segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Filmes da semana (11 a 17/01/2009)

RocknRolla - A grande roubada (RocknRolla, 2008) - 4/5
Dirigido por Guy Ritchie. Com Gemma Arterton, Gerard Butler, Idris Elba, Tom Hardy, Toby Kebbell, Mark Strong. A chegada de um bilionário russo a Londres desperta a cobiça dos criminosos locais pelas altas somas envolvidas em suas negociações ilegais. Da ralé aos senhores do crime da cidade, passando por sua própria contadora e por um astro do rock que fingiu sua morte, todos querem a chance de enriquecer facilmente.

Aguardava ansiosamente esse filme, porque é o Guy Ritchie fazendo aquilo que sabe: filme sobre criminosos ingleses. A trama, como era de se esperar, é enrolada e cheia de personagens curiosos. Contudo, o ritmo rápido que esperava ver, característica de outros trabalhos como "Snatch - Porcos e diamantes" e "Jogos, trapaças e dois canos fumegantes", não aparece aqui. Isso me incomodou um pouco, porque é muita história e muito personagem pra ficar desenvolvendo devagar. O mesmo vale para o arsenal de tiradas e frases de efeito dos outros trabalhos, que deram uma encolhida aqui. No fim das contas, quem esperava uma repetição completa dos trabalhos anteriores se deparou com uma nova roupagem que pode não ser tão memorável como aqueles, mas que também agrada. Em todo caso, como será uma trilogia, muita coisa ainda está por vir.


Busca Implacável (Taken, 2008) - 4/5
Dirigido por Pierre Morel. Com Liam Neeson, Maggie Grace, Famke Janssen. O ex-espião Bryan Mills (Liam Neeson) é obrigado a fazer uso de suas velhas habilidades para resgatar a filha adolescente (Maggie Grace), raptada por uma rede de tráfego internacional de mulheres.

Assisti esse por recomendação do meu irmão e - caramba! - é muito bom. Pra se ter noção: é como se os caras tivessem raptado a Kim Bauer, filha do Jack Bauer, e ele fosse lá buscá-la. O Liam Neeson mais uma vez manda muito bem. As cenas de luta convencem e impressionam pela secura dos golpes. Resumindo: ele bate doído! A trama é simples, mas bem resolvida. Alguns detalhes aqui e ali ficam meio soltos, mas talvez porque o foco do roteiro esteja no relacionamento pai-filha. Enfim... É divertido, é empolgante e tem aquilo que todo mundo gosta, mas nem todos admitem: mocinho dando cabo dos bandidos.


Vicky Cristina Barcelona (2008) - 4/5
Dirigido por Woody Allen. Com Rebecca Hall, Scarlett Johansson, Javier Bardem, Penélope Cruz. Duas amigas (Rebecca Hall e Scarlett Johansson) com visões bem diferentes sobre o amor vão passar o verão na espanha e se apaixonam por um pintor (Javier Bardem) que acabara de sair de um casamento tumultuado com uma mulher instável (Penélope Cruz).

Confesso que nunca fui grande fã do Woody Allen, mas gostei do resultado desse trabalho. As ótimas interpretações do quarteto, a curiosa história, a ambientação e a trilha sonora baseada em uma encantadora guitarra espanhola tornam esse um belo filme, que, ao contrário do que alguns possam imaginar, não se resume à cena do beijo da Scarlett Johansson e da Penélope Cruz.


Ensaio sobre a cegueira (Blindness, 2008) - 5/5
Dirigido por Fernando Meirelles. Com Julianne Moore, Mark Ruffalo, Alice Braga, Danny Glover, Gael García Bernal. Pessoas começam a ser afetadas por uma estranha "cegueira branca" contagiosa. Acuado, o governo as confina em uma instalação de quarentena e ali, ignoradas pelo resto do mundo, elas precisarão encontrar um meio de se organizar para sobreviverem. Entre os primeiros a chegar estão um médico (Mark Ruffalo) e sua esposa (Juliane Moore), que, mesmo enxergando, não quis abandonar o marido.

Assistir o título aí de cima e depois encarar esse foi um baita contraste. O filme do Fernando Meirelles é visceral. É uma porrada! O ambiente escatológico e nojento em que os doentes foram confinados é bastante incômodo. No desenrolar da história o que se vê são ações e comportamentos que a gente julga como desumano, mas que, no fim das contas, acaba percebendo que fazem parte daquilo que é, de fato, humano. Por mais que nos façamos de cegos para isso.


Casa dos loucos (Dom durakov, 2002) - 3/5
Dirigido por Andrei Konchalovsky. Com Yuliya Vysotskaya, Yevgeni Mironov, Sultan Islamov, Bryan Adams. Em 1996, durante a guerra na Chechênia, um hospital psiquiátrico é ameaçado pela invasão das tropas de ambos os lados. Ali, Zhanna (Yuliya Vysotskaya), uma jovem paciente, se apaixona por Ahrmed (Sultan Islamov), um soldado checheno, e se vê na dúvida entre abandonar ou não seus amigos e seu compromisso de casamento com Bryan Adams (o próprio!). Baseado em uma história real.

Talvez esse seja o primeiro filme que eu assisti a mostrar a guerra sob o ponto de vista dos loucos. Aí entram todas aquelas reflexões sobre quem é mais insano: a galeria bizarra de internos do hospício ou os combatentes de ambos os lados do conflito? A triste atmosfera cinza-azulado está sempre lá e só abre espaço para uma luz quente e alegre quando entramos nas fantasias de Zhanna com o Bryan Adams. Aliás, a participação inusitada dele é muito desconexa da realidade e não há como não rir da situação.


Monday (2000) - 4/5
Dirigido por Hiroyuki Tanaka. Com Shin'ichi Tsutsumi, Yasuko Matsuyuki, Akira Yamamoto. Koichi Takagi (Shin'ichi Tsutsumi) acorda em um quarto de hotel sem ter a mínima idéia de como foi parar lá. Aos poucos começa a se lembrar da cadeia de eventos que o levaram até ali: um funeral, encontro com a namorada, bar, yakuzas e uma escopeta... Mas ainda não acabou.

Uma hilariante comédia de absurdos japonesa. As enrascadas em que o personagem principal se metem beiram o surreal. É ligar o módulo de suspensão da realidade e embarcar na inesquecível noitada desse sujeito. O filme peca por ser previsível em vários pontos, mas nem por isso deixou de me agradar. Só de ver as caras que o Takagi faz já dá vontade de rir. E o final coroa todos os absurdos do filme.


Vital (2004) - 2/5
Dirigido por Shinya Tsukamoto. Com Tadanobu Asano, Nami Tsukamoto, Kazuyoshi Kushida, Jun Kunimura. O jovem Hiroshi Takagi (Tadanobu Asano) sofre amnésia traumática depois de um acidente de automóvel que tirou a vida de sua namorada (Nami Tsukamoto). Ao retomar seus estudos de Medicina, disseca o corpo tatuado de uma mulher e encontra a memória de seu amor perdido neste cadáver.

A sinopse parece bastante bizarra, mas o filme não chega a tanto. De fato a produção é de clima sombrio, com várias cenas de dissecação - mas nada muito gore - e uma trama simples, mas curiosa. O problema é que esses elementos não reagem bem na química do filme. À exceção da ótima atuação de Asano como o soturno e perturbado Takagi, essa obra não me cativou.


Blácula (Blacula, 1972) - 1/5
Dirigido por William Crain. Com William Marshall, Vonetta McGee, Denise Nicholas, Thalmus Rasulala. Colecionadores de antiguidades compram ítens do castelo Drácula, entre os quais está o caixão de Mamuwalde (William Marshall), um príncipe africano amaldiçoado pelo famoso vampiro. A urna é levada para Los Angeles, onde ele despertará do seu sono de 150 anos para se alimentar e onde conhecerá Tina (Vonetta McGee), a reencarnação de sua mulher. Blácula passa, então, a fazer de tudo para conquistá-la e acaba ganhando um inimigo: Dr. Gordon (Thalmus Rasulala), que passa a caçá-lo implacavelmente.

Peguei esse filme na idéia de assistir a um terror blaxploitation, mas é difícil chamá-lo de terror. Esse é um daqueles que poderia passar fácil no antigo Cine Trash - se é que não passou. O fato é que não existem suspense nem sustos, a atuação é fraca, os efeitos são toscos e a maquiagem é risível. A história abusa de elipses que deixam grandes buracos e interrogações. Até pensei que poderia aproveitar para rir, mas depois de um tempo ficou ruim demais até pra isso.

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