segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Filmes da semana (18 a 24/01/2009)

A Intérprete (The Interpreter, 2005) - 2/5
Dirigido por Sydney Pollack. Com Nicole Kidman, Sean Penn, Catherine Keener.
Após ouvir uma ameaça a um chefe de estado africano, dita em um raro dialeto, a intérprete da ONU Silvia Broome (Nicole Kidman) se envolve acidentalmente em uma conspiração e tem sua vida ameaçada. Designado para investigar o caso, o agente do Serviço Secreto Tobin Keller (Sean Penn) suspeita dela e resolve investigar seu passado e seus relacionamentos com o político ameaçado.

O argumento do filme é promissor, mas se perde no ritmo arrastado com que é conduzido. A lenta construção tanto da conspiração quanto dos personagens é incômoda. O Sean Penn interpreta um papel que acaba não demostrando toda o talento dele e a Nicole Kidman é uma presença encantadora que não transmite toda emoção que a personagem teria. A idéia que tenho é que o filme poderia ter acabado uns quarenta minutos antes e nos poupar da embromação.


Trovão Tropical (Tropic Thunder, 2008) - 4/5
Dirigido por Ben Stiller. Com Ben Stiller, Jack Black, Robert Downey Jr., Nick Nolte, Matthew McConaughey, Tom Cruise.
Depois que custos elevados e egos inflados ameaçam acabar com a produção do maior filme de guerra da história, o frustrado diretor do projeto se recusa a parar de gravar, levando seu elenco para dentro da selva do sudeste asiático em busca de mais realismo.

As primeiras reações que me chegaram quando esse título foi lançado eram negativas e diziam respeito, principalmente, às piadas sobre pessoas com deficiência intelectual. As seguintes eram exaltações à sua qualidade e comicidade. Acabei ficando curioso para conferir por conta própria e posso dizer que o resultado é uma das melhores comédias dos últimos anos. A sátira que se faz do universo de absurdos que é a indústria cinematográfica é impagável. Seja com a apresentação das curiosas relações que se estabelecem durante as gravações (ator-ator, ator-diretor, diretor-produtor, diretor-roteirista), dos famosos atores estereotipados ou dos absurdos que se passam nos bastidores, tudo ali é para cutucar Hollywood. Inclusive as tão comentadas piadas sobre deficientes intelectuais não eram piadas sobre esses indivíduos, mas sim sobre o péssimo trabalho que os atores fazem ao representá-los. A graça não estava na deficiência em si, mas sim na tentativa infrutífera de um péssimo ator em representá-la de forma apropriada. Minha sugestão é que veja e tire suas próprias conclusões.


Maratona da Morte (Marathon Man, 1976) - 4/5
Dirigido por John Schlesinger. Com Dustin Hoffman, Laurence Olivier, Roy Scheider, William Devane.
O estudante de História e maratonista amador Thomas "Babe" Levy (Dustin Hoffman) vive atormentado com o suicídio do seu pai, perseguido pelo macartismo décadas antes. Seu caminho cruzará o do Dr. Christian Szell (Laurence Olivier), um médico nazista que vive refugiado no Paraguai e controla uma rota de contrabando de diamantes para fora dos Estados Unidos, apoiado por uma organização secreta do governo, na qual trabalha o irmão de Babe, Henry "Doc" Levy (Roy Scheider).

Já peguei várias partes desse filme passando na TV, mas nunca o havia assistido todo. Consegui ver de ponta a ponta essa semana e o resultado não decepcionou: é um excelente thriller. A obra prende a atenção pela trama bem construída e pela atmosfera criada, que faz bom uso de sombras nas cenas noturnas e cinza nas diurnas, diálogos curtos interrompendo longos silêncios e uma constante insegurança, demonstrada em ataques surpresas que criam e tensão e cujo ápice é a angustiante e memorável cena de tortura - que vai me manter afastado dos consultórios dentários por uns tempos.


Força policial (Pride and Glory, 2008) - 4/5
Dirigido por Gavin O'Connor. Com Colin Farrell, Edward Norton, Jon Voight, Noah Emmerich.
A família Tierney é uma dinastia de oficiais, começando pelo patriarca Francis (Jon Voight), passando pelos filhos Francis Jr. (Noah Emmerich), Ray (Edward Norton) e chegando ao genro Jimmy Egan (Colin Farrell). Para eles, o código não tem apenas a ver com trabalho, mas sim com família. Quando uma batida de rotina em um ponto de drogas dá terrivelmente errado, um escândalo de corrupção na polícia acaba se tornando a principal manchete dos jornais. Nomeado investigador do caso, Ray descobre mais do que gostaria, quando percebe que o rastro do crime aponta direto para sua própria casa.

Fui assistir esse daqui sem saber do que se tratava e fui pego por uma ótima surpresa. A trama em que os personagens se envolvem é muito mais familiar do que profissional e elas irão balançar as fundações daquele lar feliz. O que me surpreendeu aqui foi como a câmera nos coloca como um observador quase que em primeira pessoa em muitas das cenas. Várias vezes me lembrei daqueles programas de TV em que a equipe acompanha o trabalho policial, porque pegamos carona no banco de trás dos carros, entramos no elevador, subimos escadas junto com a equipe tática e a câmera constantemente treme e nos dá a idéia de realmente estarmos lá. No quesito atuação, John Voight e Collin Farrel trabalham muito bem, mas o show aqui fica a cargo do sempre competente Edward Norton.


O assassinato de Richard Nixon (The Assassination of Richard Nixon, 2004) - 4/5
Dirigido por Niels Mueller. Com Sean Penn, Naomi Watts, Don Cheadle.
Samuel J. Bicke (Sean Penn) é um perturbado vendedor de móveis de escritório que, em 1972, concebeu um plano para matar o então presidente Richard Nixon. Enquanto seu mundo vai por água abaixo entre divórcios e probelmas no trabalho, ele fantasia que o presidente é seu verdadeiro inimigo. A história de um piloto de helicóptero que conseguiu pousar na Casa Branca lhe dá a idéia de sequestrar um avião para executar seu plano. História inspirada em fatos reais.

A atmosfera dessa película é desoladora. Assistir a queda do personagem é muito triste, mas ao mesmo tempo, fascinante. Tudo por causa da grande atuação de Sean Penn, que conseguiu dar personalidade e alma a Samuel Bicke. Acompanhando sua chegada ao fundo do poço, bem como a cadeia de eventos e pensamentos que o envolvem e como o ator conseguiu expressar isso de forma extraordinária não há como não sentir empatia por ele até mesmo no final, quando ele executa seu plano. O grande mérito desse filme está nisso.


Truck (Teu-reok, 2008) - 2/5
Dirigido por Hyeong-jin Kwon. Com Jin Goo, Yoo Hae-jin, Kim Joon-Bae, Lee Chae-young, Lee Joon Ha.
O caminhoneiro Cheol-min trabalha duro para dar o melhor para sua filha, que sofre de uma doença cardíaca e precisa ser submetida a cirurgia. Para salvá-la, ele precisará levantar urgentemente um quantia absurda, razão pela qual ele acaba se envolvendo com uma perigosa gangue de jogatinas ilegais. Obrigado a fazer um trabalho para ela, sua vida sofrerá mais uma reviravolta quando encontra uma van da polícia acidentada na estrada. E aquilo que já estava complicado toma um rumo ainda pior.

Um suspense coreano com uma trama razoável e atuações aceitáveis, mas que não prende e nem empolga, por isso acaba não merecendo grande destaque. A história é simples e previsível e a linguagem não apresenta nada de chamativo. Ou seja: entretém, mas não chega a ser memorável. O divertido acaba sendo pescar referências a outros filmes, como "Laranja Mecânica" e "A Morte Pede Carona", por exemplo.


Agente 86 (Get Smart, 2008) - 3/5
Dirigido por Peter Segal. Com Steve Carell, Anne Hathaway, Dwayne Johnson.
Quando o quartel-general do "Controle" é atacado e a identidade de seus agentes fica comprometida, o Chefe (Alan Arkin) não tem outra saída senão promover Maxwell Smart (Steve Carell) a Agente 86. Mas, ao invés de trabalhar com o Agente 23 (Dwayne "The Rock" Johnson), como gostaria, sua dupla acaba sendo a única agente cuja identidade não foi descoberta: a bela e mortal veterana Agente 99 (Anne Hathaway).

Taí um filme que promete o que cumpre: ser divertido. Não é uma comédia de gargalhar ou um filme de tiros e explosões gratuitos, mas um meio termo disso. As cenas de ação surpreendem pela qualidade e aquele humor trapalhão com cara séria dão o tom da obra. Steve Carell está excelente no personagem - que é um pouco menos bobo e atrapalhado que o da série -, assim como a belíssima Anne Hathaway. O ponto fraco aqui é a história, que é bem simples e pouco trabalhada, abrindo espaço para as cômicas situações em que os personagens se colocam.

4 comentários :

84.gu disse...

Destes todos, só vi Agente 86 e gostei muito.
É mais um filme de ação com um personagem atrapalhado do que uma comédia. Eu achei que eles conseguiram achar o ponto certo. :)

Raquel disse...

Gente, olha o Gustavo por aqui.

Deste todos, eu não vi nenhum :D

Khristofferson Silveira disse...

Gustavo, eu não classificaria o Agente 86 como "ação". Tá mais pra "aventura". Mas isso é papo pra conversa de boteco sobre a correta classificação de gêneros cinematográficos. :P

Raquel, escolha um e assita. Depois diga se concorda ou não com o que postei. :)

Raquel disse...

se é pra brigarem comigo, parei de comentar aqui. hahah