quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Iron Maiden - Ghost Of The Navigator



Dezembro(!), finalmente(?).

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Eddie Vedder - Rise



De "Into the Wild". Adorei esse filme e sua trilha sonora.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Mercedes Sosa - Alfonsina y el mar



A voz dos sem voz se calou. Mas ainda ecoará.

Pink Floyd - Coming Back to Life



Agosto e setembro já passaram e eu nem vi.

Melhor assim.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Duas décadas sem Raulzito


Raul Seixas e Raulzito
Sempre foram o mesmo homem
Mas pra aprender o jogo dos ratos
Transou com Deus e com o lobisomem

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

O rebolado

O sinal de pedestres abriu e no espalhar do aglomerado surgiu aquele rebolado, vibrante, sincopado, fazendo da faixa passarela para seu gingado mesmerizante.

Dos que iam, um olhar arregalado do sujeito ao celular; um bico e a forte aspiração do estudante; um desconhecimento fingido da siliconada.

Dos que vinham, um olhar desavergonhado por cima do ombro do homem de terno; uma espiada levemente disfarçada do namorado; um desdém ululante da namorada.

Dos que aguardavam, um seguir com os olhos acompanhado por um meneio de cabeça; um levantar de óculos escuros; um palavrão dito baixinho, carregado de lascívia. Uma buzinada. Leve. Simpática.

Dela, um sorriso incontido.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Zeca Baleiro - O Hacker



Julho também acabou. Esse mês até que durou mais.

Aquilo ali é o trem? Sei lá... Vamo que vamo!

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Há quarenta anos

Pegada de astronauta no solo lunar
Quem nunca quis ser astronauta?

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Álbuns da minha vida: Titãs - Acústico MTV

Capa do Acústico MTV

O ano era 1997 e eu estava na oitava série. Era, mais uma vez, um aluno novo em uma outra escola em uma outra cidade. Não sabia nada de música e só ouvia as bobagens que tocavam no rádio, mas sem escutar de verdade. De fato, não ligava para música.

Mas numa daquelas frias manhãs da Macaé da década passada - quando era arrancado da cama para encarar o quadro negro em uma carteira perfilada - isso mudaria. Tudo por causa da prova de um excêntrico professor de História, que trazia em um dos enunciados a letra da música "Comida", dos Titãs.

As questões eram para relacionar a composição com a matéria e me chamou a atenção o fato da banda ser classificada com algum daqueles adjetivos exagerados que comprovam que o sujeito é, de fato, grande fã.

E lá fui eu perguntar o que de tão excepcional essa banda tinha para apresentar. Muito atencioso, o professor trouxe o CD "Acústico MTV" na aula seguinte e colocou para tocar. Comentou dos shows que assistiu, da relação daquelas músicas com os acontecimentos nacionais das décadas passadas e fez algo muito mais importante: mudou a minha vida. Sem exageros.

Era um som que, finalmente, poderia prestar atenção e chamar de música. Tinha um instrumental marcante - diferentemente das muitas bobagens que ouvia até então - associado a letras que não apelavam para a repetição vazia e que me tomariam algumas boas horas de divertidas análises dos significados.



Esse álbum foi a minha iniciação no mundo do rock. A partir dele teve início uma jornada pessoal de busca por música de boa qualidade que dura até hoje - e que não deve parar, espero. Seu impacto foi tamanho que dali a algum tempo comprei um walkman e gravei algumas músicas (não cabiam todas) em uma fita K7. A primeira de muitas que disputavam com livros e cadernos espaço na minha mochila e, com as monótonas aulas, minha atenção.

Quando olho para trás no tempo, percebo que hoje meu gosto musical não estaria bem resolvido se não fosse aquele dia, com aquela prova. Por isso, nesse Dia do Rock, não posso deixar de agradecer ao professor Marcelo Abreu Gomes por essa aula que entrou pra minha História e aos Titãs, claro - apesar dos tropeços.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Camisa vermelha: Karl Malden



Agora foi a vez do Karl Malden, ator estadunidense, vestir a camisa vermelha.

Acho que ele não era muito conhecido, mas é uma figurinha carimbada em produções memoráveis.

Alguns de seus filmes são "O beijo da morte" (1947), "O matador" (1950), "A tortura do silêncio" (1953), "Dá-me tua mão" (1953), "Sindicato de ladrões" (1954), "A árvore dos enforcados" (1959), "Pollyana" (1960), "A face oculta" (1961), "A conquista do Oeste" (1962), "O homem de Alcatraz" (1962), "Alguém morreu no meu lugar" (1964), "A mesa do diabo" (1965), "Nevada Smith" (1966) e "Patton - Rebelde ou herói?" (1970).

Vários desses estão na minha videoteca, por isso não podia deixar de registrar a perda.




Ah! E sabe aquela famosa chamada publicitária "não saia de casa sem eles"? Foi o Karl Malden que popularizou, em uma série de comerciais para os cheques de viagem American Express.

Mercedes Sosa - Como la cigarra



E lá se foi junho.

Acho que virei errado em Albuquerque. De volta à prancheta de desenhos.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Filmes da semana (12 a 18/04/2009)

Atrasado, mas não esquecido! Botando em dia as postagens sobre os filmes vistos.



The Twelve Gold Medallions (Shi er jin pai, 1970) - 4/5
Dirigido por Cheng Kang. Com Yueh Hua, Chin Ping, Chiao Chiao, Wang Hsieh, Wong Hap, Cheng Miu.
O traidor ministro Chin Kuei tenta deter as vitoriosas batalhas do general Yueh Fei contra os invasores, então envia ordens imperiais - em forma de medalhões dourados - convocando o general de volta à capital. Entre os guerreiros patriotas que tentam interceptar os medalhões está Miao Lung (Yueh Hua), cujo professor, Chin Yen-tang, faz parte do complô do ministro. Pra complicar, ele é apaixonado pela filha do professor, Chin So (Chin Ping), que também se rebela contra a traição do pai e busca interceptar por conta própria os medalhões. Para cumprir as ordens do ministro, Chin Yen-tang precisará atacar seu discípulo, sua filha e Meng Ta-pei, considerado, ao lado dele, o maior guerreiro do país.

Filme chinês na TV (mesmo paga) é difícil, por isso não deixei passar essa oportunidade. Mas quem já assistiu alguns exemplares desse cinema já sabe o que esperar: lutas exageradas, maquiagem fraca, cenários singelos, efeitos bem rústicos e outras coisas do gênero. Mas o que ele perde nos quesitos de produção recupera em cinematografia. Pode parecer chavão de quem não sabe mais o que comentar, mas a fotografia é sim excelente - pelo menos pra quem aprecia as características da feita naquele país, como Tarantino, que captou como poucos a essência, nas cenas de Pai Mei em "Kill Bill - Vol. II". Não há como não achar o máximo aqueles zooms rápidos, gigantescos, que várias vezes perdem o foco ou vão demais, precisando voltar, ou com os enquadramentos feitos nos cenários internos e nas cenas de embates. Pra quem gosta, taí um prato cheio. E a trama é boa, com conflitos pessoais comuns no cinema oriental (honra, respeito, obediência), mas tem seus problemas de precisão histórica - o que não é exatamente um grande demérito, posto que até as megaproduções hollywoodianas tomam suas próprias liberdades nesse sentido.



Quanto vale ou é por quilo? (2005) - 3/5
Dirigido por Sérgio Bianchi. Com Herson Capri, Leona Cavalli, Caco Ciocler, Leonardo Medeiros.
Uma analogia entre o antigo comércio de escravos e a atual exploração da miséria pelo marketing social, que forma uma solidariedade de fachada. No século XVII um capitão-do-mato captura um escrava fugitiva, que está grávida. Após entregá-la ao seu dono e receber sua recompensa, a escrava aborta o filho que espera. Nos dias atuais uma ONG implanta o projeto Informática na Periferia em uma comunidade carente. Arminda, que trabalha no projeto, descobre que os computadores comprados foram superfaturados e, por causa disto, precisa agora ser eliminada. Candinho, um jovem desempregado cuja esposa está grávida, torna-se matador de aluguel para conseguir dinheiro para sobreviver.

O cinema nacional tem sobre si o estigma da crítica social. Sim, essa é outra obra que vai por esse caminho, mas a forma como é feita é um tanto diferente. O filme é um tapa na cara da galera que vive de surfar a crista das ONGs financiadas seja por verbas públicas, seja por recursos privado de empresas e organizações nacionais e estrangeiras. A sacada deste título está em resgatar do Arquivo Nacional casos reais da época do Império, envolvendo negociações de escravos, e criar paralelos ao que acontece nos dias de hoje. A abordagem é abrangente: marketing social vigarista, desvio de recursos, abuso da miséria alheia pra desenvolvimento próprio, mão-de-obra infantil, relações trabalhistas exploratórias, sistema carcerário e mais, muito mais. A falha fica na hora de editar isso tudo, o que resultou em vários momentos um tanto confusos, pulos muito longos na história, com indas e vindas pouco claras. Outro ponto fraco é a falta de clareza nas relações que os vários personagens mantém entre si, que por vezes confunde o espectador. O ponto alto fica no absurdo das situações que pouca gente sabe que realmente acontecem.


Liquid Sky (1982) - 0/5
Dirigido por Slava Tsukerman. Com Anne Carlisle, Paula E. Sheppard, Susan Doukas, Otto von Wernherr, Bob Brady, Elaine C. Grove, Stanley Knapp, Jack Adalist.
Alienígenas invisíveis em um disco voador minúsculo vêm à Terra em busca de heroína. Eles pousam no topo de um apartamento em Nova Iorque, onde moram uma traficante e sua amante andrógina, ninfomaníaca e bissexual, que é modelo. Os alienígenas logo descobrem os feromôneos criados no cérebro durante o orgasmo e os preferem à heroína, e então os amantes da modelo ninfomaníaca começam a desaparecer. Este cenário incrivelmente bizarro é observado por uma mulher solitária que mora do outro lado da rua, um cientista alemão que está seguindo tanto alienígenas quanto o igualmente andrógino modelo masculino viciado em drogas (ambos interpretados por Anne Carlisle).

Sim, essa sinopse me atiçou a dar uma conferida no trabalho. Eu costumo me interessar por essas loucuras cinematográficas porque eventualmente surgem coisas boas, mas, no geral, são apenas obras muito ruins, terríveis ou coisas como essa daqui. Sim, "Liquid Sky" alcançou um patamar que achei inalcançavel: filme para se ver em FF (fast-forward). Com dez minutos de exibição eu já me contorcia, numa agonia que experimentei raríssimas vezes diante de um filme. Como não sou masoquista e nem quero ficar me achando herói, apelei pro FF. O que tinha diante de mim era uma overdose daquele visual multicolorido de fim dos anos setenta e início dos anos oitenta levado ao extremo, com muito néon e cenas insuportavelmente coloridas e com apenas isso na tela: cor. Sim, porque a visão do alienígena é feito uma viagem - talvez por isso ele esteja procurando heroína. O som consegue ser pior do que uma orquestra de moogs tocando músicas diferentes, todas fora de compasso. Já os personagens, estes são característicos clubbers que torram toda a grana que têm e que não têm com shows, festas, bebidas e drogas e transam com qualquer um que aparecer, porque, por alguma razão, homens e mulheres são indistinguíveis nessa história. E falando nela, bem... Aí mora o maior problema: se ela fosse boa, conseguiria juntar toda essa bizarrice de forma até aceitável, mas se nem ela compensa, ficou claro que perder meu tempo com esse título não daria em nada.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Filmes da semana (05 a 11/04/2009)

Atrasado, mas não esquecido! Botando em dia as postagens sobre os filmes vistos.



Global Metal (2008) - 5/5
Dirigido por Sam Dunn e Scot McFayden. Com Rafael Bittencourt, Adrian Smith, Dave Murray, Bruce Dickinson, Max Cavalera, Tom Araya, Kerry King, Lars Ulrich.
Continuação de “Metal: A Headbanger’s Journey”, de 2007. Nesse novo documentário, os diretores viajaram por países asiáticos, pelo Oriente Médio e pela América do Sul mostrando como o Heavy Metal atinge os jovens que crescem em culturas tão diferentes.

Sam Dunn tem o grande mérito de ajudar a consolidar de maneira excelente um registro da cultura Heavy Metal com cois grandes documentários sobre o tema. O primeiro, mais voltado para as origens e este segundo, sobre a tribo e influências do gênero na juventude ao redor redor do mundo. Pra quem está de fora, os headbangers parecem apenas uma horda bêbada de cabeludos vestido de preto que promovem caos em festas barulhentas. Pra quem está dentro, o negócio é diferente: muita coisa tem o seu significado e mostra que todos ali são parte de um movimento que já era grande e, agora, com o avanço da internet, ficou maior e mais rápido. Sem dúvidas, obrigatório para os fãs do gênero.


Versus - O Portal da Ressureição (Versus, 2000) - 3/5
Dirigido por Ryûhei Kitamura. Com Tak Sakaguchi, Hideo Sakaki, Chieko Misaka, Kenji Matsuda.
Há 666 portais que conectam este mundo ao outro lado, escondidos dentro dos seres humanos. Em algum lugar no Japão existe o portal de número 444. Quem o atravessar voltará da morte. Para isso, uma jovem precisa ser sacrificada, mas um poderoso prisioneiro fugitivo pretende protegê-la.

Esse foi um programão de domingo! Um filme do Kitamura com yakuzas, zumbis e lutas com pitadas de gore é garantia de, pelo menos, algumas risadas. A história é até legal, mas a diversão fica por conta das coreografias de luta, do sangue exagerado e das tosqueiras da produção de baixo orçamento. Ou seja, esse é um título que qualquer fã de cinema trash precisa assistir. O final dá o que falar.


Os esquecidos (The Forgotten, 2004) - 2/5
Dirigido por Joseph Ruben. Com Julianne Moore, Dominic West, Gary Sinise, Alfre Woodard, Linus Roache, Anthony Edwards.
Telly Paretta (Julianne Moore) é uma mulher em desespero por causa da morte do filho de 8 anos. Telly se surpreende ao ouvir de seu psiquiatra (Gary Sinise) que ela teria inventado em sua cabeça oito anos de lembranças de um filho que nunca teve. Ao conhecer um pai (Dominic West) que passa por experiência semelhante, ela embarca numa dura missão para provar a existência do filho e a sua sanidade mental.

Arrastado e sem graça, nem a Julianne Moore salva. O começo é interessante, promissor. A investigação dela para provar a existência do filho, a tentativa de convencimento do marido, do psiquiatra e, finalmente, do pai da garotinha, tudo isso vai indo muito bem, até que, finalmente, vem a explicação do que está acontecendo. E com tanta coisa possível pra usar de justificativa, foram apelar logo pro que não deveriam! Óbvio que a trama desaba de vez, fica piegas, bobinha e oferece uma explicação nada satisfatória na conclusão.


Religulous (2008) - 4/5
Dirigido por Larry Charles. Com Bill Maher.
Ator cômico e apresentador de TV, Bill Maher decidiu viajar pelo mundo entrevistando diferentes pessoas, de distintas religiões, para falar sobre Deus e religião. Conhecido por sua habilidade e astúcia analítica, além de sua graça irreverente e comprometimento em nunca perder uma piada, Maher consegue arrancar de seus entrevistados as respostas mais incomuns.

Acho que poucas vezes me diverti tanto assistindo a um documentário. E esse consegue ser mais engraçado do que muitas comédias que vi por aí ultimamente. A grande sacada aqui está na edição. A montagem abusa das ironias e antíteses, sempre relacionando algo que foi dito ou defendido a uma imagem que procura derrubar a colocação feita. Mesmo quando não surge uma imagem, o próprio Bill Maher faz perguntas e apresenta argumentos que incomodam e deixam os interlocutores desconsertados. Talvez não seja a forma mais corriqueira de fazer um trabalho desse gênero, mas o resultado final é muito bom.


Um agente na corda bamba (Tightrope, 1984) - 1/5
Dirigido por Richard Tuggle. Com Clint Eastwood, Geneviève Bujold, Dan Hedaya, Marco St. John.
O detetive Wes Black (Clint Eastwood) é um pai divorciado que cuida de suas duas filhas e investiga série de crimes sexuais. O assunto assume um caráter pessoal depois que sua nova namorada também é atacada pelo criminoso. Para executar sua missão, Wes desce ao mundo da prostituição e de práticas sexuais na linha do sadomasoquismo. Nessa peregrinação, o policial coloca em debate os seus valores morais ao se perceber bem próximo do criminoso.

Eu gosto tanto do trabalho do Eastwood que faz parte dos planos cinematográficos assistir todos os seus filmes. Por isso sei que vez ou outra devo me deparar com algo de baixa qualidade, algo que o sujeito deve ter feito só pra pagar as contas e garantir o leitinho das crianças. Prefiro pensar que foram essas as razões que o levaram a aceitar fazer esse filme, porque o resultado é terrível. Uma trama policial setentista - o que, por si só, já valeria vários pontos - com Eastwood - mais alguns - perseguindo um serial killer - mais outros - maníaco sexual - e ainda mais. Só que o trabalho feito aqui chega a ser triste. Além de ser muito longo, o filme abusa de clichês e faz quase nada interessante com eles. Há até uma tentativa de criar um clima de suspense toda vez que os pés do assassino aparecem, o que logo vira uma piada. Mas a grande decepção está com a péssima atuação do protagonista - com direito a um chilique que em nada condiz com o personagem. Um filme que deve ser evitado.


Appaloosa - Uma Cidade sem Lei (Appaloosa, 2008) - 3/5
Dirigido por Ed Harris. Com Ed Harris, Viggo Mortensen, Jeremy Irons, Renée Zellweger, Lance Henriksen.
No Velho Oeste norte-americano, Virgil Cole (Ed Harris)e Everett Hitch (Viggo Mortensen), dois amigos e pistoleiros, são contratados para tomar conta de uma pequena cidade chamada Appaloosa. O vilarejo está sofrendo nas mãos de Randall Bragg (Jeremy Irons), um brutal rancheiro sem respeito pela lei, que toma suprimentos, armas, cavalos e mulheres a seu bel prazer e que mandou matar o último xerife e seu auxiliar. A dupla, no entanto, acaba tendo sua luta complicada com a chegada de uma jovem viúva (Renée Zellweger) ao local.

Um faroeste que agrada em vários aspectos, mas acaba incomodando em outros. Começa de forma bem interessante, com a trama clássica dos mocinhos que devem salvar a cidade dos bandidos, mas, de repente, há uma quebra de ritmo, com a inserção da figura feminina e interesse romântico dos amigos. Então ele começa a desandar um pouco, chegando a uma segunda quebra, quase no final, que é quando comecei a pensar que o filme já deveria ter encerrado. E isso é sempre um problema: saber concluir. No mais, os personagens são bem construídos e várias características típicas do gênero estão presentes, o que, tenho certeza, os fãs não vão deixar passar despercebidas.


A fortuna de Ned (Waking Ned, 1998) - 4/5
Dirigido por Kirk Jones. Com Ian Bannen, David Kelly, Fionnula Flanagan, Susan Lynch, James Nesbitt, Paul Vaughan.
Em um pequeno vilarejo na Irlanda, um sortudo ganha na loteria causando alvoroço e o interesse em especial de dois senhores muito espertos, Jackie (Ian Bannen) e Michael (David Kelly). As confusões realmente começam quando eles descobrem que Ned, o ganhador, morreu de felicidade segurando o bilhete premiado em sua mão, e decidem reinvidicar o prêmio.

Como de praxe nas comédias britânicas, essa tem um humor bem diferente. É bem leve, nada hilariante, mas muito proveitosa. Há coisa de dez anos vivia passando na Fox, mas nunca parei pra assistir. Demorei uma década, mas, quando finalmente encarei, gostei bastante do resultado: um filme sobre amizade, cumplicidade, velhice, felicidade... E golpe!

terça-feira, 16 de junho de 2009

Filmes da semana (29/03 a 04/04/2009)

Atrasado, mas não esquecido! Botando em dia as postagens sobre os filmes vistos.



A Era da Escuridão (Mutant Chronicles, 2008) - 2/5
Dirigido por Simon Hunter. Com Ron Perlman, Thomas Jane, John Malkovich, Devon Aoki, Sean Pertwee.
Em 2707, as quatro empresas que controlam a Terra vivem em guerra, quando um antigo exército de NecroMutantes, há muito sepultado, volta das profundezas e somente a realização de uma profecia poderá vencê-los. Apostando nisso, Constantine (John Malkovich), líder de uma das empresas, patronica a formação de uma equipe de guerreiros de todos os cantos do mundo, liderados pelo Major Mitch Hunter (Thomas Jane) e guiados pelo religioso Samuel (Ron Perlman).

Esse é um daqueles que a gente vai assistir já esperando ser uma bomba, mas vai assim mesmo, pela diversão. Afinal de contas, qualquer filme que tenha em sua sinopse "a fight against an army of underworld NecroMutants" merece ser visto. As interpretações são tristes, a história muitas vezes sem pé nem cabeça e os efeitos risíveis. O estranho mundo steampunk que eles criam é tão tosco que é engraçado - principalmente a nave movida a vapor.


Apenas uma vez (Once, 2006) - 4/5
Dirigido por John Carney. Com Glen Hansard, Markéta Irglová.
Um músico de rua inseguro vive com o pai, com quem trabalha reparando aspiradores. Uma garota da República Tcheca trabalha em diversos empregos durante o dia e toca piano quando tem chance, além de cuidar de sua filha e de sua mãe à noite. Seus caminhos cruzam nas ruas de Dublin e ambos se juntam para gravar um trabalho demo para que ele possa tentar um contrato com algum gravadora em Londres.

Me recomendaram há bastante tempo, mas ficou esquecido. Quando finalmente peguei pra ver, achei que estaria diante de uma comédia romântica bem água com açúcar, mas me enganei. O filme é um ode à própria música, sobre como ela está presente nas nossas vidas e influencia nossos sentimentos e ações. É um filme bonito, pela beleza da música e dos fatos conduzidos por ela, e um tanto melancólico, pelo desenrolar da relação dos dois protagonistas.


Fausto 5.0 (2001) - 3/5
Dirigido por Álex Ollé e Isidro Ortiz. Com Miguel Ángel Solá, Eduard Fernández, Najwa Nimri, Raquel González.
Dr. Fausto (Miguel Ángel Solá) é um cirurgião especialista em casos terminais. A caminho de uma convenção de médicos, ele encontra Santos (Eduard Fernández), que afirma que o doutor lhe removeu o estômago há oito anos. O homem, cuja própria vida já contraria a lógica, promete realizar todos os desejos de Fausto, guiando-o por uma viagem alucinante pela sua própria consciência.

Uma livre adaptação espanhola da lenda germânica, que a transpõe para os dias de hoje. O clima é tenso, incômodo, pessimista. Parte disso vem do trabalho desenvolvido pelo médico, que está sempre em contato com a morte, o que o perturba tanto a ponto de se ver envolvido pela espiral alucinante criada por Santos. É um filme forte, mas não por ser explícito ou demasiado violento, mas pelo sofrimento do personagem.


Três é demais (Rushmore, 1998) - 3/5
Dirigido por Wes Anderson. Com Jason Schwartzman, Bill Murray, Olivia Williams, Seymour Cassel, Brian Cox, Luke Wilson.
Max Fischer (Jason Schwartzman) é um rapaz de quinze anos que conseguiu uma bolsa de estudos para a rica escola preparatória Rushmore. Enquanto se dedica a várias atividades extra-curriculares para não ser expulso pelas notas baixas, ele acaba se tornando amigo de Herman Blume (Bill Murray), um magnata que atravessa uma depressão, e se apaixonando por Rosemary Cross (Olivia Williams), uma professora que tornou-se viúva há pouco tempo. Mas aí os problemas surgem: Rosemary acha o adolescente muito novo para ela e Herman se apaixona por ela, gerando uma certa rivalidade entre Max e Blume.

O filme é até legal, mas um tanto arrastado. Conta com a boa atuação do sempre competente Bill Murray, o que já é um incentivo pra assistir. Penso que esse foi o ensaio do diretor Wes Anderson pra fazer "Os Excêntricos Tenenbaums", porque acho que percebi uma tentativa de imprimir um ritmo semelhante, mas sem sucesso.


Queime depois de ler (Burn after reading, 2008) - 5/5
Dirigido por Ethan e Joel Coen. Com George Clooney, Frances McDormand, Brad Pitt, John Malkovich, Tilda Swinton, J.K. Simmons.
Osbourne Cox (John Malkovich) era um analista da CIA que, revoltado com sua demissão, resolve se dedicar à bebida e ao seu livro de memórias. Katie (Tilda Swinton), sua esposa, fica espantada ao saber da demissão, mas deixa o assunto de lado, por estar mais interessada em Harry Pfarrer (George Clooney), um investigador federal e seu amante. Paralelamente Linda Litzke (Frances McDormand), funcionária de uma rede de academias, faz planos para uma grande cirurgia plástica que deseja realizar. Ela tem em Chad Feldheimer (Brad Pitt), um professor da academia, seu melhor amigo. Quando um CD perdido cai nas mãos de Linda e Chad, ambos perceberem que se trata de material confidencial:o livro de Cox.

O humor absurdo dos irmãos Coen mais uma vez dá certo. Jutaram um elenco de primeira e fizeram uma comédia divertidíssima, com grandes momentos e atuações. Não dá pra não rir das caras do George Clooney, da dancinha do Brad Pitt e das situações em que todos os personagens acabam se metendo em algum momento da trama. Apesar disso, é bom esclarecer que não é uma comédia hilariante, mas bem construída, como vários outros trabalhos da dupla. Ah! E o Malkovich mais uma vez está excelente.

Vistos novamente


Dr. Fantástico (Dr. Strangelove, 1964) - 5/5
Dirigido por Stanley Kubrick. Com Peter Sellers, George C. Scott, James Earl Jones, Sterling Hayden, Slim Pickens, Peter Bull.
Um louco general anticomunista americano (Sterling Hayden) autoriza um ataque nuclear à União Soviética por bombardeiros que só respondem ao seu comando. Em vista disso, o presidente (Peter Sellers) e o alto escalão militar se reúnem na Sala de Guerra para achar uma maneira de cancelar a ordem e evitar a ativação do dispositivo automático chamado Máquina do Juízo Final, o que detonaria uma hecatombe nuclear.

Excelente obra de humor negro sobre militares, guerra, paranóia e poder. A interpretação de Sellers - em três papéis - é memorável. A ironia por trás das falas e situações colocadas são brilhantes. É um título fundamental, sem dúvida.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Camisa vermelha: David Carradine


David Carradine - famoso por Kung Fu e Kill Bill - vestiu a camisa vermelha hoje.

Além dos papéis mais famosos, ele também fez o piloto Frankenstein em "Corrida da Morte - Ano 2000" (que ganhou um remake recentemente), mas pouca gente lembra disso. Só que os fãs do cinema tosco lembram muito bem da surra que ele deu em Stallone:

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Pornô esquimó

Atravessei a faixa de pedestres, olhei para a fileira de carros e, finalmente, consegui encontrar um táxi, escondido atrás de um caminhão. Olhei para o sinal - quase abrindo - e de volta para o veículo, mas não consegui ver se já tinha passageiro.

Fiz sinal com a mão assim mesmo e percebi uma figura lá dentro gesticulando para me chamar e abrindo a porta - ao mesmo tempo que o sinal fazia o mesmo. O caminhão se foi, a outra fileira se foi e o veículo ainda estava lá, retendo a sua fila, com a porta escancarada pra mim. Com alguns passos rápidos, cheguei até ele e entrei, já fechando imediatamente, porque as buzinas já exerciam seu ofício.

- Vamos embora daqui antes que linchem a gente! - Disse, rindo, o motorista, enquanto arrancava. - Pra onde?

Passei as instruções e, para minha estranheza, o papo começou.

Preciso, antes de mais nada, esclarecer que os taxistas desta cidade têm estado muito calados de vários meses para cá. Não falam sobre futebol, política, música, TV... Enfim, sobre nada que se espera vir de um deles. Salvo raros e pontuais momentos, estão para pouco papo - alguns até sisudos e ensimesmados. Então, estranho foi ele puxar papo, não o contrário.

- Foi o vidro escuro, né? Por isso você não conseguiu ver o interior.
- Sim. Dependendo do ângulo do sol, é difícil mesmo.
- Pois é, rapaz. Eu tava pensando em tirar, mas, sei lá. Tem gente que reclama, tem gente que prefere. Sabe como é: tem gente que pega táxi pra trair mulher e não quer ser visto. Dia desses um casal entrou e já foi mandando subir os vidros. - Fez uma imitação debochada de voz feminina. - "Sobe o vidro aí, moço!" - Dei uma risada e achei que terminaria aí, mas ele logo emendou, num fôlego só. - Tem gente que não sabe mesmo o que quer. Uma hora é pra ligar o ar, outra hora é pra desligar.
- Dependendo do dia é assim mesmo. - Tentei argumentar.
- Mas é a mesma pessoa! Um minuto depois! Por isso eu não mexo mais no ar! Não mexo! A mulher pediu de novo e respondi "Não vou mexer em porra nenhuma, não..." - E veio a voz fina e debochada novamente. - "É o que que você disse aí, moço?" Claro que eu não falei isso alto, né? "Nada não, senhora. Tô falando sozinho aqui, pensando." - Até abri a boca para falar qualquer coisa, mas ele seguiu. - Dia desses foi um casal. O cara disse "entra à esquerda" e a mulher "entra à direita". E ficou essa de esquerda, direita, direita, esquerda. Nada deles se decidirem. Aí falei logo: "Porra, decide logo aí que a rua tá chegando!" Povo indeciso...

Não respondi. A essa altura eu já não queria mais desenvolver a conversa. "Ih, esse é um daqueles chatos que odeia a tudo e a todos porque escolheu uma profissão que não gosta.", pensei.

Alguns segundos depois, no próximo sinal fechado, ele parou o carro e juntou as mãos entre os joelhos, num claro sinal de estar sentido frio. Deve ter sido suficiente para lhe ocorrer um outro assunto para puxar comigo:

- Porra, não sei de onde esse pessoal tira a idéia de que fazer sexo no frio é bom! - Fazia aquelas expressões de quem não consegue achar uma explicação satisfatória e abriu as mãos à sua frente com as palmas viradas, antes de retomar o volante.
- Esquenta, né? - Tentei, mais uma vez, argumentar. Ô hábito!
- Sim, mas, porra, que frio do caramba! Tá tudo encolhido. E depois vai tomar um banho, a água tá gelada. Ah, na boa... É ruim demais. No calor é melhor. No frio não tem como.
- Cara, e os esquimós? Até hoje eles dão seu jeito lá.

De todas as respostas possíveis no mundo, tinha que me ocorrer justo essa?! Juro que não sei de onde tirei essa, mas agora era tarde. O cara me olhou espantado, como se tivesse feito uma grande revelação científica. E como todo conhecimento científico sempre gera ainda mais perguntas, ele começou a devanear em voz alta - ficou claro que não eram para mim as questões, mas para ele mesmo.

- Taí! Como é que os esquimós fazem? Porra! Os caras moram no gelo. Tem gelo pra todo lado. A casa deles é de gelo. Como eles fazem? Não é possível... Deve ter um furo na roupa, sei lá. Em cima do gelo é que não é. Pelo menos eu acho. Não dá, não tem como.
- Ah, cara, nessas horas cada um dá seu jeito. - Intervi. - Seja esquimó, africano ou indígena. Por isso tem gente em tudo quanto é canto do mundo.
- Tem razão. Mas ia ser interessante saber isso. Saber como fazem...

E foi aí que ele teve a idéia.

- Ah, já sei! Imagina só: filme pornô esquimó! - Não contive o riso. - Chega uma equipe lá no meio do nada com as máquinas prontas pra filmar e dizem pros carinhas: "Viemos gravar um filme pornô pra saber como vocês fazem." Imagina só a cara dos figuras!

Como diz um amigo meu: "nessas horas, não faça filminho". Isto é, não imagine a cena. Mas já era tarde. Pornô esquimó foi demais para mim. Felizmente, havíamos chegado ao destino naquele mesmo instante. Paguei a corrida e o deixei com suas divagações a respeito do tema, enquanto ele saía com seu táxi. Enquanto a mim, fui rindo pela calçada, pela recepção do prédio, pelo elevador, pelo corredor e só consegui parar quando cheguei à porta do escritório.

Só parei porque outro filminho passou pela minha cabeça: como explicar para os que estavam lá dentro que o motivo do meu riso era um pornô esquimó?

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Heaven & Hell - Falling off the edge of the world



Pois é.

Vai entender...

Mas, sério que Maio já acabou?

domingo, 17 de maio de 2009

Álbuns da minha vida: Black Sabbath - Heaven and Hell


Imaginava que o primeiro post sobre o Black Sabbath que faria na série sobre os Álbuns da minha vida seria sobre o "Reunion" ou o "Volume 4", respectivamente o que me apresentou à banda e o primeiro que comprei.

Mas, caramba, porque não começar pelo "Heaven And Hell", o segundo comprado?

Lançado em 1980, este foi o primeiro trabalho da nova formação, que colocou Ronnie James Dio na posição ocupada por Ozzy Osbourne ao longo de uma década.

Dio trouxe uma nova personalidade à banda, uma nova linha de composição e uma nova musicalidade. A diferença é tanta que chega a ser estranho - e por vezes incômodo - ouvi-lo cantar músicas da fase Ozzy no "Live Evil" ou em bootlegs.

Gosto de deixar claro que discutir qual dos dois é melhor me parece uma bobagem. São vocalistas diferentes, com técnicas, personalidades, estilos e trejeitos diferentes.

Como posso dizer que "Heaven And Hell" ou "Dehumanizer" são melhores do que "Master of Reality" ou "Sabbath Bloody Sabbath" e vice-versa, por exemplo? É bobagem. Todos são excelentes álbuns.

Mas não foi bem isso que o Ivan, dono da loja de CDs, me disse num cinzento sábado de outubro de 1999.

Eu já estava lá há umas duas horas olhando os vários discos da banda sem decidir qual eu compraria, porque naquela época, comprar um CD era quase uma ciência. Não havia as facilidades atuais de ouvir as músicas online, baixar mp3, discutir em fóruns e listas ou ler resenhas em sites.

E mais: com apenas 50 reais por mês para gastar com discos (caros), saídas e revistas, precisava me virar como fosse possível para esticar a grana e não comprar nenhuma porcaria da qual fosse me arrepender depois.

Percebendo a minha demora - e ansioso para fechar a loja e ir para casa - o vendedor resolveu dar um empurrãozinho: "Ouve esse. Não é com o Ozzy." Botou o disco no aparelho de som e subiu o volume. De repente, aquela introdução matadora de "Neon Knights" explodiu no ambiente. Quando a voz do Dio surgiu, ele disse: "Assisti esses caras tocando em 92. Ele canta muito. A molecada só quer saber de Ozzy, Ozzy, Ozzy, mas ele é muito melhor."

Me passou a caixa e pude dar uma folheada no encarte. Até a capa era muito boa - até hoje uma das melhores de toda a minha coleção e top 3 do Black Sabbath fácil! E assim ele foi passando as faixas e fazendo outros comentários que não lembro. Ao final, comprei esse mesmo e fiquei na ânsia de chegar em casa colocá-lo pra tocar.

E foi exatamente o que fiz. Botei o disco em loop e fiquei viajando na música e, principalmente, nas letras. Uma das minhas melhores aquisições, sem dúvida.

Até hoje esse é um dos trabalhos da banda que mais gosto e ouço. Ao contrário de alguns outros, não há aqui uma música que eu ache que poderia ser melhor, que poderiater sido cortada ou mudada em alguma parte. Ele é irretocável, perfeito como está.

Não por acaso, quando os membros quiseram retornar ao estúdio para gravar novo material, escolheram "Heaven & Hell" como nome para a nova banda, já que, após a entrada do grupo no Rock and Roll Hall of Fame com a formação original, não seria legal gravar algo do Black Sabbath sem o Ozzy.

Em tempo: um lance curioso que tenho com esse álbum é que toda vez que escuto "Lady Evil" me lembro de cenas de "A Bruxa de Blair", porque assisti o filme na mesma semana em que comprei o disco e, lendo a letra, dá pra entender a razão da associação.

sábado, 2 de maio de 2009

Ozzy Osbourne - Gets me through



Abril veio, trouxe muita coisa estranha e se foi, deixando algumas que não dá pra jogar fora...

sexta-feira, 17 de abril de 2009

U2 - Beautiful Day

terça-feira, 14 de abril de 2009

Vai um cafizim aí?

Xícara de café

"Muitos estrangeiros acham nosso café muito forte."
"Na minha terra, enfiamos uma ferradura no bule. Quando se levanta, o café está pronto."

- Sheikh Riyadh e Frank Hopkins, em "Hidalgo"

Bebo café desde que eu me entendo por gente. Acho que criei o hábito lá na casa dos meus avós, onde sempre havia uma garrafa à disposição. Tenho algumas turvas lembranças de vezes em que eu e meu avô ficamos na mesa da cozinha bebericando.

Quando fui morar em outro estado, aquele momento familiar trivial acabaria se mostrando uma convenção social. Passei a conhecer pessoas novas e a ouvir constantemente o mineiríssimo convite "Ô, sô, vam tomá um cafizim?".

O hábito de tomar café é para nós uma instituição nacional, tal qual o chá das cinco o é para os ingleses. E se tem uma coisa que a gente logo aprende é que, dependendo do anfitrião, não é de bom grado recusar...

Lembro das duas últimas vezes que fui junto com meu pai visitar uns parentes lá no interior da Paraíba - daqueles que a gente não conhece, mas vai assim mesmo. Dependendo da casa, ai de quem recusasse pelo menos um cafezinho! E tomá-lo em uma residência e deixar de fazer o mesmo em outra chegava a ser ofensivo.

Na minha época de Minas, meu consumo passou de um matinal constante e um vespertino eventual a vários ao longo do dia, justamente por causa desse hábito. Há quem diga que exagerei tanto no cumprimento das convenções sociais que acharam por bem se desfazer da garrafa térmica lá de casa, só para que eu reduzisse o consumo.

E de fato funcionou. Voltei a níveis... Normais, por assim dizer.

O problema é que logo no ano seguinte eu passei a estudar no turno da manhã. E imagine um sujeito que criou o hábito de dormir bem tarde e acordar mais tarde ainda, precisando dar um jeito de, pelo menos, manter-se acordado durante as aulas. Qual a solução?

Pois é... Um cafizim.

A situação era tão crônica, que até daquele que ficava na sala dos professores eu dava um jeito de conseguir. O que gerou uma situação interessante, agora que paro pra pensar que anos depois eu estaria novamente tomando café com eles, mas, dessa vez, como colega de trabalho.

Aliás, falando em trabalho, aí sim é difícil imaginar-me sem consumir essa bebida. Se eu já não tivesse um histórico, ele inexoravelmente começaria nesse momento.

Depois de um tempo acabei aprendendo a gostar de outras variedades, como o gelado, o sem açúcar - embora há quem diga que o com açúcar é a variação -, além do indefectível capuccino, é claro.

Mas você deve estar se perguntando porque eu fiz esse rápido quadro da participação dessa bebida na minha vida. Na verdade, nada demais. Só porque descobri que hoje é o Dia Mundial do Café.

Inclusive, daria pra falar muito mais ainda, mas chega de prosa por enquanto, porque eu vou ali tomar um cafizim...

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Filmes do mês de março (01 a 28/03/2009)

Eu sei que prometi fazer posts semanais, mas março realmente não contribuiu. Acabei assistindo pouquíssimos filmes na primeiras três semanas.

Mas como na última semana o projeto rendeu, ela ficará numa postagem à parte, como previsto originalmente.



Dois na gangorra (Two for the Seesaw, 1962) - 3/5
Dirigido por Robert Wise. Com Robert Mitchum, Shirley MacLaine, Edmon Ryan.
Quando sua esposa pede o divórcio, o advogado Jerry Ryan (Robert Mitchum) abandona a carreira no Nebraska e parte para Nova Iorque, onde viverá no desespero da solidão até conhecer Gittel Mosca (Shirley MacLaine), uma dançarina que vive de pequenos trabalhos e leva uma vida bastante singular.

Assisti esse no ônibus, numa das idas ao Rio de Janeiro. É uma comédia à moda antiga, diferente dessas que nos acostumamos a ver hoje em dia. Chamar de comédia romântica é perigoso, já que tal rótulo lembra obras que pouco se identificam com essa. A beleza dela está justamente no fato de ser uma comédia leve, com um argumento simples e bem desenvolvido, com personagens interessantes e pelas boas sacadas - como a divisão de cenário nas conversas pelo telefone. Ah, e pelo final também.


Quem quer ser um milionário? (Slumdog Millionaire, 2008) - 5/5
Dirigido por Danny Boyle, Loveleen Tandan. Com Dev Patel, Anil Kapoor, Saurabh Shukla.
Jamal Malik (Dev Patel), um órfão de 18 anos das favelas de Mumbai, está a apenas um passo de ganhar o surpreendente prêmio de 20 milhões de rúpias em um programa de televisão. Preso sob suspeita de ter trapaceado, ele conta à polícia sua incrível história de vida como um menino de rua e sobre a garota que tanto ama. Mas o que um jovem sem nenhum interesse em dinheiro estaria fazendo nesse programa? E como é possível que ele soubesse todas as respostas?

Muito divertido, mas ao mesmo tempo dramático e empolgante, esse foi uma surpresa pra mim. A qualidade de sua edição é impressionante. Se contar bem uma história, desenvolver a trama e os personagens já é um trabalho bem complicado, imagine então uma narrativa que vai e volta no tempo sem confundir o espectador e, ao contrário, deixá-lo maravilhado. É um mérito e tanto. Um excelente filme que pode ajudar a romper preconceitos que alguns nutrem por estéticas não-hollywoodianas.


O homem que não estava lá (The Man Who Wasn't There, 2001) - 4/5
Dirigido pelos irmãos Coen. Com With Billy Bob Thornton, Frances McDormand, James Gandolfini, Scarlett Johansson, Tony Shalhoub.
Ed Crane (Billy Bob Thornton) é um taciturno barbeiro casado com Doris (Frances McDormand), uma mulher que provavelmente o está traindo com o chefe (James Gandolfini). Quando uma oportunidade de investimento em um negócio promissor surge, Ed tem a idéia de chantageá-lo para conseguir os $10 mil necessários.

Como tantos outros dos irmãos Coen, esse filme é único. Sua atmosfera tem um quê de noir, mas não se rende aos clichês do gênero, focando bastante no desenvolvimento do personagem Ed Crane. Aliás, a escolha de Billy Bob Thorton para o papel foi um tiro certeiro. Competente, o ator consegue transmitir todo o sentimento do título: um sujeito que está passando pela vida sem se fazer notar, alguém que vem mais existindo do que vivendo. Quando a chance de fazer algo diferente surge diante dele, toda a harmonia do lugar é quebrada e muita coisa começa a dar errado. O fato d'ele ser inerte é tão parte da equação que quando resolve agir, aquela frágil (e falsa) perfeição começa a se quebrar e as falhas de caráter de todos começam a surgir. Uma obra que nos mostra que, na vida, vez ou outra a gente acaba desestabilizando algumas equações - ou sendo parte delas.


Vistos novamente


Uma noite alucinante 3 (Army of Darkness, 1992) - 4/5
Dirigido por Sam Raimi. Com Bruce Campbell, Embeth Davidtz, Marcus Gilbert.
Ash (Bruce Campbell) é acidentalmente enviado para o século XIII, quando foi profetizado que alguém viria para encontrar o Necronomicon, o Livro dos Mortos. Essa pessoa lideraria a batalha dos humanos contra os Deadites, seres da Escuridão que também estão atrás do livro.

Nem acreditei quando, chegando de viagem, liguei a TV e vi que esse filme começar. Acho que já eram passados uns doze anos desde que vi pela primeira e única vez. O pior (ou melhor) de tudo é que eu lembrava de várias cenas e falas e não resistia a rir antecipadamente, por já saber o que iria acontecer. É um clássico absoluto do humor trash. Quem só conhece Sam Raimi pelos filmes do Homem-Aranha precisa dar um jeito de conhecer a trilogia (talvez, futura quadrilogia) "Evil Dead".


Os puxa-sacos (Greedy, 1994) - 3/5
Dirigido por Jonathan Lynn. Com Michael J. Fox, Kirk Douglas, Nancy Travis.
Um grupo de parentes gananciosos sonha em conseguir a herança do rico e velho tio (Kirk Douglas), brigando entre si para caírem nas boas graças dele. Enquanto isto, o homem sabe que está cercado de abutres que, se puderem, o colocam em um asilo para botar logo a mão na grana. Assim, sua saída é um plano para descobrir quem o ama de verdade.

Não é sempre que a gente tem a oportunidade de pegar um trabalho do Kirk Douglas passando na TV. Ele anda um tanto afastado das câmeras ultimamente e, apesar de já ter quinze anos, essa película está entre os seus últimos cinco trabalhos para o cinema. O papel do velho por vezes ranzinza, por vezes abobalhado, mas que é, na verdade, um tremendo de um esperto, é interpretado com maestria. A gente até esquece do Michael J. Fox, que, apesar de ser um ator competente, some da tela quando perto do eterno Spartacus. A revelação final é uma das mais hilariantes que já vi.


Dominação (Lost Souls, 2002) - 1/5
Dirigido por Janusz Kaminski. Com Winona Ryder, Ben Chaplin, Sarah Wynter, Philip Baker Hall, John Hurt.
Maya Larkin (Winona Ryder), uma jovem e religiosa mulher, é o alvo perfeito para o demônio tome conta de seu corpo e passe a vagar livremente pela face da terra. Mas, por ser protegida pelo Padre Lareaux (John Hurt), que convence um grupo de padres de que o Anticristo voltará à Terra na pele de Maya, o demônio desiste da possessão e parte para um novo alvo: o jovem escritor Peter Kendell (Ben Chaplin), a quem Maya deve alertar sobre o perigo que está correndo.

Sério que esse filme era pra ser terror? Não funciona nem como thriller. Tampouco como drama. O clima soturno é até legal, mas a história não ajuda. Acho que a premissa até daria um filme razoável em mãos mais competentes, mas tudo é muito mal conduzido. Da outra vez que assisti estava com muito sono e julguei ter sido essa a razão de não ter gostado. Vendo novamente - e bem acordado - não teve pra onde correr: é fraquíssimo. Nem vou comentar as interpretações. Todas pífias e eclipsadas pelo grande mérito dessa película: o John Hurt.


A Cartada Final (The Score, 2001) - 4/5
Dirigido por Frank Oz. Com Robert De Niro, Edward Norton, Marlon Brando.
Nick Wells (Robert De Niro) é um criminoso profissional que decidiu abandonar a vida de crimes, após quase ser capturado em seu último assalto. Mas Max (Marlon Brando), seu amigo e financiador, lhe faz uma oferta impossível de recusar: o roubo de um histórico cetro guardado num dos cofres mais seguros do país, que vai lhe render o suficiente para o resto da vida. Para realizar o trabalho ele precisará quebrar sua própria regra e trabalhar com um cúmplice, Jackie Teller (Edward Norton), um jovem, talentoso e agressivo ladrão.

Todo mérito ao gênio que conseguiu juntar Norton, DeNiro e Brando em um filme. Só a idéia já era suficiente pra criar um desequilíbrio na Força. Colocar esses três grandes atores, de três gerações, juntos em cena é um marco. Pra completar a brincadeira, a história é de golpe/assalto - um dos tipos que mais gosto. Comentar sobre DeNiro e Brando é chover no molhado, mas preciso destacar que é impressionante a interpretação do Norton, principalmente quando está disfarçado como um faxineiro com deficiência motora (o que acaba me lembrando Verbal Kint, personagem de Kevin Spacey em "Os Suspeitos", mas não quero tecer comparações).

domingo, 5 de abril de 2009

Álbuns da minha vida: Nirvana - MTV Unplugged in New York


Hoje completaram-se quinze anos de morte do Kurt Cobain.

Não lembro das notícias da época em que isso aconteceu. Não conhecia o Nirvana e, pra dizer a verdade, quase nada de rock. Meu primeiro contato com a banda foi uns quatro ou cinco anos depois da morte dele.

Nessa época eu já morava em outra cidade, estava começando a gostar de rock e muitos conhecidos meus ouviam a banda e idolatravam o cara. Contavam como ele era um grande poeta, sobre como influenciou toda uma geração e de sua importância para a juventude. Coisas de fãs.

Acabei ouvindo bastante Nirvana nessa época, mas a banda não conseguiu me cativar da mesma forma que as demais que conheci mais ou menos ao mesmo tempo, como Guns N' Roses, Led Zeppelin, Iron Maiden e, claro, Black Sabbath.

Não que o som dela fosse ruim. Simplesmente não teve o mesmo efeito que as demais, de forma que acabei deixando de ouvi-la aos poucos, até que um dia era apenas uma lembrança de tempos passados.

Isso até o dia em que, tendo mais uma vez mudado de cidade, caiu na minha mão o MTV Unplugged in New York. Sei lá por que razão eu não o tinha ouvido antes, mas foi um choque. Foi um desses discos que batem nos ouvidos e causam um efeito único.

Se não fosse por esse disco, acho que nunca voltaria a ouvir a banda. De fato, ouço muito pouco os demais - quase nada se comparado a esse. Gosto sim das músicas com pegadas mais pesadas, mas esse álbum acústico é inigualável.

É muito diferente do som pesado que a banda fazia tradicionalmente. Dá para prestar mais atenção nas letras e no sentimento que Kurt colocava na interpretação das músicas.

Só algum tempo depois fiquei sabendo de toda a mística que envolvia a preparação do show. De como o vocalista acertou muita coisa para dar um clima de velório - o seu próprio. Apenas mais um detalhe que torna esse um álbum monumental, sem dúvida.




Quem me conhece sabe o quanto gosto de música. Por isso já vinha pensando em começar a postar aqui sobre alguns álbuns que considero importantes para mim. Queria começar com outro, mas aproveitando a data, taí o primeiro post da série Álbuns da minha vida.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Rammstein - Benzin



Gib mir Benzin!

Um mês de março quase desperdiçado.

domingo, 29 de março de 2009

George Lucas in Love



Como é que eu nunca tinha visto isso antes?! Obrigatório para qualquer fã de Star Wars!

quarta-feira, 25 de março de 2009

Meme da quinta linha

Recebi do Rodrigo Manhães o meme da quinta linha. A idéia é postar a frase que estiver nessa posição em uma página qualquer de um livro que esteja lendo atualmente.

Ele me mandou no sábado, mas como eu não estava lendo nada no momento - havia concluído "O velho e o mar", do Hemingway, no dia anterior - e queria fazer o negócio direito, só sigo com a brincadeira agora:

- Esse uivo não vem dos cães - replicou inquieto o velho guia. - São lobos dos juncos; podem estar em nosso encalço; e seria bom que os cavalheiros preparassem suas armas de fogo.

A frase foi retirada da história "O estranho misterioso" e está na página 19 do livro "Contos de Vampiros", da Pocket Ouro.

Comprei esse exemplar na rodoviária do Rio de Janeiro, quando voltava de Curitiba. Sempre fui fascinado pelo tema e acabei não resistindo a conferir a seleção feita por Flávio Moreira da Costa.

Darei mais detalhes sobre o título num post específico a ser feito quando acabá-lo.

Agora, passo o meme pra Raquel, César, João e Gustavo.

TV experimental tupiniquim

Ontem fui almoçar no restaurante em frente à empresa. Como de rotina, cumprimentei os funcionários, fiz meu prato, e sentei. Enquanto tirava os talheres do saquinho plástico, olhei para TV, de reflexo, e parei por um instante.

A tela exibia uma mulher de longos cabelos pretos sentada, lendo um livro de capa azul. A cena é mostrada pela mesma câmera por um longo tempo antes de ser cortada para uma outra que, por sua vez, também demoraria a ser substituída por um novo ângulo. O silêncio é constante na transmissão.

A essa altura já havia esquecido do meu prato. Fiquei mesmerizado, tentando entender o que via. Seria uma nova forma de teledramaturgia? Um comercial modernoso? Talvez uma campanha em prol da leitura!

Em meio a esses devaneios a cena é substituída.

Desta vez, um homem está deitado e dormindo. O enquadramento mostra apenas seu braço sobre os olhos, em defesa contra a claridade do quarto. Aos poucos a tomada vai se abrindo e revela um pesado cobertor, paredes revestidas com motivos de gosto duvidoso, uma série de espelhos e, por fim, outra cama, onde dorme uma mulher.

A câmera gira - o silêncio ainda é absoluto - e revela mais camas, com outras pessoas dormindo.

"Será uma república estudantil? Uma casa de praia? Um albergue?", me pergunto.

Novamete, em meio a minhas ponderações, a imagem escurece, mas dessa vez é o intervalo. Assim, volto ao meu prato, já tendo esquecido daquilo que vira até o fim da refeição.

E esquecido permaneceria, se não fosse almoçar lá novamente hoje, no mesmo horário, na mesma mesa, defronte à mesma TV.

Mais uma vez sou traído pelo reflexo e olho para o aparelho. Para minha surpresa, a temática do dia anterior parece se repetir, embora não as mesmas situações.

Hoje não há uma mulher de longos cabelos pretos sentada e lendo, mas um homem loiro em pé, preparando o que julguei ser um suco de laranja. Não posso dizer se era o mesmo que estava dormindo ontem.

Fico imaginando se aquilo seria um contraste proposital. Algum tipo de antítese de gênero e posição deliberadamente inserida. Não tenho como confirmar, por isso sigo assistindo.

O registro da obtenção do suco é feito ao longo de um tempo que julgo ser de minutos, capturado por várias câmeras que vão se alternando sem um padrão perceptível. O ponto de vista vai se movendo, abre e fecha, muda da frente para o lado, do lado para cima e, novamente, para a frente, até que, por fim, a tarefa é concluída, o homem sorri e a imagem escurece.

Estou paralisado.

O que raios quer dizer aquilo?! Que tipo de subtexto estaria cifrado naquelas imagens? Haverá alguma mensagem de vital importância escondida, colocada ali para que algum sagaz telespectador a desvende?

Pior! Seria eu o responsável por aquilo? Tendo repetido as mesmas condições do dia anterior haveria repetido também algum tipo de conjunção mística entre eu, o restaurante, a mesa e a TV, de forma a interferir em sua programação?

Não acredito nessas coisas, por isso tal teoria é logo descartada, ao mesmo tempo em que uma nova se forma: é algum tipo de experiência para promover a criação de uma nova linguagem televisiva!

Isso me traz à mente o clássico (e um tanto folclórico) filme mudo experimental soviético "Um homem com uma câmera", de 1929, do diretor Dziga Vertov, em que o cineasta registra cenas cotidianas de cidades daquele país. Sem roteiro, sem intertítulos, sem atuação e sem cenários definidos.

Começo a me empolgar com a idéia de que, finalmente, a enfadonha e repetitiva mídia televisiva foi buscar algo diferente justamente no obscuro e curioso cinema experimental soviético. Penso que talvez seja o prenúncio de uma nova era de experimentação na TV brasileira quando meu pai se aproxima e senta, já falando: "Esse Big Brother é muito chato mesmo. A mesma coisa todo ano."

Concordo de imediato, levando a comida à boca em seguida - mas sem deixar de registrar a nota mental de que preciso assistir "O Encouraçado Potenkim" novamente e, por via das dúvidas, da próxima vez que for ao restaurante vou almoçar um pouco mais cedo, em outra mesa e de costas para a televisão.

domingo, 22 de março de 2009

Jorge Luís Borges: "O Livro de Areia"

Foto de Jorge Luís Borges
Voltando das férias, me desfazia dos jornais velhos acumulados na minha ausência quando abri um deles na seção de literatura e me deparei com uma nota sobre "O Livro de Areia", de Jorge Luís Borges. Foi então que bateu aquele estalo: eu nunca havia lido nada dele!

Acho que a primeira vez que ouvi falar de Borges foi quando comprei "As Crônicas Marcianas", de Ray Bradbury. A garota do caixa da livraria comentou que o prefácio da edição era dele e que, embora não conhecesse o autor, leria só por ter a chancela do argentino.

Isso fez bater a curiosidade de ler algo do sujeito, mas ele acabou mesmo foi caindo no limbo da memória - se juntando a tantos outros autores que ainda espero o momento certo para ler - e de lá acabou finalmente resgatado por essa nota no jornal.

Comprei "O Livro de Areia" e comecei a ler, mas precisei parar, retomando-o apenas na auspiciosa sexta-feira 13 desse mês, quando pude, enfim, aproveitar a obra com calma, de ponta a ponta.

Isso fez toda a diferença, pois a cada página o autor puxa o gatilho de uma metralhadora de reflexões que acertam o leitor causando um efeito impactante. Classificá-las meramente como "frases de efeito" seria reduzir palavras impressionantes a um rótulo puído.

Borges consegue construir seus contos de forma fascinante, tanto pela qualidade da redação quanto da imaginação. Ambas nos transportam a cenários dos mais tradicionais aos mais peculiares, enquanto narram acontecimentos fantásticos com uma maestria ímpar.

Espero que a diversidade e a qualidade presente nesse pequeno livro seja constante na sua obra - e já me garantiram que é -, pois pretendo voltar a explorá-la em breve.


Atualização (24/03/2009): Por vezes me surpreendo como a memória da gente - pelo menos a minha - é um poço sem fundo, por vezes difícil de resgatar certas informações.

Conversando com a Raquel sobre o poema "O Corvo", do Poe, me lembrei de uma crônica do Luís Fernando Veríssimo lida lá pelos idos da oitava série e que citava a referida ave.

Aliás, lembrava de todo o contexto: o autor jogava xadrez contra um adversário que falava coisas altamente viajantes e referenciava livros durante a partida. Só não conseguia lembrar quem era a contraparte.

Buscando a crônica para reler, tomei um susto: era o Borges!

sábado, 14 de março de 2009

domingo, 8 de março de 2009

quinta-feira, 5 de março de 2009

Filmes de fevereiro (01 a 28/02/2009)

Diferente do que venho fazendo - postar os filmes assistidos semanalmente - vou comentar os poucos que pude conferir em fevereiro num post só, sem divisão por semana. Na próxima, volto às postagens normais - se é que isso existe aqui...



Salvador - O martírio de um povo (Salvador, 1986) - 4/5
Dirigido por Oliver Stone. Com James Woods, James Belushi, Michael Murphy, John Savage.
O desacreditado repórter fotográfico Richard Boyle (James Woods) está com sérios problemas profissionais e pessoais quando resolve viajar para El Salvador como correspondente estrangeiro em companhia de um amigo (James Belushi). Ambos encontrarão um país em plena guerra civil, onde os direitos humanos não são respeitados e crianças, mulheres e clérigos são assassinados sem a menor cerimônia e com total impunidade.

A história é retratada de forma crua e por várias vezes eu me perguntei porque sabia tão pouco sobre o que aconteceu ali - inclusive não lembro de uma aula sobre isso, enquanto tivemos tantas sobre outros conflitos da Guerra Fria. O James Woods está excelente no papel de Boyle. O cinismo do seu personagem frente à vida, gradativamente vai se transformando em comoção pelos problemas vividos por aquele país e pelas atitudes tomadas pelos políticos do seu. Passados mais de vinte anos de seu lançamento é estranho que esse filme não seja tão conhecido por aqui quanto os demais do diretor e uma pena que venha a fazer companhia a outros bons títulos que se escondem nos cantos empoeirados das locadoras.


Cada um vive como quer (Five Easy Pieces, 1970) - 4/5
Dirigido por Bob Rafelson. Com Jack Nicholson, Karen Black, Billy Green Bush.
Robert Eroica Dupea (Jack Nicholson) é um talentoso pianista clássico que rejeita seu modo de viver e passa a trocar constantemente de emprego e de relacionamentos. Enquanto trabalha em um campo de petróleo e é infiel com Rayette Dipesto (Karen Black), sua namorada - uma mulher sexy mas pouco inteligente - Robert fica sabendo que seu pai está morrendo e decide voltar para casa, em companhia de Rayette. Quando chega ao seu destino conhece Catherine Van Ost (Susan Anspach), uma sofisticada mulher que o deixa dividido.

É bastante relevante para quem gosta de cinema poder assistir os trabalhos mais antigos de grandes atores. Se for do Jack Nicholson, é ainda mais curioso. Extremamente competente, como de costume, ele me fez gostar de um filme que, sendo com outro no papel, dificilmente me agradaria, dado o ritmo mais lento e arrastado da história. A personalidade conflitante do personagem, suas inseguranças e a dificuldade de se encontrar na vida são características que sua interpretação conseguem destacar com maestria. Isso é muito importante em uma obra que se pauta no desenvolvimento do personagem.


O homem que desafiou o Diabo (2007) - 2/5
Dirigido por Moacyr Góes. Com Marcos Palmeira, Flávia Alessandra, Lívia Falcão, Fernanda Paes Leme.
Zé Araújo (Marcos Palmeira) é um caixiero-viajante que, ao chegar em Jardim dos Caiacós, acaba seduzindo Dualiba (Lívia Falcão), a filha de um comerciante turco, e é obrigado a casar com ela. Isso transforma Araújo em um escravo do sogro, nos negócios, e da mulher, na cama. Quando ele percebe que está se tornando motivo de piada na cidade, resolve acabar com essa vida e começar uma nova. Desta vez, como Ojuara, herói solitário, movido a cachaça, sempre à procura de mulheres e metido em confusões até com o Diabo.

O cinema nacional volta e meia recorre ao regionalismo Nordestino pra fazer filmes de comédia. Os resultados podem ser excelentes, como em "O Auto da Compadecida", bons, como "Lisbela e o prisioneiro", ou fracos, como este aqui. A história é boba, as tiradas, fracas. É tudo muito forçado, principalmente o sotaque mal representado por alguns atores. A grande surpresa aqui fica na participação do Otto (sim, o cantor), que me arrancou algumas gargalhadas - talvez mais pela surpresa do que pela situação em si.


Anaconda 3 (Anaconda III, 2008) - 1/5
Dirigido por Don E. FauntLeRoy. Com Crystal Allen, David Hasselhoff, John Rhys-Davies.
Em um laboratório de pesquisas secretas no interior da Europa, duas cobras gigantescas são submetidas a testes para a criação de uma vacina. Quando o gerente de finanças complica o experimento, as cobras escapam. Elas estão famintas e vão direto para onde está a civilização. E tem mais: logo uma das cobras vai ter sua ninhada. Começa então a corrida contra o terrível avanço dos animais antes que elas cheguem à cidade.

Sim, é uma porcaria e perdi meu tempo. Mas tava sobrando...


Vistos novamente



O Clã das Adagas Voadoras (Shi mian mai fu, 2004) - 5/5
Dirigido por Zhang Yimou. Com Takeshi Kaneshiro, Andy Lau, Ziyi Zhang.
No ano de 859 a China passa por terríveis conflitos. A outrora próspera dinastia Tang está decadente. Corrupto, o governo é incapaz de lutar contra os grupos rebeldes, sendo O Clã das Adagas Voadoras o mais poderoso e prestigiado deles. Leo (Andy Lau) e Jin (Takeshi Kaneshiro), dois soldados do exército oficial, recebem a missão de capturar o misterioso líder do clã e, para tanto, elaboram um plano: Jin se disfarça como um combatente solitário, ganha a confiança da bela revolucionária cega Mei (Zhang Ziyi) e, assim, infiltra-se no grupo. Mas a dupla não contava com a paixão que Mei despertaria nos dois.

Engana-se aquele que acha que é puramente um filme de artes marciais. Este é uma película sobre o amor tornado impossível pelos sentimentos de dever e honra aos quais os personagens estão atrelados e seus desdobramentos. As lutas são coreografadas quase como se destinadas a um espetáculo de dança - com direito às tradicionais hipérboles do cinema oriental, tão mal compreendida por muitos - e encaixam-se perfeitamente na trama. Da história à produção, o resultado é um filme belíssimo.


Comando para matar (Commando, 1985) - 3/5
Dirigido por Mark L. Lester. Com Arnold Schwarzenegger, Rae Dawn Chong, Dan Hedaya.
John Matrix (Arnold Schwarzenegger) é um coronel aposentado há dez anos que vive para Jenny (Alyssa Milano), sua filha. Repentinamente ela é seqüestrada por Arius (Dan Hedaya), um ex-ditador latino-americano que espera recuperar o poder, e que para isto chantageia Matrix, ordenando-o que mate o presidente Velasquez, o atual mandatário. Mas John foge do avião e tem só 11 horas para resgatar Jenny antes que descubram que escapou e não pretende cometer nenhum assassinato. Na sua tentativa só encontra obstáculos pelo caminho e a única pessoa que fica do seu lado é Cindy (Rae Dawn Chong), uma aeromoça.

Um ótimo filme para assistir sem precisar pensar muito. É bastante divertido assistir o Matrix dando cabo de tudo e de todos das formas mais exageradas, criativas e, por vezes, divertidas. A galeria de personagens também é um show à parte - principalmente o arqui-inimigo, um Freddie Mercury psicopata e bombado. Sem dúvida, ação pra quem gosta de rir - mesmo que não seja um título classificado como comédia.

domingo, 1 de março de 2009

Iron Maiden - Wasted Years



E lá se foi Fevereiro...

Dominó

Sentado à frente do jovem, do outro lado da mesa, o ancião olha para as duas peças pretas ocultas em sua mão esquerda. Calmamente estica o pescoço e confere as cabeças das duas fileiras formadas por outras peças, dispostas paralelamente sobre a mesa de madeira.

Torna a olhar aquelas em sua mão e, decidido, pega uma com a outra mão e coloca na ponta escolhida. Olha para o jovem diante dele e, com um meneio de cabeça seguido de uma curta risada, transmite a confiança de ter feito a jogada certa.

Empolgado com o cenário criado pela jogada, o jovem ergue o máximo que pode o braço direito e exibe em sua mão arqueada a única peça preta que lhe restou, com a face oculta pelos quatro dedos e apoiada nas costas pelo polegar. Olha para o homem calvo com um grosso bigode à sua esquerda e diz: "Bote a minha! Só entra ela!"

Exibindo um incontido riso de desgosto, prevendo o que viria, o homem calvo olha para seu parceiro de óculos na outra ponta da mesa. Ele também já apresenta expressão semelhante e, certo de que não há mais o que ser feito, aquiesce. O homem de bigode, então, coloca a peça no lugar adequado, deixando ambas as cabeças com o mesmo naipe.

O jovem abre um largo sorriso, olha para o ancião à sua frente, para o homem calvo à sua esquerda e para o homem de óculos à sua direita, desce o braço pesadamente sobre a mesa, fazendo um estrondo que ecoa por todo o recinto e sacode as peças das fileiras. Rapidamente recolhe e cerra a mão, puxando-a para trás, apenas para voltar com o dedo em riste apontando para a carroça daquele naipe.

Cruzada. Buchuda. Alvoroço.

"Entra outro!", grita alguém de fora.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

domingo, 22 de fevereiro de 2009

SMS

Ouve o som. Corre a mão ao celular. Aperta o botão branco. Lê a mensagem.

Ri.

Aperta novamente o mesmo botão. Usa as teclas em uma sequência aparentemente aleatória, indo e vindo entre elas, usando algumas mais de uma vez.

Lê.

Apaga.

Faz outra sequência de tecladas. Ri novamente.

Volta a apertar aquele botão. Senta-se na poltrona e fecha os olhos. A mente vai longe. Ainda segura o aparelho.

Aguarda.

Sente a vibração na mão e ouve o mesmo som.

Recomeça.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

"As melhores crônicas de Fernando Sabino"

Quando vim passar uns dias na casa dos meus avós, trouxe alguns livros achando que conseguiria lê-los no sossego noturno, isolado como fiquei das outras vezes em que aqui estive. Acontece que, para minha surpresa, certas coisas haviam mudado e esse sossego - que tanto prezo na hora de uma leitura mais contínua - era coisa do passado.

Me vi com romances de longos parágrafos e capítulos que não se adequavam à frágil e inconstante atmosfera para a leitura com a qual me deparei. Certo de que encontraria o mesmo cenário experimentado tantas vezes antes, não trouxe nenhuma alternativa para matar a vontade de usar o tempo ocioso para correr os olhos por algumas linhas de texto.

Após uma semana sem avanços, consegui comprar o livro "As melhores crônicas de Fernando Sabino". Optei por ele porque precisava de um título formado de textos curtos, adequados a uma leitura mais fragmentada. Além disso, crônica é um gênero que me agrada bastante e o autor é um de seus maiores expoentes.

Lembro que durante certo tempo imaginei ter tomado gosto por crônicas através da obra do Luís Fernando Veríssimo, mas quando exigi mais da memória, percebi que já esbarrara em dois textos do Sabino em meus anos de escola, ainda em Minas Gerais, e gostara bastante, chegando, inclusive, a lembrar trechos deles.

Me deparei com um deles, "Minha última crônica", enquanto lia a coletânea "As cem melhores crônicas brasileiras". Para minha surpresa, era aquele mesmo texto que entalhara trechos no fundo da minha memória desde a aula de redação da sétima série, mas que sempre amarguei não lembrar o título.

Comentar a qualidade da obra de Sabino é chover no molhado. Sua visão sensível dos acontecimentos do cotidiano é capaz de transformar o mais banal dos fatos em uma crônica memorável. Ademais, é muito prazeroso ler os causos oriundos das suas amizades com outros nomões das artes brasileiras e enxergar as mais diversas situações pelo humor agradável produzido pela sua pena, às vezes sutil, às vezes mais sarcástico.

Ter acesso a cinquenta de seus melhores textos, selecionados pelo próprio, e de uma só vez, "é um prazer inenarrável", como bem diria um amigo.

O único porém da edição está no fato de não contextualizar a época de origem de cada texto. Como o autor produziu muito, ao longo de várias décadas, seria mais enriquecedor ter essa informação. Ajudaria a fazer um paralelo do momento em que tais palavras foram escritas com o que acontecia em sua vida e no mundo.

Apesar desse ponto, o livro é mais que recomendado para os que se interessam pelo gênero ou por uma leitura leve e curta para o dia-a-dia.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Café da manhã em Plutão

Uma gota de suor escorre pela sobrancelha direita. Busca o lenço branco no bolso e passa por todo o rosto, enxugando a pele que logo voltará a ficar úmida - uma resposta natural ao forte calor, típico do local onde está.

Guarda o lenço no mesmo bolso enquanto adentra a cozinha. Busca a garrafa de café e a coloca sobre a mesa. Faz o mesmo com o leite em pó, a colher de café, a pequena xícara azul e um pedaço de pão. Afasta a pesada cadeira de madeira da mesa e senta-se.

Retira a tampa e desenrosca a boca da garrafa. Serve a si mesmo uma modesta dose de café, deixando espaço para o leite, que vem em seguida, em três pequenas colheradas. Só então completa o resto do recipiente com o líquido preto. Mexe e prova. Ao contrário dos dias anteriores, está sem açúcar.

Levanta-se e, com apenas um passo, alcança o armário onde está o adoçante. Pega-o e dá bom dia a um passante. Torna a sentar-se e começa a adicionar com parcimônia ao líquido agora marrom as doces gotas incolores, contando cada uma delas como um relógio conta os segundo. Lembra da época em que a simples menção a café com adoçante era suficiente para causar uma revolta sem igual. Não que tenha passado a gostar magicamente, mas achou por bem cortar mais essa dose de glicose do cotidiano.

Prova novamente. Claro que não se compara aos que bebera nos dias anteriores, mas já se conformou com isso há tempos, de forma que esse é apenas mais um café que entra para o rol dos rotulados como "aceitável".

Enrosca novamente a boca da garrafa, coloca a tampa, pega um pedaço do pão e começa a mastigar. Bebe o café e olha para a curta faixa de céu acima do telhado do vizinho, visível pela janela à sua frente. Pensa em uma música qualquer enquanto toma outro gole e come mais um pedaço do pão.

Eis que, afinal, aquele inexorável turbilhão de devaneios finalmente chega. Se vem convidado pela cafeína, aproveitando o raro momento de silêncio do lugar e pegando carona no sentimento de distância e descontexto que confluíram naquele momento, ele não sabe. Mas ali está, remanescente da fina lâmina de café no fim da xícara e sobrevivente à sua extinção.

Começa, então, a preparar outra dose, igual à anterior. Repete o ritual da garrafa, do leite, do adoçante e mergulha nela e em suas elucubrações. Pensa no que foi, no que é, no que será, no que seria, no que poderia, no que poderá, no que não foi, no que não é, no que não será, no que não seria, no que não poderia, no que não poderá e em todas as variações temporais e condicionais que consegue imaginar.

A cabeça baixa posiciona os olhos de maneira que eles miram o recipiente azul. Lembra-se de algumas histórias que passaram por esses mesmos olhos antes, seja em filmes, séries ou livros, mas que, de repente, parecem fazer mais sentido agora do que das outras vezes. Relembra o adágio de que "a ignorância é uma bênção". Discorda, mas deixa escapar um inconsciente riso no canto da boca.

A segunda dose encerra-se após alguns longos minutos, mas ainda não é suficiente. Prepara a terceira, repetindo religiosamente os passos anteriores apenas para perde-se em novos devaneios.

Eles o levam para longe... Para muito longe... Vê, então, os objetos à sua frente sumindo, as paredes se afastando, o ambiente se abrindo e escurecendo paulatinamente. De repente, o céu não é mais azul, mas negro como o canto mais escuro do cosmos. Olha para cima e em meios às estrelas do céu, três pontos brilham mais forte. Logo percebe que deixara a Terra e se encontrava em algum gélido ponto do espaço.

Termina de tomar o café, levanta-se e vai caminhar sozinho no planetóide, sumindo no frio deserto escuro enquanto, sem que ele saiba, a voz de Rod Serling faz o tradicional comentário que finaliza todos os episódios de "Além da imaginação".

O caminhante pára. Jura ter ouvido à distância o fascinante e incômodo tema do seriado. Dá de ombros e segue.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Filmes da semana (25 a 31/01/2009)

The King of Kong (The King of Kong: A Fistful of Quarters, 2007) - 4/5
Dirigido por Seth Gordon. Com Steve Wiebe, Billy Mitchell, Walter Day.
Documentário que acompanha a luta de Steve Wiebe para quebrar o recorde mundial do jogo arcade "Donkey Kong" que até então pertencia a Billy Mitchell. Através de filmagens recentes e de arquivo, revela um curioso mundo repleto de pessoas que dedicam suas vidas aos jogos eletrônicos antigos, sejam como jogadores, juízes ou organizadores de ligas profissionais. Entre elas, a Twin Galaxies - e seus estranhos coordenadores - que, desde o início da mania por video-games, mantém um ranking mundial responsável por verdadeiras batalhas entre os jogadores aficcionados do mundo todo.

A razão que me levou a assistir esse documentário é o meu fascínio por jogos eletrônicos, que fazem parte das minhas memórias mais antigas. O resultado é empolgante, divertido e curioso. Não foram poucas as vezes que percebi estar torcendo pelo perseverante Steve Wiebe e execrando o Billy Mitchell - assista e verá que não são poucas as vezes que isso acontecerá. Será que foi essa a imagem que o documentário quis passar? Será isso de verdade? Ou será que me deixei levar pelo clima de disputa de um homem contra toda uma panelinha de asseclas do intocável campeão? A construção da narrativa é muito boa, retratando os vários sucessos de Steve indo por água abaixo, até o clímax sensacional, de arrancar um palavrão. Não lembro qual foi a última vez que me diverti tanto assistindo um documentário, por isso fica a dica.


Vistos novamente



Monty Python - Em Busca do Cálice Sagrado (Monty Python and the Holy Grail, 1975) - 6/5
Dirigido por Terry Gilliam, Terry Jones. Com Graham Chapman, John Cleese, Eric Idle, Michael Palin.
Rei Arthur (Graham Chapman) viaja pela Inglaterra reunindo nobres cavaleiros para fazer parte de sua Távola Redonda. Após reunida, eles recebem uma tarefa de Deus: encontrar o Cálice Sagrado.

Não vou nem me dar ao trabalho de comentar esse filme. Se você não viu ainda, pegue os cocos e galope até a locadora. NI!



Antes que perguntem, sim, eu só assisti esses dois filmes na semana passada. E esta semana não deve ser diferente. A razão? Estou assistindo muitos episódios de Arquivo X.

Também não sei se vou conseguir postar filmes no resto do mês, pois viajarei - se os planos não forem adiados pela quarta vez. Mas estou com algumas idéias para esses posts semanais que pretendo botar pra frente quando retornar.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

George Harrison - Any Road



Janeiro foi um mês deveras estranho...

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Filmes da semana (18 a 24/01/2009)

A Intérprete (The Interpreter, 2005) - 2/5
Dirigido por Sydney Pollack. Com Nicole Kidman, Sean Penn, Catherine Keener.
Após ouvir uma ameaça a um chefe de estado africano, dita em um raro dialeto, a intérprete da ONU Silvia Broome (Nicole Kidman) se envolve acidentalmente em uma conspiração e tem sua vida ameaçada. Designado para investigar o caso, o agente do Serviço Secreto Tobin Keller (Sean Penn) suspeita dela e resolve investigar seu passado e seus relacionamentos com o político ameaçado.

O argumento do filme é promissor, mas se perde no ritmo arrastado com que é conduzido. A lenta construção tanto da conspiração quanto dos personagens é incômoda. O Sean Penn interpreta um papel que acaba não demostrando toda o talento dele e a Nicole Kidman é uma presença encantadora que não transmite toda emoção que a personagem teria. A idéia que tenho é que o filme poderia ter acabado uns quarenta minutos antes e nos poupar da embromação.


Trovão Tropical (Tropic Thunder, 2008) - 4/5
Dirigido por Ben Stiller. Com Ben Stiller, Jack Black, Robert Downey Jr., Nick Nolte, Matthew McConaughey, Tom Cruise.
Depois que custos elevados e egos inflados ameaçam acabar com a produção do maior filme de guerra da história, o frustrado diretor do projeto se recusa a parar de gravar, levando seu elenco para dentro da selva do sudeste asiático em busca de mais realismo.

As primeiras reações que me chegaram quando esse título foi lançado eram negativas e diziam respeito, principalmente, às piadas sobre pessoas com deficiência intelectual. As seguintes eram exaltações à sua qualidade e comicidade. Acabei ficando curioso para conferir por conta própria e posso dizer que o resultado é uma das melhores comédias dos últimos anos. A sátira que se faz do universo de absurdos que é a indústria cinematográfica é impagável. Seja com a apresentação das curiosas relações que se estabelecem durante as gravações (ator-ator, ator-diretor, diretor-produtor, diretor-roteirista), dos famosos atores estereotipados ou dos absurdos que se passam nos bastidores, tudo ali é para cutucar Hollywood. Inclusive as tão comentadas piadas sobre deficientes intelectuais não eram piadas sobre esses indivíduos, mas sim sobre o péssimo trabalho que os atores fazem ao representá-los. A graça não estava na deficiência em si, mas sim na tentativa infrutífera de um péssimo ator em representá-la de forma apropriada. Minha sugestão é que veja e tire suas próprias conclusões.


Maratona da Morte (Marathon Man, 1976) - 4/5
Dirigido por John Schlesinger. Com Dustin Hoffman, Laurence Olivier, Roy Scheider, William Devane.
O estudante de História e maratonista amador Thomas "Babe" Levy (Dustin Hoffman) vive atormentado com o suicídio do seu pai, perseguido pelo macartismo décadas antes. Seu caminho cruzará o do Dr. Christian Szell (Laurence Olivier), um médico nazista que vive refugiado no Paraguai e controla uma rota de contrabando de diamantes para fora dos Estados Unidos, apoiado por uma organização secreta do governo, na qual trabalha o irmão de Babe, Henry "Doc" Levy (Roy Scheider).

Já peguei várias partes desse filme passando na TV, mas nunca o havia assistido todo. Consegui ver de ponta a ponta essa semana e o resultado não decepcionou: é um excelente thriller. A obra prende a atenção pela trama bem construída e pela atmosfera criada, que faz bom uso de sombras nas cenas noturnas e cinza nas diurnas, diálogos curtos interrompendo longos silêncios e uma constante insegurança, demonstrada em ataques surpresas que criam e tensão e cujo ápice é a angustiante e memorável cena de tortura - que vai me manter afastado dos consultórios dentários por uns tempos.


Força policial (Pride and Glory, 2008) - 4/5
Dirigido por Gavin O'Connor. Com Colin Farrell, Edward Norton, Jon Voight, Noah Emmerich.
A família Tierney é uma dinastia de oficiais, começando pelo patriarca Francis (Jon Voight), passando pelos filhos Francis Jr. (Noah Emmerich), Ray (Edward Norton) e chegando ao genro Jimmy Egan (Colin Farrell). Para eles, o código não tem apenas a ver com trabalho, mas sim com família. Quando uma batida de rotina em um ponto de drogas dá terrivelmente errado, um escândalo de corrupção na polícia acaba se tornando a principal manchete dos jornais. Nomeado investigador do caso, Ray descobre mais do que gostaria, quando percebe que o rastro do crime aponta direto para sua própria casa.

Fui assistir esse daqui sem saber do que se tratava e fui pego por uma ótima surpresa. A trama em que os personagens se envolvem é muito mais familiar do que profissional e elas irão balançar as fundações daquele lar feliz. O que me surpreendeu aqui foi como a câmera nos coloca como um observador quase que em primeira pessoa em muitas das cenas. Várias vezes me lembrei daqueles programas de TV em que a equipe acompanha o trabalho policial, porque pegamos carona no banco de trás dos carros, entramos no elevador, subimos escadas junto com a equipe tática e a câmera constantemente treme e nos dá a idéia de realmente estarmos lá. No quesito atuação, John Voight e Collin Farrel trabalham muito bem, mas o show aqui fica a cargo do sempre competente Edward Norton.


O assassinato de Richard Nixon (The Assassination of Richard Nixon, 2004) - 4/5
Dirigido por Niels Mueller. Com Sean Penn, Naomi Watts, Don Cheadle.
Samuel J. Bicke (Sean Penn) é um perturbado vendedor de móveis de escritório que, em 1972, concebeu um plano para matar o então presidente Richard Nixon. Enquanto seu mundo vai por água abaixo entre divórcios e probelmas no trabalho, ele fantasia que o presidente é seu verdadeiro inimigo. A história de um piloto de helicóptero que conseguiu pousar na Casa Branca lhe dá a idéia de sequestrar um avião para executar seu plano. História inspirada em fatos reais.

A atmosfera dessa película é desoladora. Assistir a queda do personagem é muito triste, mas ao mesmo tempo, fascinante. Tudo por causa da grande atuação de Sean Penn, que conseguiu dar personalidade e alma a Samuel Bicke. Acompanhando sua chegada ao fundo do poço, bem como a cadeia de eventos e pensamentos que o envolvem e como o ator conseguiu expressar isso de forma extraordinária não há como não sentir empatia por ele até mesmo no final, quando ele executa seu plano. O grande mérito desse filme está nisso.


Truck (Teu-reok, 2008) - 2/5
Dirigido por Hyeong-jin Kwon. Com Jin Goo, Yoo Hae-jin, Kim Joon-Bae, Lee Chae-young, Lee Joon Ha.
O caminhoneiro Cheol-min trabalha duro para dar o melhor para sua filha, que sofre de uma doença cardíaca e precisa ser submetida a cirurgia. Para salvá-la, ele precisará levantar urgentemente um quantia absurda, razão pela qual ele acaba se envolvendo com uma perigosa gangue de jogatinas ilegais. Obrigado a fazer um trabalho para ela, sua vida sofrerá mais uma reviravolta quando encontra uma van da polícia acidentada na estrada. E aquilo que já estava complicado toma um rumo ainda pior.

Um suspense coreano com uma trama razoável e atuações aceitáveis, mas que não prende e nem empolga, por isso acaba não merecendo grande destaque. A história é simples e previsível e a linguagem não apresenta nada de chamativo. Ou seja: entretém, mas não chega a ser memorável. O divertido acaba sendo pescar referências a outros filmes, como "Laranja Mecânica" e "A Morte Pede Carona", por exemplo.


Agente 86 (Get Smart, 2008) - 3/5
Dirigido por Peter Segal. Com Steve Carell, Anne Hathaway, Dwayne Johnson.
Quando o quartel-general do "Controle" é atacado e a identidade de seus agentes fica comprometida, o Chefe (Alan Arkin) não tem outra saída senão promover Maxwell Smart (Steve Carell) a Agente 86. Mas, ao invés de trabalhar com o Agente 23 (Dwayne "The Rock" Johnson), como gostaria, sua dupla acaba sendo a única agente cuja identidade não foi descoberta: a bela e mortal veterana Agente 99 (Anne Hathaway).

Taí um filme que promete o que cumpre: ser divertido. Não é uma comédia de gargalhar ou um filme de tiros e explosões gratuitos, mas um meio termo disso. As cenas de ação surpreendem pela qualidade e aquele humor trapalhão com cara séria dão o tom da obra. Steve Carell está excelente no personagem - que é um pouco menos bobo e atrapalhado que o da série -, assim como a belíssima Anne Hathaway. O ponto fraco aqui é a história, que é bem simples e pouco trabalhada, abrindo espaço para as cômicas situações em que os personagens se colocam.