quinta-feira, 23 de novembro de 2006

IHC 2006 - Terceiro dia

Não pude postar ontem, mas para não deixar passar, aqui estão meus comentários sobre o terceiro dia do IHC 2006:


Na terça-feira, 21, não participei de nenhum mini-curso, por isso assisti às sessões técnicas, que apresentaram trabalhos resumidos e completos. Bastante coisa interessante apareceu, principalmente sobre os métodos de avaliação de usabilidade e práticas que envolvem o conceito de acessibilidade.

Amanda Meincke Melo apresentou um artigo sobre seu trabalho de inclusão de pessoas com deficiência no design do portal Todos Nós da UNICAMP, que foi uma síntese do que havia sido abordado em seu mini-curso no domingo.

Um outro trabalho relacionado a pessoas com deficiência foi o de Marcelo Duduchi, que apresentou o BuscaSigno, uma ferramenta que permite acesso ao léxico da LIBRAS, através da realização de uma busca em interface gráfica. Os resultados são exibidos tanto em língua escrita como em imagens - posteriormente, pretende-se passar para vídeos -, garantindo acesso ao conteúdo por uma gama maior de usuários.

Um outro trabalho, apresentado por Cláudia Sena, tratou do controle de elementos de interface através de comandos de voz, que se apresenta como uma alternativa aos paradigmas do teclado e do mouse, permitindo, com isso, a utilização das interfaces com indivíduos que não possam utilizar estes dispositivos.


Uma observação: A pesquisa sobre interfaces que reconhecem comandos de voz parece estar em alta e promete bastante. Em julho, durante o 6º USIHC, em Bauru, a professora Raquel Santos, de Portugal, já havia falado sobre essa tendência, representada lá pela criação do Centro Microsoft para o Desenvolvimento da Linguagem na terra dos patrícios. Antes que perguntem o motivo, é bom ter em mente que o Português é um dos idiomas mais falados do mundo.


A palestra internacional do dia foi de Darko Kirovski, do time de pesquisa da Microsoft. Ele apresentou um sistema que está sendo desenvolvido pela empresa para tratar a questão do compartilhamento de áudio e vídeo e, pelo que ele mostrou, acredito que ainda vai dar muita discussão.

O sistema consiste em permitir que o usuário compre um arquivo de música em uma loja virtual e o armazene em um player. Caso queira, ele pode vender a música - pelo preço que julgar apropriado - para outras pessoas que tenham o mesmo dispositivo, repassando uma fração para a gravadora.

A transação seria feita por Bluetooth ou alguma tecnologia do gênero e o registro dela ficaria nos dois dispositivos, fazendo com que quando um deles se conectasse novamente à internet, ela fosse comunicada ao servidor da empresa, que cobraria sua parte ao vendedor.

Haveria bloqueios que não permitiriam aos usuários transferir músicas de forma indiscriminada e ambos os dispositivos seriam checados para testar esse bloqueio e permitir a transação. Se um for "destravado", ela nao seria autorizada pelo outro, o que restringiria a transferências desses dispositivos apenas para outros "destravados", que fariam parte de algo que ele chamou de DarkNet.

Como disse, é uma proposta interessante e que ainda deve gerar bastante discussão, uma vez que ela não torna o comprador "dono" da música, mas apenas um negociante que a vende para outros.

Segundo Darko, algo que começa a se tornar uma sombra de preocupação para a indústria do entretenimento é o surgimento de telefones celulares com grande capacidade de armazenamento, tais como 60GB, e que poderiam realizar transferência de filmes e músicas entre si sem que isso ficasse registrado em algum lugar, devido às tecnologias wireless de transferência de informação em curtas distâncias.

Imagine, por exemplo, você poder baixar toda a trilogia "O Senhor dos Anéis" para o seu celular e enviar para o seu amigo durante uma viagem de ônibus de ida ao trabalho sem que isso fique registrado na operadora. Hollywood sente calafrios só de imaginar.

Fugindo do tema "pirataria", ele falou um pouco sobre os aspectos que envolvem o desenvolvimento de softwares - diversão, liderança, impacto sobre a sociedade, viabilidade econômica, para citar alguns - e exemplificou com o Photosynth, um software que fez cair o queixo de muitos dos presente. Quer saber porquê? Veja um vídeo no YouTube.


Um outro momento de destaque neste dia do evento foi o painel sobre inclusão digital que apresentou visões bem distintas - acadêmica, prática e governamental - sobre um mesmo problema e que gerou uma grande e enriquecedora discussão, com várias questões polêmicas.

Para encerrar o dia houve a reunião da comunidade, que definiu a PUC-RS como a organizadora da próxima edição do evento, em 2008.

segunda-feira, 20 de novembro de 2006

IHC 2006 - Segundo dia

Devido a algumas dificuldade para conseguir um computador ontem - e de uma certa falta de disposição de ir a uma lan house, confesso -, não pude publicar a conclusão do post anterior.

O mini-curso realmente valeu bastante a pena. Foram apresentados algumas práticas de Design Inclusivo utilizadas na UNICAMP que trazem os alunos para o processo de redesign dos sites institucionais. Iinclusive alunos com deficiência.

Um tópico novo para mim surgiu durante o momento: Semiótica Organizacional. Pelo que pude ver, acredito que há muita coisa interessante para conhecer nesta área. Tanto na esfera da teoria quanto da aplicação prática.


Hoje, segunda-feira, o local está mais movimentado, uma vez que teremos também apresentações de trabalhos - não apenas mini-cursos, como ontem.

O dia começou com a abertura oficial do evento, a palestra da professora Bonnie Nardi, da Universidade da California, sobre as relações interativas entre os usuários do MMORPG World of Warcraft.

Apesar da falta de tradução simultânea - o que para um evento deste porte talvez seja um deslize -, a palestra foi de fácil entendimento, já que a professora não falava atropeladamente, como alguns palestrantes estrangeiros em outros eventos.

Para dizer a verdade, senti mais dificuldade em entender as perguntas feitas em inglês pelos participantes.


Após o encerramento teve início o segundo mini-curso do qual estou participando: Personalização de Páginas Web através dos Sistemas de Recomendação, ministrado por Eliseo Berni Reategui, Sílvio César Cazella e Fernando Osório.


Mais informações em breve. Agora vou almoçar porque ninguém é de ferro e a vista é excelente:





Update:

Na parte da tarde continuei participando do mini-curso que foi bastante interessante, abordando a questão de como oferecer páginas mais personalizadas fazendo uso do recurso de recomendação baseado em várias técnicas, dentre as quais está a de definição de perfis de usuários, para identificação dos hábitos de consumo, que permitem uma recomendação mais eficiente. Uma forma de fazer isso é fazendo uso de data mining para percepção dos perfis.

Estas técncias são muito usadas em sites de e-commerce, tendo a Amazon um grande destaque pelo nível em que se e encontra nesse campo, mas sem esquecer de sites nacionais como Americanas e Submarino.

Contudo, uma outra aplicação possível para a técnica é a de recomendação de indivíduos em sistemas de comunidades, através da identificação de interesses e objetivos afins. Esta é, inclusive, a linha de trabalho do Sílvio César Cazella, que estava ministrando o mini-curso, ao lado do Eliseo Berni Reategui, que trabalha em uma linha interessante do uso de assistentes virtuais para recomendações.

Sem dúvida alguma esse foi um mini-curso que valeu bastante pelos novos conhecimentos que agregou e para os quais despertou o interesse.

Uma vez que participei dele durante todo o dia, não foi possível assistir a trabalhos apresentados ao longo de sua duração.


Mais uma vez, como ninguém é de ferro, o dia encerrou com um evento patrocinado pelo Google.

domingo, 19 de novembro de 2006

IHC 2006

Ocorre esta semana o Simpósio de Fatores Humanos em Sistemas Computacionais (IHC), em Natal/RN.

Estou participando aqui e vou tentar fazer alguns posts ao longo do evento, apesar de poucos computadores disponíveis - não entendam como uma reclamação, pois já acho excelente o oferecimento dese recurso.

Hoje estou participando do mini-curso Design Inclusivo de Sistemas de Informação na Web, ministrado por Amanda Meincke Melo, durante todo o dia.

Falando nisso, vou voltar para lá. Até mais!

WUD 2006

Para variar, estou um pouco sumid. As mesmas desculpas de sempre: trabalho, prazo apertado e coisas do gênero.

Mas isso não impediu minha participação no WUD 2006 no Rio de Janeiro.

O evento, como muitos já sabem, ocorre no mundo todo e procura reunir os profissionais da área para discussões e propagar a necessidade da usabilidade levada a sério em projetos.

Apesar de não ter podido chegar no início, devido à chuva que não deu trégüa durante todo o dia, e de não ter podido assistir à palestra de abertura, de Sérgio Carvalho, e de Webwritting, do Bruno Rodrigues, apreciei bastante o conteúdo apresentado pelas palestras do professor Bechara, sobre acessibilidade, do Felipe Memória, um mix sobre long tail, usabilidade e flow, e, fechando, Robson Santos, com o tema encontrabilidade.

O ambiente descontraído e com poucos participantes não deixou se abater pelo mau humor do clima e proporcionou um momento bastante ainda mais agradável.

Destaco aqui a palestra do Memória, que não falou do seu livro, mas sobre o que gostaria de abordar em um "volume 2", ligando a buzzword do momento - long tail - aos conceitos da usabilidade e de como isso pode proporcionar a felicidade, inclusive apresentando exemplos de sucesso que pecavam pela baixa usabilidade.

De fato esse foi um evento bastante enriquecedor e do qual valeu a pena ter participado. Tenho certeza de que é de vontade geral que novos ocorram.