quinta-feira, 23 de novembro de 2006

IHC 2006 - Terceiro dia

Não pude postar ontem, mas para não deixar passar, aqui estão meus comentários sobre o terceiro dia do IHC 2006:


Na terça-feira, 21, não participei de nenhum mini-curso, por isso assisti às sessões técnicas, que apresentaram trabalhos resumidos e completos. Bastante coisa interessante apareceu, principalmente sobre os métodos de avaliação de usabilidade e práticas que envolvem o conceito de acessibilidade.

Amanda Meincke Melo apresentou um artigo sobre seu trabalho de inclusão de pessoas com deficiência no design do portal Todos Nós da UNICAMP, que foi uma síntese do que havia sido abordado em seu mini-curso no domingo.

Um outro trabalho relacionado a pessoas com deficiência foi o de Marcelo Duduchi, que apresentou o BuscaSigno, uma ferramenta que permite acesso ao léxico da LIBRAS, através da realização de uma busca em interface gráfica. Os resultados são exibidos tanto em língua escrita como em imagens - posteriormente, pretende-se passar para vídeos -, garantindo acesso ao conteúdo por uma gama maior de usuários.

Um outro trabalho, apresentado por Cláudia Sena, tratou do controle de elementos de interface através de comandos de voz, que se apresenta como uma alternativa aos paradigmas do teclado e do mouse, permitindo, com isso, a utilização das interfaces com indivíduos que não possam utilizar estes dispositivos.


Uma observação: A pesquisa sobre interfaces que reconhecem comandos de voz parece estar em alta e promete bastante. Em julho, durante o 6º USIHC, em Bauru, a professora Raquel Santos, de Portugal, já havia falado sobre essa tendência, representada lá pela criação do Centro Microsoft para o Desenvolvimento da Linguagem na terra dos patrícios. Antes que perguntem o motivo, é bom ter em mente que o Português é um dos idiomas mais falados do mundo.


A palestra internacional do dia foi de Darko Kirovski, do time de pesquisa da Microsoft. Ele apresentou um sistema que está sendo desenvolvido pela empresa para tratar a questão do compartilhamento de áudio e vídeo e, pelo que ele mostrou, acredito que ainda vai dar muita discussão.

O sistema consiste em permitir que o usuário compre um arquivo de música em uma loja virtual e o armazene em um player. Caso queira, ele pode vender a música - pelo preço que julgar apropriado - para outras pessoas que tenham o mesmo dispositivo, repassando uma fração para a gravadora.

A transação seria feita por Bluetooth ou alguma tecnologia do gênero e o registro dela ficaria nos dois dispositivos, fazendo com que quando um deles se conectasse novamente à internet, ela fosse comunicada ao servidor da empresa, que cobraria sua parte ao vendedor.

Haveria bloqueios que não permitiriam aos usuários transferir músicas de forma indiscriminada e ambos os dispositivos seriam checados para testar esse bloqueio e permitir a transação. Se um for "destravado", ela nao seria autorizada pelo outro, o que restringiria a transferências desses dispositivos apenas para outros "destravados", que fariam parte de algo que ele chamou de DarkNet.

Como disse, é uma proposta interessante e que ainda deve gerar bastante discussão, uma vez que ela não torna o comprador "dono" da música, mas apenas um negociante que a vende para outros.

Segundo Darko, algo que começa a se tornar uma sombra de preocupação para a indústria do entretenimento é o surgimento de telefones celulares com grande capacidade de armazenamento, tais como 60GB, e que poderiam realizar transferência de filmes e músicas entre si sem que isso ficasse registrado em algum lugar, devido às tecnologias wireless de transferência de informação em curtas distâncias.

Imagine, por exemplo, você poder baixar toda a trilogia "O Senhor dos Anéis" para o seu celular e enviar para o seu amigo durante uma viagem de ônibus de ida ao trabalho sem que isso fique registrado na operadora. Hollywood sente calafrios só de imaginar.

Fugindo do tema "pirataria", ele falou um pouco sobre os aspectos que envolvem o desenvolvimento de softwares - diversão, liderança, impacto sobre a sociedade, viabilidade econômica, para citar alguns - e exemplificou com o Photosynth, um software que fez cair o queixo de muitos dos presente. Quer saber porquê? Veja um vídeo no YouTube.


Um outro momento de destaque neste dia do evento foi o painel sobre inclusão digital que apresentou visões bem distintas - acadêmica, prática e governamental - sobre um mesmo problema e que gerou uma grande e enriquecedora discussão, com várias questões polêmicas.

Para encerrar o dia houve a reunião da comunidade, que definiu a PUC-RS como a organizadora da próxima edição do evento, em 2008.

segunda-feira, 20 de novembro de 2006

IHC 2006 - Segundo dia

Devido a algumas dificuldade para conseguir um computador ontem - e de uma certa falta de disposição de ir a uma lan house, confesso -, não pude publicar a conclusão do post anterior.

O mini-curso realmente valeu bastante a pena. Foram apresentados algumas práticas de Design Inclusivo utilizadas na UNICAMP que trazem os alunos para o processo de redesign dos sites institucionais. Iinclusive alunos com deficiência.

Um tópico novo para mim surgiu durante o momento: Semiótica Organizacional. Pelo que pude ver, acredito que há muita coisa interessante para conhecer nesta área. Tanto na esfera da teoria quanto da aplicação prática.


Hoje, segunda-feira, o local está mais movimentado, uma vez que teremos também apresentações de trabalhos - não apenas mini-cursos, como ontem.

O dia começou com a abertura oficial do evento, a palestra da professora Bonnie Nardi, da Universidade da California, sobre as relações interativas entre os usuários do MMORPG World of Warcraft.

Apesar da falta de tradução simultânea - o que para um evento deste porte talvez seja um deslize -, a palestra foi de fácil entendimento, já que a professora não falava atropeladamente, como alguns palestrantes estrangeiros em outros eventos.

Para dizer a verdade, senti mais dificuldade em entender as perguntas feitas em inglês pelos participantes.


Após o encerramento teve início o segundo mini-curso do qual estou participando: Personalização de Páginas Web através dos Sistemas de Recomendação, ministrado por Eliseo Berni Reategui, Sílvio César Cazella e Fernando Osório.


Mais informações em breve. Agora vou almoçar porque ninguém é de ferro e a vista é excelente:





Update:

Na parte da tarde continuei participando do mini-curso que foi bastante interessante, abordando a questão de como oferecer páginas mais personalizadas fazendo uso do recurso de recomendação baseado em várias técnicas, dentre as quais está a de definição de perfis de usuários, para identificação dos hábitos de consumo, que permitem uma recomendação mais eficiente. Uma forma de fazer isso é fazendo uso de data mining para percepção dos perfis.

Estas técncias são muito usadas em sites de e-commerce, tendo a Amazon um grande destaque pelo nível em que se e encontra nesse campo, mas sem esquecer de sites nacionais como Americanas e Submarino.

Contudo, uma outra aplicação possível para a técnica é a de recomendação de indivíduos em sistemas de comunidades, através da identificação de interesses e objetivos afins. Esta é, inclusive, a linha de trabalho do Sílvio César Cazella, que estava ministrando o mini-curso, ao lado do Eliseo Berni Reategui, que trabalha em uma linha interessante do uso de assistentes virtuais para recomendações.

Sem dúvida alguma esse foi um mini-curso que valeu bastante pelos novos conhecimentos que agregou e para os quais despertou o interesse.

Uma vez que participei dele durante todo o dia, não foi possível assistir a trabalhos apresentados ao longo de sua duração.


Mais uma vez, como ninguém é de ferro, o dia encerrou com um evento patrocinado pelo Google.

domingo, 19 de novembro de 2006

IHC 2006

Ocorre esta semana o Simpósio de Fatores Humanos em Sistemas Computacionais (IHC), em Natal/RN.

Estou participando aqui e vou tentar fazer alguns posts ao longo do evento, apesar de poucos computadores disponíveis - não entendam como uma reclamação, pois já acho excelente o oferecimento dese recurso.

Hoje estou participando do mini-curso Design Inclusivo de Sistemas de Informação na Web, ministrado por Amanda Meincke Melo, durante todo o dia.

Falando nisso, vou voltar para lá. Até mais!

WUD 2006

Para variar, estou um pouco sumid. As mesmas desculpas de sempre: trabalho, prazo apertado e coisas do gênero.

Mas isso não impediu minha participação no WUD 2006 no Rio de Janeiro.

O evento, como muitos já sabem, ocorre no mundo todo e procura reunir os profissionais da área para discussões e propagar a necessidade da usabilidade levada a sério em projetos.

Apesar de não ter podido chegar no início, devido à chuva que não deu trégüa durante todo o dia, e de não ter podido assistir à palestra de abertura, de Sérgio Carvalho, e de Webwritting, do Bruno Rodrigues, apreciei bastante o conteúdo apresentado pelas palestras do professor Bechara, sobre acessibilidade, do Felipe Memória, um mix sobre long tail, usabilidade e flow, e, fechando, Robson Santos, com o tema encontrabilidade.

O ambiente descontraído e com poucos participantes não deixou se abater pelo mau humor do clima e proporcionou um momento bastante ainda mais agradável.

Destaco aqui a palestra do Memória, que não falou do seu livro, mas sobre o que gostaria de abordar em um "volume 2", ligando a buzzword do momento - long tail - aos conceitos da usabilidade e de como isso pode proporcionar a felicidade, inclusive apresentando exemplos de sucesso que pecavam pela baixa usabilidade.

De fato esse foi um evento bastante enriquecedor e do qual valeu a pena ter participado. Tenho certeza de que é de vontade geral que novos ocorram.

quinta-feira, 26 de outubro de 2006

10 mortes do cinema de terror

Para quem curte filmes de terror, aqui está algo que pode agradar: uma lista com as 10 melhores mortes do estilo.

Como disse antes, listas são algo difícil de agradar a todos e que eu tenho dificuldade de fazer, mas, independente disso, acho que vale uma olhada para poder rever cenas de clássicos como "Scanners", "Fome animal", "O enigma do outro mundo", entre outros.

A dica é do César.

terça-feira, 24 de outubro de 2006

Medo leva à raiva

...raiva leva ao ódio, ódio leva ao sofrimento.

A famosa frase de Mestre Yoda em Episódio I foi uma das coisas que lembrei quando li o artigo "A indústria fonográfica e o marketing do medo" - dica do Caparica.

O modelo de negócios da indústria fonográfica é antigo. Não é competitivo com a internet. Não se atualizou diante da inovação tecnológica. Hoje em dia, defender este modelo é tentar ir contra a realidade da demanda. É querer obrigar pelo medo que o consumidor compre, por R$ 25, um CD que pode ser bem vendido por R$10 ou menos.


Este é apenas um trecho. Recomendo uma lida nele.

Outra coisa da qual acabei me lembrando foi de um famoso cartaz:

quinta-feira, 19 de outubro de 2006

"Fui ludibriada pela Microsoft"

A frase acima é de uma usuária de WinXP que liga para o suporte da MS reclamando da atualização que indica cópia pirata.

Você pode podia conferir a gravação da conversa lá no Blog do Jônatas e garantir umas ótimas risadas.

Atualização: A referência para o Blog do Jônatas não está mais disponível, mas a conversa pode ser conferida no YouTube.

sexta-feira, 13 de outubro de 2006

Ditador e cinéfilo

Ex-diretor do Centro de Análise da Personalidade e do Comportamento Político da CIA, Jerrold M. Post escreveu um artigo para o “Los Angeles Times” afirmando que o filme favorito do ditador era “O poderoso chefão”.

Boneco do ditador no filme Team AmericaO ditador em questão é o novo vilão do cenário político internacional, Kim Jong Il, da Coréia do Norte.

Segundo o artigo "Os ditadores também amam", de Ricardo Calil, o figura possui entre 10 mil e 20 mil títulos em sua coleção particular e já até seqüestrou cineastas para poder ter filmes seus rodados.

Por uma coleção deste porte até eu tiranizava um país. ;)

Knorr, Renault e...?

Há algum tempo fiz um post falando da peça que a JWT fez para a Knorr, mostrando um garoto, filho de pais separados, indo passar o dia com o pai.

Pois parece que o argumento é tão bom que Lowe resolveu utilizá-lo em uma peça da nova campanha da Renault.

Knorr, Renault e... Quem será o próximo?

Será que perdi alguma pesquisa de perfil do consumidor que soltaram por aí?

Anacronismo estrelando comercial

Acredito que muitas pessoas que se interessam por música - um pouco que seja - vez ou outra resolvem montar sua banda dos sonhos, escolhendo aqueles que consideram os melhores músicos e imaginando-os dividindo o palco.

Isso nem sempre é viável, já que os músicos podem estar mortos. Mas a tecnologia talvez possa contornar essa dificuldade, como vimos em vários filmes nos quais os atores interagem com cenas gravadas muitos anos antes. O exemplo mais notável disso talvez seja "Forrest Gump", como quando ele inspira John Lennon a compor "Imagine".

E foi com tecnologia e muita paciência para esquadrinhar vídeos de shows de diversos artistas - para poder achar ângulos que permitissem uní-los - que a britânica Radio 2 pôde montar uma peça publicitária para TV reunindo no mesmo palco nomes da música de quatro gerações: Marvin Gaye, Stevie Wonder, Jimmy Page, Keith Moon, Sheryl Crow, Noel Gallagher e The Sugababes, liderados por Elvis Presley.

O vídeo está fazendo grande sucesso e em apenas um dia obteve cerca de 13 mil visualizações no YouTube, chegando a quase 40 mil neste instante.

Confira:



IMHO, independente de quem são os músicos, a grande estrela do comercial é o divertido anacronismo.

quinta-feira, 12 de outubro de 2006

É apenas faz-de-conta

Cartaz do filme Em busca da Terra do NuncaAntes do lançamento do seu novo álbum, "A Twist In The Myth", a banda alemã Blind Guardian lançou um single com três músicas: a faixa-título "Fly", a balada "Skalds and Shadows" e o cover "In a Gadda da Vidda", da banda Iron Butterfly.

O que chamou a atenção foi o fato de a música escolhida para encabeçar o single que precederia o novo trabalho ter como tema a figura de Peter Pan. Não que fosse algo incomum à banda, uma vez que o menino que nunca cresce já esteve presente no álbum "Imaginations from the other side" - considerado por muitos fãs como a obra-prima dos bardos alemães -, mas o que se destacou foi o fato de a música não tratar exatamente dele, mas sim do filme "Em busca da Terra do Nunca" ("Finding Neverland"), com Johnny Depp e Kate Winslet, que conta a história do processo de criação do personagem.

Contudo, a letra de "Fly" diferencia-se pelo fato de não narrar aventuras, mas por ser um ode à inspiração, criatividade e imaginação, o que não pude perceber em profundidade até assistir ao filme, que esclarece alguns de seus trechos.

E é justamente por causa disso que fiz esse post: Hoje é dia 12 de outubro e, para comemorá-lo, aproveitando que é feriado, deixo aqui a minha dica de um bom filme para curtir.

Mas, por favor, não assista com palavras como "somente" ou "apenas" em mente. Depois disso, garanto que você também vai querer chegar à Terra do Nunca.

E para o caso de ter se esquecido, é fácil chegar lá: segunda estrela à direita e siga até o amanhecer.

Cena do filme Em busca da Terra do Nunca

quarta-feira, 11 de outubro de 2006

Não entendo terrorismo, falávamos de amizade

Renato RussoEu sou um fã da Legião Urbana que só conheceu a banda após a morte de Renato Russo. Mesmo assim, ela teve uma grande importância para mim.

Embora não seja a que mais ouço no dia-a-dia, ela é, sem dúvida alguma, uma das bandas cujas letras mais me impressionam pelo conteúdo e pelas mensagens, que me foram muito relevantes durante a adolescência - e ainda o são.

Hoje completam-se 10 anos da morte de Renato Russo e não poderia deixar de prestar-lhe uma singela homenagem.

Fui buscar nas letras da banda algumas passagens que poderiam retratar aquilo que o próprio Renato poderia estar pensando a respeito da realidade pós-11/9 em que vivemos, caso ainda estivesse vivo.

São trechos que refletem uma pessoa que nunca deixou de ter esperança.


Não entendo terrorismo, falávamos de amizade
- "Sereníssima"

Porque esperar se podemos começar tudo de novo
Agora mesmo
A humanidade é desumana
Mas ainda temos chance
O sol nasce pra todos
Só não sabe quem não quer.
- "Quando o sol bater na janela do teu quarto"

Não vou deixar me embrutecer
Eu acredito nos meus ideais
Podem até maltratar meu coração
Que meu espírito ninguém vai conseguir quebrar.
- "Um dia perfeito"

Se o mundo é mesmo parecido com o que vejo
prefiro acreditar no mundo do meu jeito
- "Eu era um lobisomem juvenil"


Será que alguém se lembra de mais alguma parte que poderia se encaixar nessa realidade que citei?

segunda-feira, 9 de outubro de 2006

Gort, Klaatu barada nikto

"Este teste nuclear é mais uma razão para que a comunidade internacional renove seus esforços coletivos para a entrada em vigor de Tratado de Proibição Total de Testes Nucleares (CTBT, em inglês) e avance para o desarmamento nuclear multilateral"

Estas são palavras do Secretário-geral da ONU, Kofi Annan, sobre o teste nuclear realizado hoje pela Coréia do Norte, condenado pelo Conselho de Segurança.

O CTBT - Comprehensive Nuclear Test Ban Treaty, é um tratado que bane todos os testes nucleares, sejam eles atmosféricos ou subterrâneos, militares ou civis, e foi aberto para assinaturas em 10 de setembro de 1996.

Para ele entrar em vigor é necessário que todos os 44 países que detém capacidade nuclear o ratifiquem.

Contudo, além do jogo de empurra entre certas potências (do tipo "Assina você primeiro.", "Não, não... Você primeiro"), alguns países já afirmaram que de qualquer forma não vão assinar, como Coréia do Norte, Índia e Paquistão.

Coincidentemente, algumas dessas potências nucleares são as que hoje condenam o teste nuclear e são as mesmas que realizaram a maior parte dos mais de 2000 testes que ocorreram antes deste.

Gort e Klaatu em cena do filme 'O dia em que a Terra parou'Ou seja, o que vemos neste momento é a compilação de 10 anos de postergação da erradicação da ameaça atômica, com muito jogo de interesses, de palavras e poucas ações que efetivamente levem o mundo a alcançar este objetivo.

Vemos de um lado, países que detém o poder atômico que o utilizam para tentar crescer no cenário internacional e do outro, potências atômicas que não querem novos membros no clubinho e que possam se tornar uma ameaça.

Fico vendo isso tudo pensando cá com meus botões achando que vamos precisar de um ultimato externo, como em "O dia em que a Terra parou", ou nos ferramos como na letra de "Electric Funeral", do Black Sabbath.

quinta-feira, 5 de outubro de 2006

Geopolítica, nomes e RAVs

Assistindo ao notíciário hoje cheguei à conclusão de que geopolítica era mais fácil na época do meu pai.

Não poucas vezes vi os âncoras dando nós na língua para falar Abu Musab Al-zarqawi ou Abu Hamza al-Muhajir, o que não acontecia na época de Nikita Krushev, Leonid Brejnev e Boris Yeltsin.

Fico imaginando quais serão os nomes da próxima geração de antagonistas.


Aliás, esses dias assisti ao filme "Obrigado por fumar" e me chamou a atenção o fato do produtor de Hollywood dizer que o protagonista queria ver cigarros em personagens que não fossem RAV - Russos, Árabes e Vilões.

Não sei se essa classificação existe de fato (não creio) ou se foi criada pelo filme, em mais uma de suas jogadas sarcásticas, mas reflete bem certos estereótipos do cinema.

quarta-feira, 4 de outubro de 2006

NCC-1701

Há quarenta anos começavam as viagens da nave estelar Enterprise, em sua missão de cinco anos, para explorar novos mundos, para pesquisar novas vidas, novas civilizações... Audaciosamente indo aonde nenhum homem jamais esteve.

Apesar de ter sido em setembro, não poderia deixar de prestar essa homenagem.

Vida longa e próspera _\\//

Xiita, eu?

O profissional amador é aquele que desconhece ou não aplica normas de boas práticas em nada do que faz. Seu objetivo final é a grana do cliente somente.

Boas práticas devem ser transmitidas aos outros como uma demonstração de benefícios, [...] e não como uma religião geek.


O Henrique Pereira mandando muito bem outra vez em um de seus posts.

segunda-feira, 4 de setembro de 2006

O coronel da comunicação

Há alguns dias falei dos blogs de Zé Dirceu e Bob Jeff, ontem falei sobre o autoritarismo do Sarney, mostrando que o coronelismo não morreu, e hoje - aproveitando a data de seu aniversário - publico um vídeo do Senador Antônio Carlos Magalhães, do PFL-BA, conclamando os comandantes das Forças Armadas para reagir contra "uma ditadura sindical". Seria saudade dos tempos de ARENA?



Eu havia falado de currais eletrônicos anteriormente. O que alguns talvez não saibam é que esse é um dos mais entendidos no assunto.

Quando foi ministro das comunicações em 1986, governo Sarney, as concessões viraram moeda na troca por apoio. Isso fez com que vários políticos se tornassem donos de meios de comunicação e pudessem formar os seus currais. Ele, inclusive, com a Rede Bahia.

Aliás, falando em ministro das comunicações, o Hélio Costa anda fazendo um belo trabalho lá, hein? É o ex-funcionário mais querido da Globo.


Para encerrar, só uma nota: Quando comecei esse blog a intenção não era falar de política, mas isso se torna inevitável quando vemos o quadro político se misturando dessa forma com os meios de comunicação, principalmente a internet.

domingo, 3 de setembro de 2006

Blogs desafiam censura e coronelismo

Durante o meu mandato a história se contorceu, mas a democracia não murchou na minha mão.


Com essas palavras o ex-presidente da República e atual senador pelo PMDB do Amapá, José Sarney, definiu sua atuação no cargo máximo do poder Executivo do país, quando do aniversário de vinte anos de sua posse, em março de 2005.

Nem dois anos se passaram e a realidade já se mostra muito diferente das palavras.

Candidato à reeleição, Sarney está mostrando que o coronelismo ainda vive, não admitindo críticas e promovendo a censura dos meios de comunicação do Amapá que divulguem material que ele não julgue adequado, como essa charge, fotografada em um muro de Macapá:

Xô, Sarney!
Sua publicação no blog da jornalista Alcinéa Cavalcante foi motivo suficiente para que entrasse com nove representações contra ela na Justiça, que ordenou a retirada dos posts e dos comentários dos visitantes.

O que ele fez foi levar aquela mesma democracia da qual falou a se contorcer de agonia enquanto a liberdade de expressão murcha, abafada por atos de censura dignos do mais vil coronelismo.

Mas pelo que veio a seguir ele não esperava: blogueiros e jornalistas de todo o país, inconformados com essa demonstração de desrespeito à liberdade de expressão, reproduziram a charge, desafiando o jurássico político. Segundo informações publicadas na Folha Online, em 29/08 eram ao menos oitenta blogs. Mas, de acordo com o Blog do Tas, em 02/09, já passam de cento e cinqüenta.

A situação é de uma importância tão grande que já ganhou abrangência internacional, com notícias publicadas em sites como o Global Voices.

Para evitar novos desmandos a jornalista agora mantém seu blog hospedado fora do território nacional.

Eu sou fiscal do Sarney
Do jeito que a situação está se desenrolando, o senador que se cuide, pois os Fiscais do Sarney parece que estão mais ativos do que antes. Só que dessa vez para fiscalizar suas ações e denunciar para o mundo.

Como disse antes, a internet dá asas ao gado para voar por cima das cercas de currais eleitorais.



Em tempo: Sarney é membro da Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira de número 38, cujo patrono é o escritor Tobias Barreto.

No site Direito | Poesia encontra-se um texto bastante interessante sobre ele, do qual destaco o seguinte:

Tobias foi, antes de tudo, um escritor de jornais, um colaborador freqüente, ágil, que sabia da velocidade da imprensa como vanguarda das novidades transformadoras.

quinta-feira, 31 de agosto de 2006

Dia do Blog

Depois do Dia da Internet, agora é a vez do Dia do Blog. A dica é do Mario Cavalcanti, na (agitadíssima) Blogosfera.

A idéia é que os blogueiros indiquem 5 blogs que achem interessantes e, de preferência, não muito conhecidos.

Acho essa uma boa forma de aumentar a visita de alguns blogs que merecem e, apesar da minha já citada dificuldade para fazer listas, aqui vai:

  1. João Lenjob - Pra quem curte poesia, recomendo uma visita no blog desse poeta mineiro.
  2. Horácio Soares - Quer novidades em Acessibilidade na Web? Dê uma passada aqui. Aproveite para conferir os outros assuntos também.
  3. Retratismo do Cotidiano - Blog do César Cardoso, comparsa nos trabalhos desde a faculdade. Vale a visita e leitura de alguns de seus comentários e crônicas sobre o cotidiano.
  4. Kafé Roceiro - Todo dia tem cinema, notícia, imagem, citação e piada. Tudo com sotaque do interior.
  5. Cérebro Criativo - Pra quem trabalha com publicidade ou apenas curte peças e ações diferentes, aqui é possível conhecer algumas.
Curioso que todos eles estão no Blogger, mas isso foi apenas coincidência.

Aproveito para avisar que o blogroll em breve será expandido. Muita coisa legal apareceu já há algum tempo e, embora esteja acompanhando, ainda não foi pra lá.

Essa foi inesperada

Acessando o site das Americanas às 18h41 de hoje eu esperava por isso:



Mas confesso que ri bastante quando vi isso:


Acontece nas melhores famílias... :)

sexta-feira, 25 de agosto de 2006

As vacas dos cardeais

Previsão é algo que tem muitas chances de dar errado, mas na brincadeira acertei uma, quando disse em um post anterior que depois do blog do Dirceu só faltava o blog do Jefferson. Pois agora não falta mais.

O Dirceu estreou o dele no dia primeiro de agosto, fiz o post no dia oito e no dia treze estreava o blog do Bob Jeff.

Cheguei a fazer uma pesquisa antes de escrever, mas como não havia achado fiz a piadinha dos trackbacks. Tanto que fiquei surpreso quando vi a mensagem da Pollyana Ferrari, na lista Blogosfera, falando a respeito do blog do presidente do Irã e citando o blog do Jefferson.

O fato é que cheguei a pensar que não passava de um hoax, talvez para cutucar o blog adversário. Mas pelo tom dos posts e pelo WHOIS que identificou uma empresa de Petrópolis como responsável pelo domínio, percebi que o negócio é de verdade, uma vez que a cidade imperial é seu reduto político.

(Nota: Eu ia escrever percebi que o negócio é sério, mas por questões de (in)coerência, resolvi mudar a redação.)

Falando em político, é interessante ler as descrições que os dois fazem de si, em seus respectivos blogs, e comparar os temas das postagens de ambos, que são diametralmente opostos.

Com certeza não escrevi isso daqui para comprovar meus poderes mediúnicos, mas sim para reforçar o que todos sabem sobre a falsa e opaca cena política brasileira, recheada de eminências pardas: tá complicada. Ainda mais quando eles aparentam estar descobrindo agumas possibilidades oferecidas pela internet.

Mas daí a entender de fato o que é a internet, é exigir demais das mentes políticas arraigadas no coronelismo, autoritarismo e nos currais eleitorais e eletrônicos. Eles não compreendem que a internet dá asas ao gado, para poder voar por cima da cerca.

Aliás, vocês sabem porque as vacas não têm asas, não é?

quinta-feira, 17 de agosto de 2006

Lista Blogosfera

Entrei na lista Blogosfera, criada por inicativa do Fabio Seixas, e estou impressionado com o volume de mensagens que está circulando por lá e a quantidade de assuntos discutindo.

Neste instante a lista tem 8 dias de existência, mas já conta com 167 membros e 768 mensagens já enviadas.

Isso prova que a Blogosfera está passando por uma auto-análise e está buscando uma identidade.

Se você tem um blog, recomendo que participe.

Publicações estrangeiras listam sites legais, úteis e mais influentes

Essa história de lista sempre gera polêmica. Alguém sempre vai clamar um injustiçado ou aclamar um dos listados. Mas sempre tem alguém para fazê-las.

Desta vez foi a Time Magazine que arriscou, como nos anos anteriores (2003, 2004 e 2005), listar os 50 websites mais legais e, de quebra, os 25 sites sem os quais não podemos viver.

Além dela, o The Guardian publicou uma lista dos 15 sites que mudaram o mundo, segundo vi lá no Caparica.

Todas as três listas estão bem interessantes e comentadas. Mas vale lembrar que são de uma revista note-americana e de um jornal inglês e que, portanto, podem ter visões diferentes das nossas.

Quanto a mim, já tentei várias vezes fazer listas de preferências sobre qualquer tema, mas é sempre uma tortura. Ver John Cusack fazer isso com naturalidade em "Alta fidelidade" irrita.

segunda-feira, 14 de agosto de 2006

O paradoxo iraniano

Paradoxal: Essa é a primeira palavra que me veio à mente quando fiquei sabendo, através do César, que o presidente do Irã resolveu cair na rede e blogar.

Primeiro porque, como diz a reportagem citada, ele nunca teve nada a ver com a Internet e até falava mal de jornalistas e blogueiros antes de virar presidente.

Segundo porque ele é a figura que representa o governo iraniano que, ao lado do chinês, realiza os maiores avanços na censura da internet, mas que usa uma ferramenta idealizada para tornar a publicação de informações mais fácil e acessível até mesmo a usuários com pouco conhecimento técnico.

Ou seja, pegue um sujeito que não gosta de jornalistas, blogueiros e liberdade de informação; o coloque à frente de um governo que pratica a censura implacavelmente e lhe dê uma ferramenta que facilita a publicação da informação para que possa falar o que quiser contra ou a favor de quem quiser e terá aí mais uma das incoerências e paradoxos do Oriente Médio.

Algumas delas até foram citadas pelo Bill Ward, baterista do Black Sabbath.

Independente disso o site teve de sexta-feira até segunda de manhã mais de 12 mil visitas.


Até pensei em reaproveitar a piada do post anterior e dizer que o negócio agora é esperar o Bush criar um blog para ambos passarem a conversar por trackbacks porque eles precisariam fazer isso com muitos presidentes e premieres. O que não deixa de ser uma boa idéia para o relacionamento transparente global ;)

Mas já vou logo dizendo que se o Fidel Castro se recuperar e soubder disso daí é bem capaz de querer fazer o mesmo. Agora imaginem que se o primeiro post do colega iraniano teve mais de 2 mil palavras, quantas terá o do eloqüente comandante?

Um ano de blog

Nesse dia 10 de agosto o blog comemorou 1 ano on-line, mas ainda não há motivos para comemorar, confesso.

Não fiz aqui o que realmente gostaria de ter feito, que é escrever para aprender, como disse lá no início. Mas não foi só aqui.

Foi de um modo geral, já que a época que em resolvi começar esse blog coincidiu com o encerramento da faculdade e isso consumiu muito do meu tempo, inclusive o dedicado a determinadas leituras.

Mas agora que ela terminou a idéia é fazer um esforço e tocar isso daqui pra frente.

Agradeço a toda galera que sempre visitou o blog e àqueles que incentivaram e botaram pilha para eu continuar escrevendo - ou tentando. Principalmente a Raquel, o César e, mais recentemente, o Horácio.

terça-feira, 8 de agosto de 2006

Brog político

Esse ano temos eleição e uma coisa que comenta-se muito é a forma com que se dará o uso da internet por parte dos candidatos.

O que não esperava descobrir era o blog de uma das figuras políticas mais conhecidas do país que não pode se candidatar: José Dirceu.

O blog se dispõe a ser "um espaço democrático de discussão do projeto nacional em desenvolvimento, de reflexão sobre o futuro do país, de disputa política e de expressão da luta social".

Os comentários dos visitantes são moderados antes de irem para o blog, segundo eles, para que não sejam publicados "comentários com palavras de baixo calão, denúncias levianas e troca de ofensas entre leitores".

Agora fico esperando o blog do Roberto Jefferson e que ambos passem a usar trackbacks.


Update (25/08/2006): E não é que ele criou um blog mesmo?

segunda-feira, 3 de julho de 2006

Tchau, Hexa

Não vou me prender a comentários profundos sobre a eliminação da Seleção. Só vou destacar duas coisas:


  • Obrigado, Zizou! Foi ótimo perder pra você.




  • Lúcio - O melhor jogador da Seleção na Copa




quarta-feira, 28 de junho de 2006

Trabalho de Conclusão de Curso

Ontem, dia 27, apresentei meu TCC e o resultado não poderia ser melhor para a culminância de 4 anos de muita labuta: nota 10 unânime, dos 3 professores da banca.

Mais detalhes quando a ficha cair.


Obrigado a todos que contribuíram para isso :D

segunda-feira, 26 de junho de 2006

A dancinha do Matt

Você gosta de viajar? Pois é... Eu também.

Normalmente a gente se contenta com uma viagem nas férias, alguma nos feriadões e, eventualmente, um congresso aqui e uma viagem a trabalho para lá.

Mas não o Matt. Ele queria viajar sempre. Tanto que trabalhou durante alguns anos, economizou uma grana, pediu demissão e agora viaja ao redor do mundo.

Como ele foi, mas sua família e amigos ficaram na Austrália, Matt precisava entrar em contato sempre. Por isso ele decidiu criar um site para registrar suas aventuras.

Contudo, ao invés de simplesmente fazer uso das tradicionais fotos ao lado dos pontos turísticos dos locais que visita, ele resolveu inovar, dançando ao lado deles e gravando em vídeo.

E foi além! Montou um vídeo com todas as suas danças, em todos os lugares do mundo por onde ele já passou e dançou.

Ele quer ser mais uma celebridade da internet?

Bom, ele se define como "That guy who dances on the internet. No, not that guy. The other one. No, not him either. I'll send you the link. It's funny."

Sugiro uma visita ao seu site, Where the Hell is Matt?. Não se prenda só ao blog e ao vídeo. Dê uma olhada nas FAQ também. Rende boas risadas.

Mas já vou logo avisando que nem a dancinha do Matt barra a dancinha do Carlton.

Geek


Nada melhor para começar essa semana do que ler um post deveras interessante chamado "Como NÃO liderar geeks".

Se não valer algumas risadas, pelo menos vale pelo reflexo no espelho em algumas - se não todas - situações.

Ah, não sabe o que é um geek? Não faz mal... Veja na Wikipedia.

quinta-feira, 22 de junho de 2006

Da série "Trocadilhos da Copa"

Para vencer, o Brasil precisa jogar com gana.

Bênquíl

Vi lá no Viu Isso? (redundante, mas fazer o quê?) que a 10' minutos lançou uma nova campanha para comunicar a forma correta de se pronunciar o nome de uma marca de eletrônicos de Taiwan.

O site Fale BenQ recebe participação dos visitantes que enviam vídeos pronunciando corretamente o nome da empresa para concorrer a prêmios.

Bem interessante é a solução da agência ao indicar o YouTube como local para disponibilização do vídeo, que é inserido no site da campanha através do código fornecido pelo serviço. Com isso ela elimina qualquer eventual problema de armazenamento ou de consumo de banda.

terça-feira, 20 de junho de 2006

JWT e Knorr mostram pais separados

"Família, família
Vive junto todo dia
Nunca perde essa mania"

("Família" - Titãs)

Você se lembra daqueles comercais de manteiga, com a família toda reunida para o café da manhã?

Mamãe pondo a mesa, a fumaça quente saindo do café, o pai chegando arrumado para o trabalho, os filhos sorridentes, o pão quentinho derretendo a manteiga; tudo sob a voz risonha de um locutor.

Essa é a famosa imagem de produto para a família perpetuada por muito tempo nas peças publicitárias não só de manteigas, mas também de pastas de dente, panetones e alguns modelos de carros.

Isso é algo tão forte e tradicional que pode-se imaginar qual foi a minha reação ao ser surpreendido ontem por um comercial feito pela JWT para a Knorr, chamado "Pais separados".


Na peça podemos ver um garoto passando o dia com seu pai e como a tímida relação entre ambos acaba se estreitando quando o pai percebe o garoto está confuso com o manuseio do garfo e da faca - instruído pela mãe - e toma a iniciativa de comer a coxa do frango com a mão, levando o filho a fazer o mesmo.

Essa quebra de formalidade leva a um terno momento entre ambos e desdobra-se em outro momento, desta vez cumplicioso, quando da volta do filho para a casa da mãe.

É muito interessante ver que a visão de publicitários e anunciantes não ficou amarrada a tradicionalismos e que acompanha a modificação da realidade social.

Antes era de se estranhar ver uma campanha seguir por este caminho. Mas hoje em dia casais separados deixaram de ser algo agressivo à sociedade e se tornaram algo aceitável.

Fico imaginando a reação a esse comercial se ele tivesse sido produzido há alguns anos.

Seguindo por um outro caminho, lembro-me da Colgate, com sua campanha mostrando a mamãe - que sabe o que é bom para a família - comprando o dentifrício que leva o papai a subir na empresa, o filho a ser perseguido pelas garotas e a filhinha a se destacar entre as amiguinhas por seus dentes fortes.

domingo, 18 de junho de 2006

Fala sério, aí...


Pois é, o humorista Bussunda faleceu essa madrugada, na Alemanha, aos 43 anos. Acredito que dessa vez não precisarei falar muito, pois essa figuraça era amplamente conhecida.

Mas a situação que se origina com a morte dele é bem singular, uma vez que Bussunda era garoto-propaganda da cerveja Antarctica.

Estive tentando lembrar de algum outro que tenha falecido durante uma campanha, mas não consegui.

O fato é que a empresa já tratou de ir tirando as peças da campanha do ar - morto é com a Pepsi - e promete uma homenagem ao humorista. Update (20/06/2006): veja a peça no Brainstorm #9.

Enquanto isso o site da cerveja, que usava bastante sua imagem, foi retirado do ar. De uma forma um tanto apressada, acredito, uma vez que - até o momento dessa postagem - a mensagem que aparece ao tentar acessá-lo é apenas "Directory Listing Denied". Sem logotipo, sem nota de esclarecimento ou mensagem alguma.

Fala sério, aí... Simplesmente tiraram do ar da forma mais brusca possível. Pior do que isso só se tivessem puxado a tomada do servidor. Será que deixaram o trabalho para segunda-feira?

Update (20/06/2006): Agora há uma mensagem em homenagem ao humorista. Deixaram mesmo para segunda.

Independente disso, quem não deixou o trabalho para dia útil foram os usuários que contribuem com a Wikipédia. No artigo sobre Bussunda já estão informações acerca da sua morte.

Esta é a terceira vez que entro neste site após o falecimento de uma pessoa para buscar algumas informações e ele sempre está atualizado. É isso que dá ter 87.357 usuários registrados no mundo todo que contribuem.

Já na blogosfera, há uma considerável repercussão.

Fiz uma pesquisa rápida, usando a ferramenta para pesquisa em blogs do Google, para saber quantos posts em português com a palavra "Bussunda" foram feitos só durante o dia 17. O resultado? 558 postagens.

Por ser uma personalidade da TV, conhecida em todo o país, era de se esperar algo nessas proporções.

E ainda tem o Orkut e suas comunidades, que não pesquisei por causa do "Bad, bad server".

segunda-feira, 29 de maio de 2006

Enquanto isso, no Velho Continente...

Europa: Parlamento estuda cobrar imposto por e-mail e SMS

Tava demorando "alguém" achar um jeito de levantar uns "trocados" com mensagens eletrônicas.

Se a moda pega, a gente aqui no Brasil tem grandes chances de levar no FUST.


UPDATE (31/05/2006): Parece que andaram fazendo uns remendos nessa história.

Alex Toth

Acabei de ler no Gibizada sobre o falecimento do desenhista Alex Toth.

Ele foi responsável por desenhar personagens como "Herculóides", "Superamigos", "Homem-Pássaro" e "Space Ghost" para a Hanna-Barbera nos anos 60.

Acredito que não só eu, mas quem quer possa estar lendo isso daqui foi (ou é) fã de um de seus trabalhos. E não apenas na infância.

Hoje alguns personagens estão reciclados, como Harvey, o advogado, ou Space Ghost, apresentando seu talk show, mas para quem cresceu assistindo os originais, eles são eternos.

Um detalhe: segundo seu filho, Alex Toth morreu desenhando.

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Às vezes isso daqui parece mais um obituário do que um blog voltado para... Para... Para o quê mesmo?

Enfim... O fato é que isso não importa.

Mais importante é homenagear aqueles que fizeram de sua estada nesse corpo celeste algo marcante. Mmesmo que só pra mim.

sábado, 27 de maio de 2006

Sexo, branding e viral!

Esses dias ando bem envolvido (aka "enrolado") com o trabalho de conclusão (aka "libertação") da faculdade, que será entregue e apresentado nas próximas semanas.

O tema central é o branding. Para isso pegamos um cliente e trabalhamos a marca, identidade visual e imagem da marca.

Mas esse post não é sobre o trabalho, mas sobre um viral que vi hoje. Um catálogo de moda que utiliza pornografia para divulgar os produtos.

Sim! Isso mesmo: sexo explícito em um catálogo de modas! E não é da DuLoren (lembram?), mas da francesa Shaï.

Não pretendo discutir os limites da propaganda - que para mim são bem amplos, quando não invasivos. Ainda mais em se tratando de internet. O que mais me impressiona é justamente essa questão de branding.


Assistir a um dos vídeos - que demoraram bastante para carregar aqui - olhando desse ponto de vista - força aí, gente! Tem como! - leva-nos a observar detalhes como a música de fundo ("There's no reason to be shy"); as roupas jogadas, mas sempre sendo enquadradas na cena; as âncoras que destacam os produtos na cena, mas, quando sobrepostas pelo mouse, apenas mostram alguns detalhes deles, sem link para compras.

Tudo isso mostra que o intuito do site é o de associar a situação - e todos os aspectos ali contextualizados - à imagem da marca.

A pessoa que comprar dessa marca estará comprando apenas roupa? Ou estará comprando também toda a cena, além do fim da sua timidez?

Percebe-se também que - por ser um viral - há uma preocupação em espalhar o site e gerar buzz sobre ele, com mecanismos de indicação e fórum (com o imperativo nome de "Reaja!") aberto a comentários que vão dos que acharam genial até os que acharam um ultraje.

O fórum não exige cadastro, já que o intuito deles não é criar uma base de e-mails para mandar newsletter. O que eles querem é buzz! Marketing espontâneo!

Achei esse site é um case tão interessante para ser analisado sobre vários prismas (limites da publicide, marketing viral, branding etc), mas quando pesquisei n'Aquele Que Tudo Vê e não encontrei quase nada em português, a não ser algumas referências e o artigo do Caio Cesar, no Webinsider, em que ele traça alguns comentários sobre essa questão de branding também - coincidência ;)

segunda-feira, 22 de maio de 2006

Cenas do cotidiano

Dessas cenas que parecem cenas caricaturadas das novelas:

Sábado de manhã eu e o César fomos visitar um cliente e paramos em um boteco pra tomar o café da manhã.

Mas não um café da manhã qualquer. Um café da manhã de boteco! A famosa média com pão.

Acho que nunca entrei em um boteco tão cara de boteco mesmo: sujeito com camisa do Flamengo no balcão, tomando cerveja com um amigo - pelo jeito, já há algum tempo - e conversando com ele e com o caixa, que muito provavelmente é o dono do estabelecimento, sobre criação de passarinhos.

Se lamuriando da perda de uma ave que julgava ser belíssima cantadora, o cidadão começa a expor o caso, dizendo que essa ave lhe era muito cara e que todos a elogiavam, até que alguém afirmou que o bicho estava morrendo.

Ele não queria acreditar, mas já começava a perceber que a ave estava morrendo, por influência do outro. Ou seja, o que matou o passarinho não foi causa natural, foi a boa e velha urucubaca.

O sujeito não teve dúvida ao afirmar em alto e bom som pra todo o boteco ouvir: "Por isso que eu digo: a pior macumba que existe é o olho gordo!"

Isso alguns segundos antes de um sujeito entrar ali com camisa do Vasco, calça velha de moleton e sandália de dedo, além do pouco cabelo despenteado.

Agora pergunto: que outro lugar poderia proporcionar esse tipo de cena?

Só outro boteco.

sexta-feira, 19 de maio de 2006

Picaretagem

Tava lendo uma notícia sobre a recptividade da crítica de Cannes ao filme "O Código da Vinci" quando me deparei com a pérola:

Um dos trunfos do livro é o modo como ele permite aos leitores desvendar as pistas antes dos protagonistas Langdon e Neveu, criando certa satisfação.

Ah, legal... Então é assim que se faz livro policial e de mistério? Você engana o ego do leitor, criando mistérios fáceis para ele, mas difíceis para os personagens gênios?


O Langdon é tão bom simbologista durante todo o livro, mas de repente não consegue identificar a senha do criptex logo de cara, para fazê-lo no momento mais dramaticamente oportuno para o desenrolar da história.

Ah, Dan Brown, Dan Brown... A quem você quer enganar? Já descobri teu segredo.

quarta-feira, 17 de maio de 2006

Você sabia? Nem eu.

Hoje comemora-se pela primeira vez o Dia da Internet.

Vi no InfoWester.

Os Gafanhotos

Finalmente terminei de ler "As crônicas marcianas", de Ray Bradbury.

É interessante nesses tempos de Irã enriquecendo urânio e de tecnologia avançando ferozmente ler um livro que foi escrito em meio à paranóia nuclear dos anos 50.

Nessa época ainda se acreditava nos Canais de Marte e, por isso, o livro apresenta esse e outros deliciosos erros científicos, além de previsões apressadas, como a chegada do homem no Planeta Vermelho em 1999 e sua posterior chegada em massa, como uma nuvem de gafanhotos.

Contudo, mais do que um livro de ficção científica, a coleção de contos é um retrato da humanidade estúpida, inconseqüente e desequilibrada.

Particularmente, o conto que mais me chamou atenção foi "Usher II", uma referência a "A queda da casa de Usher" e uma homenagem à obra do mestre Edgar Allan Poe, um de meus escritores favoritos.

Neste conto Bradbury leva para Marte um homem que foge da proibição de livros fantásticos imposta na Terra e ali cria Usher II, uma casa habitada por criaturas saídas dessas histórias. Robôs, obviamente.

Mas as leis estúpidas não tardam em sair do Terceiro Planeta para o Quarto com o objetivo de acabar com a criação do indivíduo, resultando em algumas situações interessantes que não contarei aqui - mas o link no fim do post conta. ;)

Como admirador da obra de Poe e fã de ficção científica, confesso que esse conto marcou.

Ao lê-lo e dias depois se deparar com absurdos como uma notícia que vi semana passada, reforço ainda mais minha crença na liberdade de expressão e no fato de que outros não têm o direito de escolher por mim o que devo ou não ler.

Se você gosta de uma boa ficção científica com direito a doses cavalares de estupidez humana, recomendo "As crônicas marcianas".

P.S. 1: Para saber um pouco mais sobre o "Usher II", eu recomendo o artigo "A ficção desconfiada", de Gustavo Bernardo.

P.S. 2: Esse conto foi embrião para a obra mais famosa de Bradbury, "Fahrenheit 451", que, inclusive, vai virar filme ano que vem. Outra vez.

sexta-feira, 12 de maio de 2006

Palavras

Palavra eu preciso
Preciso com urgência
Palavras que se usem
em caso de emergência
("Palavras" - Titãs)

Incrível como está sempre saindo fumaça da chaminé dos Google Labs.

Vi lá no Caparica que saiu mais um serviço do forno: Google Trends.

O propósito desse serviço é comparar a evolução das pesquisas a determinados termos no buscador.

Pode-se comparar até 5 termos em um gráfico, além de poder filtrar por data, idioma e localização geográfica.




Legal isso, né? Bastante interessante. Principalmente para quem vai fazer uso do sistema de links patrocinados da empresa, o famoso AdWords.

Vamos ver no que isso dá. O SEO é o limite (não resisiti. Desculpem).


O mais interessante é que esse fim de semana mesmo eu conheci o Trendio, através do Ponto Media.

A proposta do site é bem curiosa. É como se fosse uma bolsa de valores. Só que de termos.

Quando se cadastra no site o usuário recebe $10,000 fictícios e pode comprar participação nos termos.

Cada um deles tem um valor. Quanto mais aparecem, mais valorizados ficam. Se deixam de aparecer, perdem valor.

Aparecer ou deixar de aparecer onde? Segundo o próprio Trendio, em 3000 sites de órgãos de comunicação de língua inglesa.

Como bom investidor que sou, eu já comprei as palavras "Yahoo" e "War" para fazer um teste. Vamos ver se consigo algum lucro ;)

quinta-feira, 11 de maio de 2006

Blogs

A blogosfera brasileira andou levando uma sacudida nessas últimas semanas.

E foi igual àquelas sacudidas em ávore, para as frutas caírem. Muita coisa boa apareceu.


Haja tempo e RSS pra ler isso tudo...

quinta-feira, 23 de março de 2006

Obrigado, Pio

Depois de agradecer a Ibrahim, seria injusto deixar de agradecer também a Pio Leyva, do Buena Vista Social Club.

O músico cubano faleceu hoje de madrugada em Havana, aos 88 anos.


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Ouvindo: El Cuarto de Tula - Buena Vista Social Club

terça-feira, 21 de março de 2006

A internet e suas celebridades

Esse potencial da internet de criar "microcelebridades" é realmente curioso.

A última que tivemos foi a Katilce, que já até anda meio esquecida. O hype já passou. Quem será o próximo?

Enquanto ele não aparece o jeito é continuar com os antigos, dando uma reciclada ou transformando o sujeito em ícone pop.


Quem aí não conhece o Jeremias Muito Louco ou o Bill Goiaba?

Agora quem aí conhece o remix no vídeo do Jeremias ou o Funk do Jeremias e as camisas do Bill (feminina e masculina)?

Enquanto tá nesse nível até dá pra achar engraçado. Afinal de contas, os sujeitos são ladrões de galinhas desajeitados e caricatos e a proposta do programa é de mostrar isso mesmo (reparem no incentivo que o repórter dá para que os sujeitos cantem).

O problema será quando virmos isso acontecer com indivíduos como Leonardo Pareja e Fernando Dutra Pinto.

Neste momento não me recordo de a internet ter feito de nenhum grande bandido um paladino contra o sistema ou um popstar, como os meios de comunicação tradicionais fizeram com esses que citei.

Mas, ressalto, os meios de comunicação não os fizeram sós! A população ajudou.

E é nesse ponto que a internet pode criar uma situação como essa. Se Ruth Lemos (que ameaçou processar meio mundo por causa do vídeo, mas acabou até gravando um comercial) ou o Mamute se dissiparam com bastante velocidade, de messenger em messenger, de e-mail em e-mail, o que impediria de uma corrente de apoio a um criminoso alcançar o mesmo nível de viral a ponto de gerar sites dedicados, blogs - quem sabe até do próprio, direto da cadeia! - ou comunidades no Orkut?

O que impediria? Cada um de nós. Afinal de contas, "para que o mal triunfe, basta que os bons não façam nada" (frase atribuída a Edmund Burke, mas não posso confirmar).

Ou seja, ato de apertar o botão "Forward" ("Encaminhar") também é um ato político.

E ainda me perguntam porque acho "Assassinos por natureza" um bom filme.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2006

O show da comunicação

U2 é uma das maiores bandas da atualidade. Seu vocalista, Bono, é reconhecido internacionalmente por seu engajamento em causas sociais. Ele se utiliza da projeção que a banda lhe dá para trazer foco a questões sociais muitas vezes esquecidas.

As letras das bandas são politizadas e comprometidas com a conscientização política, respeito e tolerância.

Mesmo com isso em mente, poucos podiam esperar por aquilo que vimos no show. Seja pessoalmente ou pela tv - ainda que sofrendo com a transmissão...

Mais do que um show de rock, foi um show de comunicação.

Ver como o telão foi utilizado para uma comunicação entre a banda e o público, seja passando mensagens sociais ou imagens ligadas à música; como a luz se modificava, dando destaque a esse ou àquele membro da banda, ou como ela se tornou vermelha como sangue em "Sunday Bloody Sunday"; ver Bono utilizando cores do país na roupa, bandana pela tolerância; vê-lo em uma relação de confiança com o público, ao vendar os olhos e andar sobre um palco que ia em direção ao público como uma península; vê-lo levar dois fãs ao palco; ver aquele mar de celulares substituindo os isqueiros; tudo isso foi uma gigantesca aula de comunicação.



Durante o show, blogs e fotologs iam sendo atualizados, mensagens SMS rolavam soltas. Após o encerramento MSN's começam a pipocar, scraps começam a aumentar geometricamente, listas de discussões geram novos tópicos, blogs novos posts. No dia seguinte, colegas de trabalho, professores, amigos debatem. Tudo em torno da banda e de sua performance.

Destaco aqui a mensagem do Irapuan Martinez, na ArqHP, e o post do Mauro Amaral, no CarreiraSolo. Acredito que os dois retratam bem aquilo que a legião de comunicadores do país viu, sentiu e refletiu durante e após o evento.

Com toda certeza, esse foi um bonito dia para qualquer comunicador e fão do bom e velho rock n' roll. Que bom que não o deixei escapar. ;)

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Update em 23/02/2006:

Aqui vão mais dois links interessantes, ligados ao show: o artigo "O efeito Katilce", de Michel Lent, no Webinsider, e um vídeo que é uma verdadeira pérola.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2006

Ainda vivo

80 dias sem escrever aqui no blog. Não. Eu não estava dando a volta ao mundo em um balão.

Mas sei que dessa forma fica difícil querer que alguém acesse isso daqui.

E estamos em 2006... Último período da faculdade, entrega de TCC, aquecendo os motores pra uma pós em 2007, estante cheia de livros e DVD's me aguardando. Ou seja, esse tem tudo pra ser um bom ano, como foi 2005.

Depois de um período de férias e a leitura da coletânea "O Homem Bicentenário", do Asimov e de "O Terceiro Gêmeo", de Ken Follet e de uma semana offline - o que me rendeu mais de 650 e-mails não lidos -, tô de de volta pra tentar continuar escrevendo aqui.

Talvez agora que estou lendo bastante para ter subsídios que permita ao meu projeto de site novo no trabalho ser aprovado - o que vai me dar mais trabalho ainda, mas vai ser divertido e vai me dar conhecimento prático - eu consiga escrever mais aqui.

Não que não lesse muito antes - muito pelo contrário -, nem por falta de assunto, que sempre tem muito pra quem trabalha com web - taí a Web 2.0, que não me deixa mentir -, mas por uma questão de ordenar as idéias mesmo. Afinal de contas, nada melhor pra fixar e organizar o conhecimento do que colocá-lo para fora.

E falando em ler, tô quase acabando de ler o livro do Felipe Memória e já tenho um do Nielsen e outro de Zeldman engatilhado, mas com certeza serão atravessados por outros relativos ao TCC - que também são bem empolgantes e importantes.

Tanto conteúdo. Tão pouco tempo...

Isso me lembra os excelentes posts do Mauro Amaral, do Carreira Solo, sobre o grande volume de informação produzido hoje em dia e a dificuldade de captar tudo isso - ou a parte mais importante - principalmente pra quem é data-holic. Eu recomendo uma leitura no primeiro post da série.

Enfim... Como disse, 2006 tem tudo pra ser tão bom quanto foi 2005. Apesar das murrinhas que atravancam o pogréssio, que, afinal de contas, sempre estarão aí. :P

Um abraço a quem quer que esteja aí lendo!