quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Eu não aprendi a amar a bomba e a parar de me preocupar


Parece um chavão para o pessoal que quer ser cool/intelectual/cinéfilo dizer que curte o trabalho de Stanley Kubrick, mas, fazer o quê? Eu curto.

Sua filmografia é muito diversificada, mas existe um trabalho sobre o qual não vejo muita gente comentar: Dr. Fantástico. Não sei a razão disso, mas acho uma pena, já que ele cai como uma luva para o momento atual.

Essa obra de humor negro marcante conta não só com direção de primeira e roteiro cheio de entrelinhas, mas também com três atuações geniais de Peter Sellers.

O que me fez lembrar deste filme hoje foi uma notícia que li relatando algo alarmante ocorrido nos Estados Unidos: um de seus B-52s sobrevoou o país armado com seis mísseis nucleares por engano!

Peraê! As pessoas podem se enganar com muita coisa, mas com armas nucleares simplesmente não dá!

Segundo a matéria: as Forças Armadas mantêm um comando computadorizado e um sistema de controle que rastreia qualquer movimentação de armas nucleares, para que saibam exatamente onde estão a qualquer momento.

Uma vez que os aviões decolaram de Dakota do Norte e o erro só foi descoberto quando eles pousaram na Louisiana, acredito que o sistema não está lá essas coisas. E não estamos falando de sistema de controle de almoxarifado, mas de um que controla as armas nucleares da maior potência militar do mundo!

Mais à frente na reportagem encontramos alguns pontos interessantes:

"Talvez o fator mais preocupante em relação a este incidente em particular seja o fato de que, aparentemente, um indivíduo com autoridade de comando em relação à movimentação dessas armas decidiu que elas deveriam ser deslocadas. [...] É um assunto que envolve comando e controle, e isso leva a um questionamento do sistema, porque se um indivíduo pode fazer isso, quem sabe o que pode acontecer?".


General Jack D. Ripper, do filme Dr. Strangelove
E foi aí que me lembrei do Dr. Strangelove, porque se há uma brecha desse tipo no sistema de controle que só é descoberta por acaso, é sinal de que a qualquer instante um General Jack D. Ripper de verdade pode querer usar o brinquedo ou, ainda, nessas indas e vindas o artefato acabe pararando na mão de algum grupo extremistra.

Tá achando exagero ou paranóia e que isso só acontece em histórias de James Bond e Jack Ryan? Bem... Como disse no título: eu não aprendi a amar a bomba e parar de me preocupar.

3 comentários :

dudus disse...

muito bom Khris.
Isso acontece num país com um governo fundamentalista que inventou a guerra preventiva.
quem sabe eles encontraram o pior inimigo.
abs,

Israel disse...

Meu comentário é bem profundo...
QUer dizer que o senhor é daqueles pseudo cool/intelectual/cinéfilo hein ?

Daqui a pouco vai começar a escutar música celta !!! hahahahahaha

Khristofferson Silveira disse...

Loreena McKennit é maneira. hahahaha