quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Receita para morrer em paz?

"Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas não faz mais do que existir." - Oscar Wilde

Antigamente eu ouvia aquela história de que todo homem, para morrer em paz, deveria plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro.

Embora não saiba a ordem original das obrigações segundo essa expressão, acabei refletindo (viajando?) um pouco sobre ela e imagino que foi pensada justamente nesta ordem.

Plantar uma árvore, a mais simples das três tarefas, seria algo adequado aos primeiros estágios da vida do homem, quando ele aprenderia a responsabilidade que é manter um ser vivo e prover os recursos necessário para sua sobrevivência e desenvolvimento.

Essas noções seriam o embrião das novas responsabilidades que viriam com o nascimento de um filho e com a necessidade de criá-lo de forma responsável, tornando-o capaz de se desenvolver no mundo e - por que não? - o mundo.

Por fim, escrever um livro deveria ser reservado aos estágios finais da existência, em uma espécie de coroação do acúmulo de suas experiências ao longo da vida, que lhe permitiram criar um conhecimento próprio, individual, que seria por ele registrado e perpetrado para as gerações vindouras.

Com este sentimento de dever cumprido, a morte pacífica seria natural.

Claro que isso é uma visão muito rasa desse mundo complexo que a gente vive. Ou talvez nem mesmo rasa, mas sim idealizada. A gente sabe bem que são muitos os que têm filhos, poucos os que plantam árvores e menos ainda aqueles que escrevem livros.

O que me fez lembrar dessas três tarefas foram aquelas listas do tipo "50 filmes para ver antes de morrer", "1000 lugares para conhecer antes de morrer", "1001 discos para ouvir antes de morrer" e "1001 livros para ler antes de morrer".

Conversando com um amigo, comentei sobre como isto era, de certa forma, um sinal dos tempos, um exemplo da sobrecarga de informação a que estamos constantemente expostos, o sentimento de frustração por nunca saber o suficiente, enfim, a ansiedade da informação, uma doença que não por acaso, rima com Sociedade da Informação.

Às portas da morte ter a certeza de que viveu uma vida bem vivida e conseguir ter uma morte pacífica nunca foi uma tarefa fácil em nenhuma época, não tem receita e são poucos os que de fato alcançaram esse objetivo. Contudo, imagino que hoje em dia deve ser ainda mais difícil do que era antigamente, pois há essa enorme quantidade de coisas a fazer, a conhecer e a ter, muito maiores agora do que eram antes, quando costumava ouvir aquela expressão.


Enfim... Esse assunto permite-se enveredar por muitos caminhos. Eu ia escrever mais um pouco sobre isso, mas acho que o texto já começou a ficar longo demais, então paro por aqui.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Porque no te callas?


Apesar de ter meus problemas em aceitar a monarquia, devo dizer que fiquei muito feliz com a posição que o rei espanhol tomou esta semana, fazendo aquilo que muita gente já deveria ter feito há bastante tempo: mandar Hugo Chávez calar a boca.

O filhote de Fidel tem o hábito de abrir a boca para falar besteiras, ironias e provocações, mas os alvos de seus comentários nem sempre se dão ao trabalho de responder. Tudo bem, eu entendo. Tem hora que é melhor deixar o cara fazer papel de bobo sozinho e não dar corda.

Só que de bobo o Chávez não tem nada. E corda, ele já tem até demais. O suficiente para afirmarmos - com o perdão do trocadilho - que ele está com o rei na barriga.

De fato, acho que estamos mesmo é precisando da ajuda do nosso amigo de sempre, o capitão Nascimento para dar um jeito nesse fanfarrão. Sim, porque se tem alguém que deve ser chamado de fanfarrão, é o Chávez.

Já visualizei a cena do ccapitão dando um tapa naquela cara cínica e falando "tira essa roupa vermelha que tu não é comunista. Tu é ditador!", para logo em seguida emendar, com dedo em riste, "pede pra sair!"

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

5 de novembro: "Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós"

Cena do filme V de VingançaNormalmente eu só pensaria neste verso do Hino da Proclamação da República daqui a dez dias - se pensasse -, mas desde o ano passado eu tenho associado estas palavras muito mais ao dia de hoje, 5 de novembro, do que ao vindouro.

Por mais ufanistas que queiramos ser - seja por influência da letra deste hino, seja por vontade própria - não dá para considerar o dia 15/11 como uma data para pensarmos sobre a liberdade e justiça.

E a razão para pensarmos nisso hoje não vem daqui. Vem de longe, de outro país; de uma outra realidade, de um personagem fictício tão nobre quanto os de verdade que serão lembrados daqui a alguns dias gostariam de ser; que usa uma máscara, mas que ainda assim mais transparente do que aqueles que fingem não fazer uso de uma.

Este personagem, V, é mais do que uma pessoa: é, como ele mesmo afirma, uma idéia.

Por isso, hoje é um dia perfeito para refletir sobre essa idéia, personificada no personagem.

Abaixo, um trecho do filme (sem legendas), em que V discursa para Londres sobre o significado do 5 de novembro: