang Yimou. Com Takeshi Kaneshiro, Andy Lau, Ziyi Zhang.
No ano de 859 a China passa por terríveis conflitos. A outrora próspera dinastia Tang está decadente. Corrupto, o governo é incapaz de lutar contra os grupos rebeldes, sendo O Clã das Adagas Voadoras o mais poderoso e prestigiado deles. Leo (Andy Lau) e Jin (Takeshi Kaneshiro), dois soldados do exército oficial, recebem a missão de capturar o misterioso líder do clã e, para tanto, elaboram um plano: Jin se disfarça como um combatente solitário, ganha a confiança da bela revolucionária cega Mei (Zhang Ziyi) e, assim, infiltra-se no grupo. Mas a dupla não contava com a paixão que Mei despertaria nos dois.

Engana-se aquele que acha que é puramente um filme de artes marciais. Este é uma película sobre o amor tornado impossível pelos sentimentos de dever e honra aos quais os personagens estão atrelados e seus desdobramentos. As lutas são coreografadas quase como se destinadas a um espetáculo de dança - com direito às tradicionais hipérboles do cinema oriental, tão mal compreendida por muitos - e encaixam-se perfeitamente na trama. Da história à produção, o resultado é um filme belíssimo.


Comando para matar (Commando, 1985) - 3/5
Dirigido por Mark L. Lester. Com Arnold Schwarzenegger, Rae Dawn Chong, Dan Hedaya.
John Matrix (Arnold Schwarzenegger) é um coronel aposentado há dez anos que vive para Jenny (Alyssa Milano), sua filha. Repentinamente ela é seqüestrada por Arius (Dan Hedaya), um ex-ditador latino-americano que espera recuperar o poder, e que para isto chantageia Matrix, ordenando-o que mate o presidente Velasquez, o atual mandatário. Mas John foge do avião e tem só 11 horas para resgatar Jenny antes que descubram que escapou e não pretende cometer nenhum assassinato. Na sua tentativa só encontra obstáculos pelo caminho e a única pessoa que fica do seu lado é Cindy (Rae Dawn Chong), uma aeromoça.

Um ótimo filme para assistir sem precisar pensar muito. É bastante divertido assistir o Matrix dando cabo de tudo e de todos das formas mais exageradas, criativas e, por vezes, divertidas. A galeria de personagens também é um show à parte - principalmente o arqui-inimigo, um Freddie Mercury psicopata e bombado. Sem dúvida, ação pra quem gosta de rir - mesmo que não seja um título classificado como comédia.

domingo, 1 de março de 2009

Iron Maiden - Wasted Years



E lá se foi Fevereiro...

Dominó

Sentado à frente do jovem, do outro lado da mesa, o ancião olha para as duas peças pretas ocultas em sua mão esquerda. Calmamente estica o pescoço e confere as cabeças das duas fileiras formadas por outras peças, dispostas paralelamente sobre a mesa de madeira.

Torna a olhar aquelas em sua mão e, decidido, pega uma com a outra mão e coloca na ponta escolhida. Olha para o jovem diante dele e, com um meneio de cabeça seguido de uma curta risada, transmite a confiança de ter feito a jogada certa.

Empolgado com o cenário criado pela jogada, o jovem ergue o máximo que pode o braço direito e exibe em sua mão arqueada a única peça preta que lhe restou, com a face oculta pelos quatro dedos e apoiada nas costas pelo polegar. Olha para o homem calvo com um grosso bigode à sua esquerda e diz: "Bote a minha! Só entra ela!"

Exibindo um incontido riso de desgosto, prevendo o que viria, o homem calvo olha para seu parceiro de óculos na outra ponta da mesa. Ele também já apresenta expressão semelhante e, certo de que não há mais o que ser feito, aquiesce. O homem de bigode, então, coloca a peça no lugar adequado, deixando ambas as cabeças com o mesmo naipe.

O jovem abre um largo sorriso, olha para o ancião à sua frente, para o homem calvo à sua esquerda e para o homem de óculos à sua direita, desce o braço pesadamente sobre a mesa, fazendo um estrondo que ecoa por todo o recinto e sacode as peças das fileiras. Rapidamente recolhe e cerra a mão, puxando-a para trás, apenas para voltar com o dedo em riste apontando para a carroça daquele naipe.

Cruzada. Buchuda. Alvoroço.

"Entra outro!", grita alguém de fora.