quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Maldito, mas bem escrito


Quinze para as cinco da manhã de quinta-feira.

Fechei o livro e coloquei-o no braço do sofá ao lado e fiquei alguns minutos parado. Só então me levantei para saber que este era o horário em que terminava de ler "O Cemitério", de Stephen King.

Ainda não havia lido nada do escritor, mas, como muitos, já conhecia algumas das adaptações de suas obras para o cinema - mas não a desse livro! - e, como poucos, da sua influência nas músicas das bandas Blind Guardian e Demons & Wizards.

E foi mais como uma curiosidade literárias que, no fim do ano passado, resolvi comprar um livro dele para ler. Queria "O Iluminado", por causa do filme - que acho fantástico! -, mas, pela sua falta no estoque, me contentei em levar "O Cemitério" mesmo.

Joguei-o na estante e só voltei a pegá-lo depois das férias, quando noite após noite ia lendo a trama sem criar grandes expectativas, não conseguindo até então entender porque o autor arrastava tanto a história. Isso me decepcionou a ponto de deixar o livro de lado durante alguns meses em prol de outros títulos.

Porém, num desses impulsos de concluir algo inacabado, peguei-o na semana passada para continuar da página em que havia parado, marcada desde então pela orelha da capa - o que fez com que ela e as as adjacentes ficassem enrugadas e se destacassem quando olhamos o livro por cima.

Comecei a relê-lo e página após página começou a me incomodar o fato de sua numeração aumentar, mas "nada" acontecer.

Até que uma frase - que agora acho fantasticamente colocada - me fez renovar a vontade de prosseguir e ver quando o autor iria finalmente parar de procrastinar o clímax - e como ele se daria.

Nesse ponto a história entra em uma espiral de eventos da qual o leitor começa a fazer parte, ficando difícil até mesmo largar o livro. É preciso saber como aquilo vai terminar, o que vai acontecer, como vai acontecer - se for acontecer!

Isso que estou falando é de fato algo comum no processo de leitura e eu mesmo já me senti assim por outros livros. Mas nenhum deles - nem os de Poe - conseguiu misturar o fascínio comum à leitura de um bom livro à angústia e terror que só se iguala aos que senti quando pequeno, assistindo filmes de terror sozinho nas madrugadas.

Mas dessa vez não havia imagens perturbadoras, sons assustadores, ambiente iluminação lúgubre como nos filmes. Só palavras. E a imaginação.

King descreve os eventos de uma forma bastante curiosa, muitas vezes oferecendo uma pequena amostra do que vem por aí, fazendo com que você leia mais algumas páginas para obter o restante.

E acho que foi justamente por causa disso que fiquei mesmerizado pela obra. Esse jeitão meio behaviorista de recompensar o leitor, por assim dizer.

O fato é que fiquei vidrado e decidi terminar de ler nessa madrugada mesmo, mas não esperava que a tensão e a descarga de adrenalina gerada fosse tanta a ponto de sentir o estômago e os tendões.

Estou impressionado com isso e, olhando aquelas páginas enrugadas, fico pensando por que peguei esse livro de novo.

Se bem que... Lembrando das palavras do velho Jud Crandall: "O lugar tem poder..."

Nenhum comentário :