terça-feira, 25 de outubro de 2005

Lobo em pele de cordeiro ou chifre em cabeça de cavalo?

Trezentos mil anos depois do último post, estou de volta.

Fiquei sem escrever nada não por falta de assunto, que tem até demais, mas pela correria e por não conseguir parar para organizar as idéias e escrever essas mal traçadas linhas.

Falando em organizar idéias, nada melhor que ver umas notícias pra fazer a gente não parar de pensar. E foi nisso que me deparei com uma situação:

Como faço regularmente, estava assistindo um pouco de TV, conferindo as notícias em um desses canais de notícias 24h. Gosto desse tipo de canal porque basta ir até ele a qualquer hora e você sabe o que aconteceu no mundo desde a última vez que você se ligou no noticiário.

Não é um canal para se assistir direto, porque as notícias se repetem e se tornam um porre. Mas é bom justamente por causa disso: notícia o tempo todo! Apenas ela: a boa e velha notícia. Neste caso, nova - sempre nova!

Porém, deixando a viagem de lado e voltando ao tema, enquanto assistia a programação, meus olhos viajavam pela tela: tentava me concentrar na reportagem que passava no vídeo, mas me pegava lendo a tarja sobre o conteúdo da reportagem, seguindo para a tarja da próxima notícia e, depois, caindo naquela barra de notícias de fluxo contínuo. Um verdadeiro rio de informação.

Foi justamente nesse rio que pesquei um espécime diferente. Ali sempre aparecem notícias sobre aumento de taxa disso, queda no lucro de não sei quem, fechamento em déficit da balança comercial da Suazilândia no primeiro trimestre do ano, eleição de alguém para algum cargo no Oriente Médio, número de vítimas em algum desastre natural, enfim, notícias sobre todo tipo de coisa.


Mas, no meio dessa história toda aí apareceram algumas notas bem suspeitas rolando na barra, anunciando o lançamento de um novo sanduíche pela cadeia de fast-food X e um novo carro pela montadora Y.

Ou seja: o sujeito liga em um canal de notícias durante o noticiário - dã! - para ver notícia - dã!² - e, desarmado, é pego de surpresa: havia uma propaganda no meio das notícias.

Ou será que não?

Será que aquilo era realmente notícia e sou eu que estou ficando paranóico demais?

Nos jornais impressos, por exemplo, propaganda em forma de notícia deve vir com uma borda (box), com fonte diferente e com o "Informe Publicitário" em cima. Mas, será que algumas coisas que a gente lê como se fossem notícias não foram colocadas ali como propaganda? A tal da "notícia paga".

Será que uma notícia paga não poderia encontrar terreno fértil nessas tarjas de canais de notícias?

Afinal de contas, não seria essa uma boa fonte de receita?

Isso me lembra uma história contada por um professor: ele tinha por cliente uma quitanda que queria aumentar as vendas, mas tinha pouca verba.

Qual foi a solução encontrada? Uma linha de rodapé no fim da receita do caderno de culinária de um jornal de grande circulação dizendo que os ingredientes para essas receitas poderiam ser encontradas na quitanda cliente.

Resultado? As vendas da quitanda aumentaram.

As pessoas estavam lendo aquela receita para aprendê-la, para saber seu procedimento (ou algorítimo). junto com as informações de 1/2 colher de chá disso, 2 colheres de sopa daquilo e uma dúzia daquilo outro, receberam também a informação de onde poderiam encontrar isso, aquilo e aquilo outro.

Muita gente estava de guarda baixa nessa hora, e não esperava que nota de rodapé da receita fosse uma propaganda. Se perceberam, foi tarde demais: já tinham lido.

Daí nos lembramos daquela velha história de que a melhor publicidade é aquela que não parece ser.


E o que internet tem com isso?

Acho que aqui cabem dois exemplos dessa prática na comunicação on-line.

Primeiro: marketing viral.

Quantas vezes você já recebeu algum material engraçado de um amigo, ou viu em uma comuniade ou fórum on-line? Quantos desses materias eram propagandas de marcas? Quantos desses você repassou?

É nisso que se baseia o marketing viral: boca-a-boca on-line. Alguém achou legal e repassa pros amigos, que repassam pra outros e assim segue.

Imagine a empresa X lhe enviando uma propaganda diretamente. Será que você vai se dar ao trabalho de ler? Será que vai ao menos abrir a mensagem?

Agora, imagine você recebendo uma mensagem de um amigo seu lhe dizendo que você tem que conferir um determinado site ou propaganda que está linkado ou em anexo, mas que é, na verdade, uma peça bem humorada da mesma empresa X.

Qual dos dois exemplos têm mais chances de ser acessado? Sem dúvida o segundo, não? Afinal de contas, foi um amigo seu que lhe recomendou. Passou pelo crivo dele. Ele lhe conhece e achou que lhe interessaria. Porque não acessar?

Porque você acha que os bons sites têm o recurso de enviar para um amigo?

É propaganda? É. Mas não é.


Segundo: adwords (também conhecidas como "links patrocinados").

Esse recurso utiliza o serviço de montagem dinâmica de páginas, algo bem útil para a comunicação on-line, pois permite a personalização da página de acordo com os dados individuais de cada usuário, coletados durante sua navegação atual e anteriores. Assim há um maior direcionamento da comunicação, ao contrário do banner tradicional, que, de um modo geral, é exibido para todos os visitantes do site.

Quando o usuário faz uma busca por um termo, o sistema registra esse termo e, junto aos resultados normais da busca, apresenta propagandas em forma de links puro texto (nada de imagens, animação, música, apenas texto!). Embora sempre se diferenciem dos outros resultados, essa diferença não é tão gritante. Assim, existe mais chance de o usuário clicar no link achando que é mais um resultado da sua busca.

Qualquer site dinâmico poda fazer uso desse sistema, tendo o seu próprio ou utilizando o de outras empresas. O serviço mais famoso - e também o mais eficiente - é o do Google.


Esses dois exemplos que citei são práticas que crescem cada vez mais na internet. Justamente por não enfrentarem resistência e por serem de baixo custo.

Embora a primeira esteja muito dependente do usuário repassar ou não para os amigos, ainda é uma prática eficiente, desde que a peça em questão proporcione um desejo de passá-la pra frente, se não, nem adianta. Além disso, não é possível mensurar numericamente o sucesso, embora seja possível sentir, visitando comunidades, listas, fóruns e sabendo se as pessoas já tiveram contato com a peça.

A segunda é muito mais fechada nos público-alvo e por possibilitar uma mensuração numérica, mas não oferece grande possibilidade de destaque. Além disso, para um sucesso maior, mais palavras-chave têm de ser adicionadas às relacionadas, aumentando o custo. Ainda assim é uma excelente prática.

Tá certo que eu sou meio suspeito pra falar de conspiração, publicidade e internet, mas é bom o pessoal saber que tem esse tipo de coisa por aí, afinal de contas, "o melhor truque do Diabo foi convencer o mundo de que ele não existe".

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Ounvindo: And then there was silence - Blind Guardian

2 comentários :

Clayton Oliveira disse...

Oi Khristofferson! Valeu pelo comentario la no blog!

Interessante o post! Como que a todo tempo estamos "indefesos" diante da midia, seja por internete, televisao ou material impresso. Eu nao sabia que essa pratica de enviar algo interessante ou engracado para um amigo poderia ser usado como estrategia para fazer propaganda! Mas nao tem ragras para essa "noticia paga"?? Quais sao?

Abracos!

Anônimo disse...

ler todo o blog, muito bom