quinta-feira, 2 de agosto de 2007

A rainha e o bambu

Nesta semana pude assistir ao filme "A Rainha", que tem sido bastante comentado por aí, não só pelo tema polêmico, quanto pela aplaudidíssima atuação da atriz Helen Mirren, que interpreta a personagem do título.

Análises de roteiro e atuações à parte, o filme me chamou a atenção por um aspecto que – acredito – pode torná-lo mais um daqueles vistos na faculdade a fim de ilustrar um assunto ou levantar questões. Neste caso, o do conservadorismo na administração.

Quantos artigos, livros ou palestras não foram feitas sobre a necessidade de as administrações se manterem contextualizadas? Isto é, sintonizada com os tempos e os lugares em que ela e – principalmente – seus clientes ocupam.

Ora, o que vemos nessa obra é justamente uma batalha no âmago de uma instituição que precisa decidir pela manutenção de um tradicionalismo que dá sinais de cansaço ou pela quebra de paradigmas e adoção de uma nova postura.

Como não poderia deixar de ser em uma situação que chega a esse ponto, a questão não é nada simples e até mesmo sem precedentes, uma vez que a família real precisa lidar com a morte de uma princesa divorciada do herdeiro do trono e mãe de seus filhos, porém não mais considerada uma alteza real, mas que ainda detém enorme carisma do público – atributo do qual a Coroa já vinha carecendo há algum tempo.

Há durante praticamente toda a película o embate entre duas forças pela influência nas decisões da soberana: a postura conservadora e arraigada no tradicionalismo – personalizada nos diálogos e atitudes do Príncipe Phillip –, que predomina no início, mas que depois dá lugar a uma inevitável flexibilização – incentivada pelo recém-eleito primeiro ministro Tony Blair.

Fica claro que é isso ou um caminho sem volta para o fim da monarquia.

E é justamente neste ponto de cessão que pode-se perceber a suserana vendo a situação de seu reinado como uma velha instituição que não acompanhou os tempos e se encontrou diante de uma nova opinião pública, que não cobrava dela uma postura fria e reservada, mas sim um compadecimento daquela situação.

A resposta a essa cobrança vem de forma eficaz na descida do carro em frente ao palácio e do contato com o povo – algo que não ocorria talvez desde o fim da Guerra – e com o pronunciamento televisivo.

Enfim, uma resposta adequada àquela situação e suficiente para satisfazer o clamor popular.

É curioso pensar na situação que rainha viveu como uma situação que volta e meia vê-se por aí nas empresas: uma administração conservadora e abarrotada de paradigmas se vê diante de uma situação inesperada que pode levá-la ao declínio e que demanda uma nova postura, a fim de adaptá-la a uma nova realidade e torná-la capaz de responder às necessidades do cliente.

Se quiser um exemplo, basta relembrar da indústria fonográfica e do download de músicas – relação sobre a qual eu já fiz um post aqui antes.

Agora, se da mesma forma que Sílvio Santos você estiver se perguntando sobre o bambu do título do post, bem... Ele vem de uma historinha chinesa que diz que esta planta, mesmo em face do vento mais poderoso, se enverga e deixa a força passar, enquanto as pomposas árvores milenares, com raízes profundas, tombam pesadamente.

Ou, como diria o velho caipira: "nóis enverga mas não quebra".

2 comentários :

Anônimo disse...

Profundo hein...

Mas no final das contas, o filme é bom ou não porra !?
KKKKK

Israel

Khristofferson Silveira disse...

Hahaha É sim.