terça-feira, 20 de janeiro de 2009

O oba-oba do Obama

Cartaz da campanha de ObamaEu sei, eu sei... É chato chegar no meio da festa reclamar de como tá todo mundo alegre - parece coisa de velho rabugento. Mas, eu sou um tanto desconfiado com certas coisas, sabe? Talvez seja algo que guardei dos anos que morei em Minas.

Acontece que esse papo todo de esperança e de mudança é muito lindo, é muito legal, mas - apelando para uma metáfora futebolística - uma coisa é a coletiva de imprensa e outra são os 90 minutos dentro das quatro linhas.

Agora que exorcizaram o Salão Oval e desenterraram a caveira de burro que estava lá, o novo ocupante pode começar seu governo com um apoio geral nunca antes visto na hitória daquele país. E ainda terá os tradicionais 100 dias de graça em que não deve apanhar quase nada da Imprensa em geral.

Vamos ver se depois disso o encantamento passa e passemos a ter uma cobertura jornalística menos apaixonada e mais... Jornalística.

Não me entenda mal. Não tenho nada contra ele. Aliás, muito pelo contrário, estou na torcida para que o cara bote as coisas nos trilhos novamente. Só que eu sempre suspeito muito desses salvadores da pátria que aparecem por aí. Ainda mais quando eles tem a seu dispor uma excelente equipe de marketing.

Algo que ajuda a ilustar o que penso é um trecho de um post que vi hoje no blog do Seth Godin:

The magical thing about selling hope is that it makes everything else work better, every day get better, every project work better, every relationship feel better. If you can actually deliver on the hope you sell, there will be a line out the door.

Hope cures cynicism. Hope increases productivity. Hope needs no justification.

E não tive como me lembrar de uma fala do Arquiteto, dita enquanto conversava com outro messias:

Hope... It is the quintessential human delusion. Simultaneously the source of your greatest strength, and your greatest weakness.

No fim das contas, quero dizer que espero apenas que aquilo que se vende como uma nova esperança não termine sendo uma grande decepção como A Vingança dos Sith. Guadadas as devidas proporções, por favor.

4 comentários :

84.gu disse...

Pois é. Toda vez que eu vejo alguém falando do Obama eu me lembro do Lula há alguns anos.

Khristofferson Silveira disse...

Foi algo do tipo. Muita gente achando que os problemas simplesmente sumiriam da noite por dia, como mera consequência da posse do cara.

Israel disse...

Na verdade, eu fico torcendo mesmo é para q ele seja o mais parecido possível com o Bill Clinton... Como todos sabemos, o que derrama lá respinga no resto do mundo, não precisamos de mais provas disso... Logo, sem o menor remorso pela total falta de altruísmo, torço muito pelo "Lulama"... Se estiver estável lá, estável ficará o resto do mundo.
Nos termos do mundo paralelo da economia, a esperança "vendida" é uma puta ajuda, que continue assim !

Khristofferson Silveira disse...

Claro, claro. Mas quando o encanto passar, só os atos ficarão. E aí é que vamos poder avaliar realmente se todo mundo comprou o que foi vendido.

E, provavelmente, a economia vai ser a primeira a verificar isso.