segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

domingo, 22 de fevereiro de 2009

SMS

Ouve o som. Corre a mão ao celular. Aperta o botão branco. Lê a mensagem.

Ri.

Aperta novamente o mesmo botão. Usa as teclas em uma sequência aparentemente aleatória, indo e vindo entre elas, usando algumas mais de uma vez.

Lê.

Apaga.

Faz outra sequência de tecladas. Ri novamente.

Volta a apertar aquele botão. Senta-se na poltrona e fecha os olhos. A mente vai longe. Ainda segura o aparelho.

Aguarda.

Sente a vibração na mão e ouve o mesmo som.

Recomeça.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

"As melhores crônicas de Fernando Sabino"

Quando vim passar uns dias na casa dos meus avós, trouxe alguns livros achando que conseguiria lê-los no sossego noturno, isolado como fiquei das outras vezes em que aqui estive. Acontece que, para minha surpresa, certas coisas haviam mudado e esse sossego - que tanto prezo na hora de uma leitura mais contínua - era coisa do passado.

Me vi com romances de longos parágrafos e capítulos que não se adequavam à frágil e inconstante atmosfera para a leitura com a qual me deparei. Certo de que encontraria o mesmo cenário experimentado tantas vezes antes, não trouxe nenhuma alternativa para matar a vontade de usar o tempo ocioso para correr os olhos por algumas linhas de texto.

Após uma semana sem avanços, consegui comprar o livro "As melhores crônicas de Fernando Sabino". Optei por ele porque precisava de um título formado de textos curtos, adequados a uma leitura mais fragmentada. Além disso, crônica é um gênero que me agrada bastante e o autor é um de seus maiores expoentes.

Lembro que durante certo tempo imaginei ter tomado gosto por crônicas através da obra do Luís Fernando Veríssimo, mas quando exigi mais da memória, percebi que já esbarrara em dois textos do Sabino em meus anos de escola, ainda em Minas Gerais, e gostara bastante, chegando, inclusive, a lembrar trechos deles.

Me deparei com um deles, "Minha última crônica", enquanto lia a coletânea "As cem melhores crônicas brasileiras". Para minha surpresa, era aquele mesmo texto que entalhara trechos no fundo da minha memória desde a aula de redação da sétima série, mas que sempre amarguei não lembrar o título.

Comentar a qualidade da obra de Sabino é chover no molhado. Sua visão sensível dos acontecimentos do cotidiano é capaz de transformar o mais banal dos fatos em uma crônica memorável. Ademais, é muito prazeroso ler os causos oriundos das suas amizades com outros nomões das artes brasileiras e enxergar as mais diversas situações pelo humor agradável produzido pela sua pena, às vezes sutil, às vezes mais sarcástico.

Ter acesso a cinquenta de seus melhores textos, selecionados pelo próprio, e de uma só vez, "é um prazer inenarrável", como bem diria um amigo.

O único porém da edição está no fato de não contextualizar a época de origem de cada texto. Como o autor produziu muito, ao longo de várias décadas, seria mais enriquecedor ter essa informação. Ajudaria a fazer um paralelo do momento em que tais palavras foram escritas com o que acontecia em sua vida e no mundo.

Apesar desse ponto, o livro é mais que recomendado para os que se interessam pelo gênero ou por uma leitura leve e curta para o dia-a-dia.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Café da manhã em Plutão

Uma gota de suor escorre pela sobrancelha direita. Busca o lenço branco no bolso e passa por todo o rosto, enxugando a pele que logo voltará a ficar úmida - uma resposta natural ao forte calor, típico do local onde está.

Guarda o lenço no mesmo bolso enquanto adentra a cozinha. Busca a garrafa de café e a coloca sobre a mesa. Faz o mesmo com o leite em pó, a colher de café, a pequena xícara azul e um pedaço de pão. Afasta a pesada cadeira de madeira da mesa e senta-se.

Retira a tampa e desenrosca a boca da garrafa. Serve a si mesmo uma modesta dose de café, deixando espaço para o leite, que vem em seguida, em três pequenas colheradas. Só então completa o resto do recipiente com o líquido preto. Mexe e prova. Ao contrário dos dias anteriores, está sem açúcar.

Levanta-se e, com apenas um passo, alcança o armário onde está o adoçante. Pega-o e dá bom dia a um passante. Torna a sentar-se e começa a adicionar com parcimônia ao líquido agora marrom as doces gotas incolores, contando cada uma delas como um relógio conta os segundo. Lembra da época em que a simples menção a café com adoçante era suficiente para causar uma revolta sem igual. Não que tenha passado a gostar magicamente, mas achou por bem cortar mais essa dose de glicose do cotidiano.

Prova novamente. Claro que não se compara aos que bebera nos dias anteriores, mas já se conformou com isso há tempos, de forma que esse é apenas mais um café que entra para o rol dos rotulados como "aceitável".

Enrosca novamente a boca da garrafa, coloca a tampa, pega um pedaço do pão e começa a mastigar. Bebe o café e olha para a curta faixa de céu acima do telhado do vizinho, visível pela janela à sua frente. Pensa em uma música qualquer enquanto toma outro gole e come mais um pedaço do pão.

Eis que, afinal, aquele inexorável turbilhão de devaneios finalmente chega. Se vem convidado pela cafeína, aproveitando o raro momento de silêncio do lugar e pegando carona no sentimento de distância e descontexto que confluíram naquele momento, ele não sabe. Mas ali está, remanescente da fina lâmina de café no fim da xícara e sobrevivente à sua extinção.

Começa, então, a preparar outra dose, igual à anterior. Repete o ritual da garrafa, do leite, do adoçante e mergulha nela e em suas elucubrações. Pensa no que foi, no que é, no que será, no que seria, no que poderia, no que poderá, no que não foi, no que não é, no que não será, no que não seria, no que não poderia, no que não poderá e em todas as variações temporais e condicionais que consegue imaginar.

A cabeça baixa posiciona os olhos de maneira que eles miram o recipiente azul. Lembra-se de algumas histórias que passaram por esses mesmos olhos antes, seja em filmes, séries ou livros, mas que, de repente, parecem fazer mais sentido agora do que das outras vezes. Relembra o adágio de que "a ignorância é uma bênção". Discorda, mas deixa escapar um inconsciente riso no canto da boca.

A segunda dose encerra-se após alguns longos minutos, mas ainda não é suficiente. Prepara a terceira, repetindo religiosamente os passos anteriores apenas para perde-se em novos devaneios.

Eles o levam para longe... Para muito longe... Vê, então, os objetos à sua frente sumindo, as paredes se afastando, o ambiente se abrindo e escurecendo paulatinamente. De repente, o céu não é mais azul, mas negro como o canto mais escuro do cosmos. Olha para cima e em meios às estrelas do céu, três pontos brilham mais forte. Logo percebe que deixara a Terra e se encontrava em algum gélido ponto do espaço.

Termina de tomar o café, levanta-se e vai caminhar sozinho no planetóide, sumindo no frio deserto escuro enquanto, sem que ele saiba, a voz de Rod Serling faz o tradicional comentário que finaliza todos os episódios de "Além da imaginação".

O caminhante pára. Jura ter ouvido à distância o fascinante e incômodo tema do seriado. Dá de ombros e segue.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Filmes da semana (25 a 31/01/2009)

The King of Kong (The King of Kong: A Fistful of Quarters, 2007) - 4/5
Dirigido por Seth Gordon. Com Steve Wiebe, Billy Mitchell, Walter Day.
Documentário que acompanha a luta de Steve Wiebe para quebrar o recorde mundial do jogo arcade "Donkey Kong" que até então pertencia a Billy Mitchell. Através de filmagens recentes e de arquivo, revela um curioso mundo repleto de pessoas que dedicam suas vidas aos jogos eletrônicos antigos, sejam como jogadores, juízes ou organizadores de ligas profissionais. Entre elas, a Twin Galaxies - e seus estranhos coordenadores - que, desde o início da mania por video-games, mantém um ranking mundial responsável por verdadeiras batalhas entre os jogadores aficcionados do mundo todo.

A razão que me levou a assistir esse documentário é o meu fascínio por jogos eletrônicos, que fazem parte das minhas memórias mais antigas. O resultado é empolgante, divertido e curioso. Não foram poucas as vezes que percebi estar torcendo pelo perseverante Steve Wiebe e execrando o Billy Mitchell - assista e verá que não são poucas as vezes que isso acontecerá. Será que foi essa a imagem que o documentário quis passar? Será isso de verdade? Ou será que me deixei levar pelo clima de disputa de um homem contra toda uma panelinha de asseclas do intocável campeão? A construção da narrativa é muito boa, retratando os vários sucessos de Steve indo por água abaixo, até o clímax sensacional, de arrancar um palavrão. Não lembro qual foi a última vez que me diverti tanto assistindo um documentário, por isso fica a dica.


Vistos novamente



Monty Python - Em Busca do Cálice Sagrado (Monty Python and the Holy Grail, 1975) - 6/5
Dirigido por Terry Gilliam, Terry Jones. Com Graham Chapman, John Cleese, Eric Idle, Michael Palin.
Rei Arthur (Graham Chapman) viaja pela Inglaterra reunindo nobres cavaleiros para fazer parte de sua Távola Redonda. Após reunida, eles recebem uma tarefa de Deus: encontrar o Cálice Sagrado.

Não vou nem me dar ao trabalho de comentar esse filme. Se você não viu ainda, pegue os cocos e galope até a locadora. NI!



Antes que perguntem, sim, eu só assisti esses dois filmes na semana passada. E esta semana não deve ser diferente. A razão? Estou assistindo muitos episódios de Arquivo X.

Também não sei se vou conseguir postar filmes no resto do mês, pois viajarei - se os planos não forem adiados pela quarta vez. Mas estou com algumas idéias para esses posts semanais que pretendo botar pra frente quando retornar.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

George Harrison - Any Road



Janeiro foi um mês deveras estranho...