segunda-feira, 31 de outubro de 2005

Adoradores do Deus Metal

Embora o foco do blog seja hipermídia, eventualmente vou falar sobre assuntos diferentes. Hoje vou falar um pouco sobre música.

Acho interessante essa arte. Acredito que ela seja a que está mais ligada ao ser humano, até por ser a mais presente no dia-a-dia - pelo menos no meu...

Lembro que a primeira banda de rock com a qual tive contato foi o Skank. Depois dela foram Titãs, Legião Urbana e Guns N' Roses. Bem.. Daí pra frente o gosto foi se abrangindo e veio o Iron Maiden, Led Zeppelin e o - salve, salve! - Black Sabbath. Pronto. Metal pra sempre.

Nos shows e encontros da galera sempre via aqueles sujeitos de preto, camisas de bandas, caras emburradas e spikes que não ouviam nada além de metal. Eram os verdadeiros metaleiros. Daí nasceram os true (ou tr00).

É tudo isso que me vem à mente quando penso agora em o que escrever sobre o novo álbum de uma banda de metal. Mas não é qualquer banda de metal. É a maior e mais true de todas as bandas: MASSACRATION!


Conhecer essa banda foi uma das minhas maiores felicidades, justamente por ser uma banda de caricatura, onde os pontos de esteriotipagem são exagerados.

O visual Judas Priest e a atitude Manowar são fantásticos. Mas não seriam suficientes sem as músicas. Estas são um verdadeiro poço de originalidade.

Nos primeiros sucessos da banda já ficava claro o que eles entendiam por fazer metal no Brasil: embromation! O famoso refrão "Raru-e raru-o", de Metal Massacre Attack e a introdução "All the Nation Stop the punhetation", de Metal Bucetation estão aí para provar, mas podem ser considerados menores, diante de toda a letra de Metal Milkshake.

Já passava da hora dessa banda lançar um CD - embora isso seja mainstream, pois true que é true lança demotape. Este veio agora, com o título de "Gates Of Metal Fried Chicken Of Death" - e com uma capa bem referenciada.

O álbum conta com 13 músicas, entre novas composições e novas gravações dos antigos(?) clássicos. Tudo mantendo a mesma linha de caricatura, ou zoação, se preferir, iniciando com a gourmética Intro - que já dá o tom do que vem pela frente.

Aliás, essa história de colocar som de vento, chuva, trovões e sinos distantes no início da primeira música do primeiro disco foi muito pretensiosa, uma vez que a banda que fez esse efeito na primeira música do primeiro disco foi exatamente a que inventou essa bodega.

Em todas as músicas podemos destacar passagens que são verdadeiras pérolas:

Metal is the law
"Metal Is The Law
The Law Is The Metal
Metal The Law Is
Metal"
(quem nunca ouviu um metal com jogo de palavras?)

Evil papagali
"He's master of hell
And we're
Massacration
He wants to speak
To all the nation "
(rima sem-vergonha...)

Metal massacre attack
"Far away
Across the sea"
(perceberam que alguma coisa sempre vem de algum lugar longe ou de do outro lado do oceano?)

Feel the fire from barbacue
"Fraldinha in gonna burn
(na grelha)
Maminha is gonna burn
(na grelha)
Javali is gonna burn
(na grelha)
In hell you gonna burn
(na grelha)
Burn
Burn!!!!!!"
(no fim, sempre dão um jeito de encaixar alguma coisa sombre o Inferno...)

Metal milkshake
"game over
playstation
atariiiiiaaaaaaaaaaaaaa"
(podia ter escolhido qualquer parte, mas esse finalzinho aí foi foda!)

Ceral metal

"metal makes us strong"
(pegaram um trocadilho legal aqui)

Metal dental destruction
"After all this pain
In hell toy gonna claim
Mad dentist is lelé
You'll be like
Tião Macalé"
(mais uma vez o inferno e uma rima sem-vergonha)

Let's ride to metal land (the passage is r$1,00)
"Right time and right place
Take care don't be late
Or they'll fechate the gate
To promissed land"
(esquema de terra distante e maravilhosa, com direito a portão e embromation)

Away doom
"Ahhhhh!!
Ahhhhh!!
Ahhhhh!!"
(gritos de sofrimento bem comuns)

Metal bucetation
"Hold the gozation
Aaaaaah Ispertation"
(encaixaram bem os gritos aqui)


Há ainda o instrumental, com riffs e solos manjados.

Além dessas, temos ainda The god master e Metal glu glu que são meus argumentos de porque essa banda é de metal genuinamente brasileiro!

Com certeza esse é um CD que vale a pena para qualquer fã do metal interessado em rir dos clichês do gênero, ou, simplesmente, curtir o som da melhor banda de heavy metal do mundo.

E não se esqueçam: Morte ao falso metal. Pratiquem o metal real, adoradores do Deus Metal.

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Ounvindo: Evil Papagali - Massacration

terça-feira, 25 de outubro de 2005

Lobo em pele de cordeiro ou chifre em cabeça de cavalo?

Trezentos mil anos depois do último post, estou de volta.

Fiquei sem escrever nada não por falta de assunto, que tem até demais, mas pela correria e por não conseguir parar para organizar as idéias e escrever essas mal traçadas linhas.

Falando em organizar idéias, nada melhor que ver umas notícias pra fazer a gente não parar de pensar. E foi nisso que me deparei com uma situação:

Como faço regularmente, estava assistindo um pouco de TV, conferindo as notícias em um desses canais de notícias 24h. Gosto desse tipo de canal porque basta ir até ele a qualquer hora e você sabe o que aconteceu no mundo desde a última vez que você se ligou no noticiário.

Não é um canal para se assistir direto, porque as notícias se repetem e se tornam um porre. Mas é bom justamente por causa disso: notícia o tempo todo! Apenas ela: a boa e velha notícia. Neste caso, nova - sempre nova!

Porém, deixando a viagem de lado e voltando ao tema, enquanto assistia a programação, meus olhos viajavam pela tela: tentava me concentrar na reportagem que passava no vídeo, mas me pegava lendo a tarja sobre o conteúdo da reportagem, seguindo para a tarja da próxima notícia e, depois, caindo naquela barra de notícias de fluxo contínuo. Um verdadeiro rio de informação.

Foi justamente nesse rio que pesquei um espécime diferente. Ali sempre aparecem notícias sobre aumento de taxa disso, queda no lucro de não sei quem, fechamento em déficit da balança comercial da Suazilândia no primeiro trimestre do ano, eleição de alguém para algum cargo no Oriente Médio, número de vítimas em algum desastre natural, enfim, notícias sobre todo tipo de coisa.


Mas, no meio dessa história toda aí apareceram algumas notas bem suspeitas rolando na barra, anunciando o lançamento de um novo sanduíche pela cadeia de fast-food X e um novo carro pela montadora Y.

Ou seja: o sujeito liga em um canal de notícias durante o noticiário - dã! - para ver notícia - dã!² - e, desarmado, é pego de surpresa: havia uma propaganda no meio das notícias.

Ou será que não?

Será que aquilo era realmente notícia e sou eu que estou ficando paranóico demais?

Nos jornais impressos, por exemplo, propaganda em forma de notícia deve vir com uma borda (box), com fonte diferente e com o "Informe Publicitário" em cima. Mas, será que algumas coisas que a gente lê como se fossem notícias não foram colocadas ali como propaganda? A tal da "notícia paga".

Será que uma notícia paga não poderia encontrar terreno fértil nessas tarjas de canais de notícias?

Afinal de contas, não seria essa uma boa fonte de receita?

Isso me lembra uma história contada por um professor: ele tinha por cliente uma quitanda que queria aumentar as vendas, mas tinha pouca verba.

Qual foi a solução encontrada? Uma linha de rodapé no fim da receita do caderno de culinária de um jornal de grande circulação dizendo que os ingredientes para essas receitas poderiam ser encontradas na quitanda cliente.

Resultado? As vendas da quitanda aumentaram.

As pessoas estavam lendo aquela receita para aprendê-la, para saber seu procedimento (ou algorítimo). junto com as informações de 1/2 colher de chá disso, 2 colheres de sopa daquilo e uma dúzia daquilo outro, receberam também a informação de onde poderiam encontrar isso, aquilo e aquilo outro.

Muita gente estava de guarda baixa nessa hora, e não esperava que nota de rodapé da receita fosse uma propaganda. Se perceberam, foi tarde demais: já tinham lido.

Daí nos lembramos daquela velha história de que a melhor publicidade é aquela que não parece ser.


E o que internet tem com isso?

Acho que aqui cabem dois exemplos dessa prática na comunicação on-line.

Primeiro: marketing viral.

Quantas vezes você já recebeu algum material engraçado de um amigo, ou viu em uma comuniade ou fórum on-line? Quantos desses materias eram propagandas de marcas? Quantos desses você repassou?

É nisso que se baseia o marketing viral: boca-a-boca on-line. Alguém achou legal e repassa pros amigos, que repassam pra outros e assim segue.

Imagine a empresa X lhe enviando uma propaganda diretamente. Será que você vai se dar ao trabalho de ler? Será que vai ao menos abrir a mensagem?

Agora, imagine você recebendo uma mensagem de um amigo seu lhe dizendo que você tem que conferir um determinado site ou propaganda que está linkado ou em anexo, mas que é, na verdade, uma peça bem humorada da mesma empresa X.

Qual dos dois exemplos têm mais chances de ser acessado? Sem dúvida o segundo, não? Afinal de contas, foi um amigo seu que lhe recomendou. Passou pelo crivo dele. Ele lhe conhece e achou que lhe interessaria. Porque não acessar?

Porque você acha que os bons sites têm o recurso de enviar para um amigo?

É propaganda? É. Mas não é.


Segundo: adwords (também conhecidas como "links patrocinados").

Esse recurso utiliza o serviço de montagem dinâmica de páginas, algo bem útil para a comunicação on-line, pois permite a personalização da página de acordo com os dados individuais de cada usuário, coletados durante sua navegação atual e anteriores. Assim há um maior direcionamento da comunicação, ao contrário do banner tradicional, que, de um modo geral, é exibido para todos os visitantes do site.

Quando o usuário faz uma busca por um termo, o sistema registra esse termo e, junto aos resultados normais da busca, apresenta propagandas em forma de links puro texto (nada de imagens, animação, música, apenas texto!). Embora sempre se diferenciem dos outros resultados, essa diferença não é tão gritante. Assim, existe mais chance de o usuário clicar no link achando que é mais um resultado da sua busca.

Qualquer site dinâmico poda fazer uso desse sistema, tendo o seu próprio ou utilizando o de outras empresas. O serviço mais famoso - e também o mais eficiente - é o do Google.


Esses dois exemplos que citei são práticas que crescem cada vez mais na internet. Justamente por não enfrentarem resistência e por serem de baixo custo.

Embora a primeira esteja muito dependente do usuário repassar ou não para os amigos, ainda é uma prática eficiente, desde que a peça em questão proporcione um desejo de passá-la pra frente, se não, nem adianta. Além disso, não é possível mensurar numericamente o sucesso, embora seja possível sentir, visitando comunidades, listas, fóruns e sabendo se as pessoas já tiveram contato com a peça.

A segunda é muito mais fechada nos público-alvo e por possibilitar uma mensuração numérica, mas não oferece grande possibilidade de destaque. Além disso, para um sucesso maior, mais palavras-chave têm de ser adicionadas às relacionadas, aumentando o custo. Ainda assim é uma excelente prática.

Tá certo que eu sou meio suspeito pra falar de conspiração, publicidade e internet, mas é bom o pessoal saber que tem esse tipo de coisa por aí, afinal de contas, "o melhor truque do Diabo foi convencer o mundo de que ele não existe".

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Ounvindo: And then there was silence - Blind Guardian